AREsp 2963396 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal a quo, analisando o quadro fático-probatório, concluiu pela ausência de comprovação da hipossuficiência patrimonial do embargante; a eventual reforma demandaria reexame de provas e fatos vedado pela Súmula 7/STJ, motivo pelo qual o recurso...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: CARLOS ROBERTO NOLASCO FERREIRA; Recorrida: Fazenda Pública
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade (conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Embargos À Execução Fiscal, Garantia Do Juízo, Hipossuficiência Patrimonial, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj, Súmula 283/stf, Súmula 284/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CARLOS ROBERTO NOLASCO FERREIRA
Agravante/recorrente
Fazenda Pública
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade (conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial diante de controvérsia que envolveria ou não reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ)
- 2 Exigência da garantia do juízo para oposição de embargos à execução fiscal (art. 16, §1º, Lei 6.830/1980)
- 3 Possibilidade de dispensa da garantia do juízo frente à comprovada hipossuficiência patrimonial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal a quo, analisando o quadro fático-probatório, concluiu pela ausência de comprovação da hipossuficiência patrimonial do embargante; a eventual reforma demandaria reexame de provas e fatos vedado pela Súmula 7/STJ, motivo pelo qual o recurso especial não foi conhecido.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Sem condenação em honorários advocatícios recursais.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por CARLOS ROBERTO NOLASCO FERREIRA, com fundamento na incidência da Súmula 7 do STJ. Em suas razões recursais, a parte agravante sustenta o preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial, ressaltando a ofensa ao art. 16, § 1º, da Lei 6.830/1980, porquanto: A controvérsia jurídica estabelecida não demanda reexame de matéria fático-probatória, limitando-se à interpretação da norma legal federal diante de quadro fático incontroverso (declaração de IR, ausência de bens, pedido de gratuidade de justiça). Assim, trata-se de direito puro, o que afasta a incidência da Súmula 7/STJ. Sem contraminuta. É o relatório. Passo a decidir. No caso, o recurso especial pleiteia a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal a quo, visando a admissibilidade de embargos à execução fiscal, sem a necessidade de garantia integral do juízo, considerada sua hipossuficiência financeira. Com efeito, o entendimento consolidado do STJ admite, de forma excepcional, o recebimento dos embargos à execução fiscal sem garantia do juízo, quando comprovada a hipossuficiência financeira do devedor. Contudo, o Tribunal a quo analisou a situação econômica da parte recorrente e rechaçou a alegação de hipossuficiência, tendo sido rejeitada a possibilidade de apresentação de embargos à execução fiscal por tal motivo, conforme se lê do seguinte trecho (fl. 61): Contudo, exige-se a prova da total impossibilidade de cumprimento do requisito imposto pelo artigo 16, §1º, da Lei nº 6.830/80, não bastando para tal fim a simples declaração do executado de que não possui bens. No caso, a embargante limitou-se a alegar que não possui patrimônio capaz de garantir de forma substancial o juízo e pretende comprovar tal assertiva anexando ao processo o IRPF/Exercício2023/Ano-calendário2022 (evento 9, DECL2). Compulsando referido documento, verifica-se que o embargante declarou os seguintes bens e direitos à Receita Federal: a) REBOQUE PARA MOTO ADQUIRIDO DE COMERCIAL COMET LTDA - CNPJ 00.964.393/0001-53, no valor de R$ 630,00; b) EMPRESTIMO CONCEDIDO A MARIA INES DE JESUS FERREIRA, no valor de R$ 500.00,00; c) EMPRESTIMO CONCEDIDO A MARIA INES DE JESUS FERREIRA, no valor de R$ 200.000,00; d) C/C CEF, no montante de R$ 41,77. Por outro lado, declarou RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA no valor de R$ 225.522,90 (evento 9, DECL2, p. 2). E rendimentos isentos e submetidos à tributação exclusiva no valor de R$ 119.856,56. Seu rendimento total foi, pois, de R$ 345.379,46, o que representa um rendimento mensal de R$ 28.781,62. Nada mais foi anexado aos autos em favor da defesa do embargante. Entendo que não foi efetivamente demonstrada a ausência ou insuficiência de patrimônio da parte executada, muito ao contrário. A partir da declaração de imposto de renda do embargante não é possível definir seja pessoa que sobrevive de parcos rendimentos, ainda que não tenha elencado bens imóveis, veículos ou ativos financeiros em sua posse. Com os elementos disponíveis nos autos não é viável o recebimento dos embargos à execução, como pretende o embargante. Para tal há necessidade de ser garantido o juízo. Assim, não demonstrada a insuficiência de renda e patrimônio da parte executada. Portanto, a decisão recorrida, ao exigir a garantia do juízo para a admissibilidade dos embargos, após analisar a condição econômica da parte, está em consonância com o entendimento jurisprudencial do STJ, que flexibiliza essa exigência apenas em casos de hipossuficiência patrimonial, o que não se verifica no caso concreto, de modo a atrair a Súmula n. 83/STJ. Nesse sentido, confira-se: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. INSUFICIÊNCIA PATRIMONIAL DO DEVEDOR. GARANTIA DO JUÍZO. DISPENSA. POSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. 1. A garantia do juízo é condição, em regra, exigida para o ajuizamento dos embargos à execução, tendo em vista a literalidade da norma insculpida no art. 16, § 1.º, da Lei n. 6.830/1980. No entanto, tal disposição legal não pode ser interpretada de forma inflexível, a ponto de inviabilizar o acesso à justiça e o próprio exercício do direito de defesa (art. 5.º, incisos XXXV e LV, da Constituição Federal) nos casos em que comprovada a manifesta insuficiência do patrimônio do Executado. 2. A jurisprudência deste Sodalício entende possível, de forma excepcional, "o recebimento dos embargos à execução fiscal sem a apresentação de garantia do juízo, quando efetivamente comprovado o estado de hipossuficiência patrimonial do devedor" (AgInt no AREsp n. 2.336.078/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 12/3/2024). 3. No caso, a Fazenda Pública não se insurge contra a constatação da Corte local a respeito da ausência de condições econômicas do Executado para garantir o juízo. O que se sustenta é apenas a impossibilidade de recebimento dos embargos à execução sem garantia do juízo mesmo na hipótese de hipossuficiência patrimonial do Executado, tese esta que não encontra guarida no mais recente entendimento jurisprudencial desta Corte Superior de Justiça. 4. Agravo interno desprovido (AgInt no AREsp n. 1.789.195/RN, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 27/11/2024, DJEN de 2/12/2024, grifo nosso). TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE GARANTIA INTEGRAL. EXTINÇÃO DO FEITO. POSSIBILIDADE DE MITIGAÇÃO. DIFICULDADE FINANCEIRA NÃO EVIDENCIADA. REVISÃO DAS CONCLUSÕES ADOTADAS NA ORIGEM. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. DIVERGÊNCIA PREJUDICADA. 1. Consoante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de Recursos Repetitivos (REsp 1.127.815/SP), a exigência da garantia do juízo para a oposição de Embargos do Devedor pode ser afastada, desde que comprovado inequivocamente que a parte não possui patrimônio para tanto. 2. Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem, soberano na análise das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, concluiu que a parte agravante, "não obstante o diferimento do recolhimento das custas deferido pelo juízo a quo às fls. 260/261" (fl. 353), não comprovou a insuficiência de Recursos a permitir a oposição de Embargos à Execução sem a garantia integral do juízo. 3. Nesse panorama, rever o entendimento consignado pela decisão combatida quanto à não comprovação da insuficiência de Recursos requer revolvimento do conjunto fático-probatório, inadmissível na via especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 4. Constata-se que a recorrente, nas razões do Recurso Especial, não impugnou fundamento suficiente adotado pelo acórdão recorrido de que a necessidade de garantia integral do juízo, como requisito de admissibilidade dos Embargos à Execução Fiscal, constituía matéria acobertada pela preclusão, porque já decidida desfavoravelmente à parte executada em prévio Agravo de Instrumento, inclusive com trânsito em julgado (fl. 353) que é apto, por si só, a manter o decisum combatido. Portanto, aplica-se à espécie, por analogia, o disposto na Súmula 283/STF: "É inadmissível o Recurso Extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". 5. A análise da divergência jurisprudencial fica prejudicada quando a tese sustentada já foi afastada no exame do apelo nobre pela alínea "a" do permissivo constitucional. Confira-se: AgInt no REsp 1.728.526/AM, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 28/9/2023. 6. Agravo Interno não provido (AgInt no AREsp n. 2.164.962/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 6/8/2024, DJe de 23/8/2024, grifo nosso). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284/STF. GARANTIA DO JUÍZO. HIPOSSUFICIÊNCIA PATRIMONIAL. POSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de embargos à execução fiscal objetivando a suspensão do crédito tributário decorrente de multa ambiental. Na sentença, julgou-se extinto o processo, sem resolução do mérito, tendo por fundamento a ausência de garantia do juízo. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada, para se afastar a exigência de garantia do juízo, de forma que o Juízo a quo conheça dos embargos à execução, apreciando as questões de mérito que ali foram ventiladas. II - O recorrente limitou-se a defender genericamente a ocorrência de violação do art. 1.022 do CPC/2015, sem especificar concretamente sobre quais questões teria a Corte de origem incorrido no vício de omissão, de maneira que se revela inadmissível o recurso especial no ponto, ante a deficiência em sua fundamentação, conforme jurisprudência consolidada na Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicada analogicamente pelo Superior Tribunal de Justiça. III - Não se desconhece que o art. 16 da Lei n. 6.830/1980 exige a garantia do juízo para embargar a execução fiscal. Todavia, há precedentes desta Corte que possibilitam o ajuizamento dos embargos à execução sem a prestação da garantia descrita no art. 16, §1º, da LEF, desde que demonstrada a hipossuficiência do embargante. Nesse sentido: (AgInt no AREsp n. 2.019.836/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 4/11/2022.) IV - Agravo interno improvido (AgInt no AREsp n. 2.122.728/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 31/3/2023, grifo nosso). Por outro lado, há impossibilidade de se reanalisar a hipossuficiência da parte recorrente nesta instância recursal, como pretende o recurso especial, diante da vedação imposta pela Súmula n. 7/STJ. Nesse mesmo sentido, vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DO DEVEDOR. RECEBIMENTO. GARANTIA DO JUÍZO. HIPOSSUFICIÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO. NECESSIDADE. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não se vislumbra nenhum equivoco ou deficiência na fundamentação contida no acórdão recorrido, sendo possível observar que o Tribunal de origem apreciou integralmente a controvérsia, apontando as razões de seu convencimento, não se podendo confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. A Primeira Turma, por ocasião do julgamento do REsp 1.487.772/SE, decidiu pela possibilidade do recebimento dos embargos à execução fiscal sem a apresentação de garantia do juízo, quando efetivamente comprovado o estado de hipossuficiência patrimonial do devedor. 3. Hipótese em que o conhecimento do recurso especial encontra óbice nas Súmulas 7 e 83 do STJ, pois a Corte regional, com amparo no quadro fático-probatório dos autos, decidiu que não foi efetivamente comprovado o estado de hipossuficiência patrimonial do devedor a justificar a admissão dos embargos à execução fiscal sem o oferecimento da garantia integral do crédito exequendo. 4. Agravo interno desprovido (AgInt no AREsp n. 2.336.078/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 12/3/2024, grifo nosso). Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo, para não conhecer do recurso especial. Sem condenação em honorários advocatícios recursais em razão da ausência de fixação de honorários advocatícios sucumbenciais pela Corte de origem. Intimem-se. EMENTA