AREsp 1859834 - ACORDAO
Havendo omissão no acórdão quanto ao pedido de majoração dos honorários advocatícios formulado na impugnação ao agravo interno, acolhem-se os embargos de declaração para suprir a omissão; contudo, em conformidade com o entendimento da Segunda Seção do STJ, a majoração dos honorários recursais não é cabível no...
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- Parties
- Autor: MARIA MADALENA ALVES BUONO e outros; Ré: NNC ADMINISTRADORA DE SERVIÇOS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Da Terceira Turma (embargos Acolhidos, Sem Efeitos Modificativos)
- Outcome
- Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Honorários Advocatícios, Admissibilidade Recursal, Decadência, Súmula 282 STF, Súmula 182 STJ
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Parties
MARIA MADALENA ALVES BUONO e outros
Autor
NNC ADMINISTRADORA DE SERVIÇOS LTDA.
Ré
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Da Terceira Turma (embargos Acolhidos, Sem Efeitos Modificativos)
Legal Issues
- 1 Aplicação do NCPC a recursos interpostos na vigência do CPC/2015
- 2 Existência de omissão quanto ao pedido de majoração dos honorários advocatícios
- 3 Possibilidade de majoração dos honorários no julgamento de agravo interno ou embargos de declaração
Ratio Decidendi
Havendo omissão no acórdão quanto ao pedido de majoração dos honorários advocatícios formulado na impugnação ao agravo interno, acolhem-se os embargos de declaração para suprir a omissão; contudo, em conformidade com o entendimento da Segunda Seção do STJ, a majoração dos honorários recursais não é cabível no julgamento de agravo interno ou de embargos de declaração, de modo que o acolhimento ocorre sem efeitos modificativos, aplicando-se o NCPC conforme o Enunciado Administrativo nº 3.
Court Disposition
Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos
Orders
- Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, sem efeitos modificativos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC.ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO OU DOS ACLARATÓRIOS. INADMISSIBILIDADE.EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016:Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Existentes as hipóteses do art. 1.022 do NCPC, merecemacolhimento os embargos de declaração. 3. Consoante o entendimento firmado pela Segunda Seção do STJ, não é cabível a majoração dos honorários recursais no julgamento de agravo interno ou de embargos de declaração. 4. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos infringentes.
RELATÓRIO MARIA MADALENA ALVES BUONO e outros (MARIA e outros) ajuizaram ação indenizatória por danos morais contra NNC ADMINISTRADORA DE SERVIÇOS LTDA. (NNC ADMINISTRADORA), julgada procedente para condenar a demandada ao pagamento da quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a título de danos morais. Interposta apelação por MARIA e outros, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul deu parcial provimento, nos termos do acórdão assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO FUNERÁRIO - FORNECIMENTO DE URNA FUNERÁRIA COM DEFEITO - NECESSIDADE DE INTERRUPÇÃO DO VELÓRIO PARA O CONSERTO DO CAIXÃO - VALOR DA INDENIZAÇÃO - MAJORADO. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. Analisadas as condições econômicas das partes, o valor arbitrado a título de danos morais deve ser fixado de forma a reparar o sofrimento da vítima e penalizar o causador do dano, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade (e-STJ fl. 284). Nas razões do especial interposto com base no art. 105, III, a e c, da CF, a NNC ADMINISTRADORA sustentou, a par de dissídio jurisprudencial, violação do art. 26, II, do CDC. Alegou, em suma, a ocorrência da decadência, pois ultrapassado o prazo nonagesimal de reclamação do serviço prestado de produtos duráveis. As contrarrazões foram apresentadas (e-STJ, fls. 402/425). O apelo extremo foi inadmitido na origem tendo em vista a incidência da Súmula nº 282 do STF (e-STJ, fls. 442/446). Sobreveio agravo que, por decisão monocrática do Ministro Presidente desta Corte, não foi conhecido por não ter sido impugnado especificamente o óbice apontado na decisão agravada para inadmitir o recurso especial (e-STJ, fls. 507/509). Contra essa decisão, NNC ADMINISTRADORA manejou agravo interno, que não foi conhecido pela Terceira Turma desta Corte, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. INOBSERVÂNCIA DO ART. 1.021, § 1º, DO NCPC E INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 182 DO STJ. ENTENDIMENTO DA CORTE ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. O agravo interno não impugnou as razões da decisão agravada, pois não refutou a não impugnação do fundamento adotado pela decisão agravada para negar seguimento ao recurso especial (Súmula nº 282 do STF). Inobservância do art. 1.021, § 1º, do NCPC e incidência da Súmula nº 182 do STJ. 3. Agravo interno não conhecido(e-STJ, fl. 551 - destaque no original). Nas razões dos presentes embargos de declaração, PÂMELA APARECIDA FRANCISCO DA SILVA (PÂMELA), advogada MARIA e outros,alegou que o julgado foi omisso, pois não analisou o pedido de majoração dos honorários advocatícios, formulado na contraminuta do agravo interno. Não houve impugnação ao recurso (e-STJ, fl. 563). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC.ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO OU DOS ACLARATÓRIOS. INADMISSIBILIDADE.EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016:Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Existentes as hipóteses do art. 1.022 do NCPC, merecemacolhimento os embargos de declaração. 3. Consoante o entendimento firmado pela Segunda Seção do STJ, não é cabível a majoração dos honorários recursais no julgamento de agravo interno ou de embargos de declaração. 4. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos infringentes. VOTO Os embargos de declaração não comportam acolhimento. De plano, vale pontuar que os presentes embargos de declaração foram opostos contra acórdão publicado na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016:Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. Os embargos de declaração constituem recurso de estreitos limites processuais, somente sendo cabíveis nas hipóteses previstas no art. 1.022 do NCPC, ou seja, para sanar omissão, contradição, obscuridade ou corrigir erro material no acórdão, o que ocorreu no caso presente, já que não foi analisado o pedido de majoração dos honorários advocatícios, requerido na impugnação ao agravo interno. A Segunda Seção desta Corte fixou o posicionamento de não ser cabível a majoração dos honorários recursais no julgamento de agravo interno ou de embargos de declaração. Confira-se o precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA. PRESCRIÇÃO. REPARAÇÃO. DIREITOS AUTORAIS. ILÍCITO EXTRACONTRATUAL. ACÓRDÃO EMBARGADO CONFORME A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. NÃO CABIMENTO. DECISÃO MANTIDA. 1. Os embargos de divergência não podem ser admitidos quando inexistente semelhança fático-processual entre os arestos confrontados. 2. No caso, a TERCEIRA TURMA apreciou controvérsia sobre a prescrição envolvendo violação extracontratual de direitos autorais. O paradigma (REsp n. 1.211.949/MG), no entanto, enfrentou questão relativa ao prazo prescricional para execução de multa cominatória, por descumprimento de decisão judicial que proibia o réu de executar obra musical. Constata-se assim a diferença fático-processual entre os julgados confrontados. 3. A jurisprudência de ambas as turmas que compõem esta SEGUNDA SEÇÃO firmou-se no mesmo sentido do acórdão embargado, segundo o qual é de 3 (três) anos, quando se discute ilícito extracontratual, o prazo de prescrição relativo à pretensão decorrente de afronta a direito autoral. Precedentes. 4. As exigências relativas à demonstração da divergência jurisprudencial não foram modificadas pelo CPC/2015, nos termos do seu art. 1.043, § 4º. 5. É devida a majoração da verba honorária sucumbencial, na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, quando estiverem presentes os seguintes requisitos, simultaneamente: a) decisão recorrida publicada a partir de 18.3.2016, quando entrou em vigor o novo Código de Processo Civil; b) recurso não conhecido integralmente ou desprovido, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente; e c) condenação em honorários advocatícios desde a origem no feito em que interposto o recurso. 6. Não haverá honorários recursais no julgamento de agravo interno e de embargos de declaração apresentados pela parte que, na decisão que não conheceu integralmente de seu recurso ou negou-lhe provimento, teve imposta contra si a majoração prevista no § 11 do art. 85 do CPC/2015. 7. Com a interposição de embargos de divergência em recurso especial tem início novo grau recursal, sujeitando-se o embargante, ao questionar decisão publicada na vigência do CPC/2015, à majoração dos honorários sucumbenciais, na forma do § 11 do art. 85, quando indeferidos liminarmente pelo relator ou se o colegiado deles não conhecer ou negar-lhes provimento. 8. Quando devida a verba honorária recursal, mas, por omissão, o Relator deixar de aplicá-la em decisão monocrática, poderá o colegiado, ao não conhecer ou desprover o respectivo agravo interno, arbitrá-la ex officio, por se tratar de matéria de ordem pública, que independe de provocação da parte, não se verificando reformatio in pejus. 9. Da majoração dos honorários sucumbenciais promovida com base no § 11 do art. 85 do CPC/2015 não poderá resultar extrapolação dos limites previstos nos §§ 2º e 3º do referido artigo. 10. É dispensada a configuração do trabalho adicional do advogado para a majoração dos honorários na instância recursal, que será considerado, no entanto, para quantificação de tal verba. 11. Agravo interno a que se nega provimento. Honorários recursais arbitrados ex officio, sanada omissão na decisão ora agravada. (AgInt nos EREsp 1.539.725/DF, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Segunda Seção, j. 9/8/2017, DJe 19/10/2017 - sem destaque no original). De igual forma, veja-se oseguintejulgado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 1. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. PRETENSÃO DE REJULGAMENTO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. 2. MULTA. ART. 1.026, § 2º, NCPC. NÃO CABIMENTO. 3. HONORÁRIOS RECURSAIS. MAJORAÇÃO EM AGRAVO INTERNO. NÃO INCIDÊNCIA. 4. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração poderão ser opostos com a finalidade de eliminar da decisão qualquer erro material, obscuridade, contradição ou suprir omissão sobre ponto acerca do qual se impunha pronunciamento, o que não é o caso dos autos. 2. Não identificado o caráter protelatório dos aclaratórios, ou o abuso em sua oposição, não há como acolher o pedido de aplicação da penalidade prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. 3. Consoante o entendimento firmado pela Segunda Seção do STJ, não é cabível a majoração dos honorários recursais no julgamento de agravo interno ou de embargos de declaração. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no AREsp 1.079.026/ES, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 9/3/2020, DJe 13/3/2020) Ademais,constata-se que, na decisão que não conheceu do agravo em recurso especial,foi majorado, em desfavor de NNC ADMINISTRADORA, oshonorários advocatícios anteriormente fixados pelas instâncias ordinárias. Nessas condições, pelo meu voto,ACOLHE-SEos embargos de declaração para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes.