REsp 1959303 - DECISAO
Havendo o provimento do recurso especial que declarou a nulidade da CDA, mas sem indicação do procedimento subsequente, há omissão formal a ser suprida quanto às providências processuais; contudo, questões relativas à extinção da execução fiscal e aos honorários demandam exame fático e não estão prequestionadas,...
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- Parties
- Embargante: MUNICIPIO DE SANTO ANDRE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 October 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento Dos Embargos De Declaração
- Outcome
- acolhidos parcialmente os embargos de declaração
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Nulidade Da CDA, Extinção Da Execução Fiscal, Honorários Advocatícios, Prequestionamento, Provimento De Recurso Especial, Omissão (art. 1.022 Cpc/2015)
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Parties
MUNICIPIO DE SANTO ANDRE
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento Dos Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Existência de omissão quanto à determinação de anulação do lançamento e extinção da execução fiscal
- 2 Omissão quanto ao arbitramento de honorários advocatícios e à aplicação do art. 85, § 2.º do CPC/2015
- 3 Consequência processual do provimento do recurso especial que declarou nulidade da CDA
Ratio Decidendi
Havendo o provimento do recurso especial que declarou a nulidade da CDA, mas sem indicação do procedimento subsequente, há omissão formal a ser suprida quanto às providências processuais; contudo, questões relativas à extinção da execução fiscal e aos honorários demandam exame fático e não estão prequestionadas, sendo necessário ordenar o retorno dos autos ao tribunal de origem para que reexamine o agravo de instrumento considerando o provimento do recurso especial.
Court Disposition
acolhidos parcialmente os embargos de declaração
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao tribunal de origem para reexame do agravo de instrumento, considerando o provimento do recurso especial
- Publicar e intimar
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DECISÃO Vistos. Trata-se de Embargos de Declaração opostos peloMUNICIPIO DE SANTO ANDREcontra decisão que deu provimento aoRecurso Especial para declarar a nulidade da CDA em razão da impossibilidade de se alterar a fundamentação legal. Sustenta, em síntese, que a decisão padece de omissão(art. 1.022, II, do CPC),porquanto necessário o pronunciamento expresso acerca da anulação do lançamento e da extinção da execução fiscal, bem como a respeito do arbitramento de honorários. Afirma que "é imperioso que a decisão seja integrada para expressamente determinar a extinção do feito, como consequência do reconhecimento da nulidade dos títulos" (fl. 159e) e que "houve omissão quanto à aplicação do art. 85, § 2.º ao caso concreto, matéria que deve ser aplicada de ofício e cuja omissão pode ser suprida por meio do conhecimento e provimento dos presentes aclaratórios"(fl. 160e). Impugnação às fls. 173/175e. Os embargos foram opostos tempestivamente. Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Sustenta oEmbargante que há omissõesa serem supridas, nos termos do art. 1.022, II, do Código de Processo Civil. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas no art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, precedentes desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. FAIXA DE DOMÍNIO DE RODOVIA SOB CONCESSÃO. COBRANÇA EM DESFAVOR DE CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO DE TELEFONIA. POSSIBILIDADE. 1. O Plenário do STJ decidiu que "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). 2. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015, na esteira interpretativa sufragada no Superior Tribunal de Justiça, significa que o julgador deve enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida, hipótese aqui não verificada (EDcl no MS n. 21315/DF, Primeira Seção, DJe 15/06/2016). 3. A Primeira Seção desta Corte firmou o entendimento de que o poder concedente, com respaldo no art. 11 da Lei n. 8.987/1995 (Lei de Concessões e Permissões), pode autorizar a concessionária a efetuar cobrança pela utilização de faixas de domínio de rodovia, mesmo de outra concessionária de serviços públicos, desde que haja previsão no contrato de concessão da rodovia, como verificado na hipótese. 4. A Primeira Turma desta Corte tem reconhecido o caráter manifestamente inadmissível ou improcedente do agravo interno, a ensejar a aplicação da sanção prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 quando a decisão agravada está fundamentada em precedente julgado sob o regime da repercussão geral, sob o rito dos recursos repetitivos ou com base em jurisprudência pacífica de ambas as Turmas da 1ª Seção. 5. Agravo interno desprovido, com aplicação de multa. (AgInt no AREsp 1.079.824/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/02/2018, DJe 07/03/2018). ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTENTE. ACÓRDÃO QUE ENFRENTOU TODAS AS QUESTÕES NECESSÁRIAS. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. I - Conforme pacífico entendimento desta Corte, o órgão julgador não é obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A determinação contida no art. 489 do CPC/2015 "veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida" (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). II - A corte de origem analisando o contexto fático-probatório dos autos concluiu (fl. 270): "Neste caso, ainda que houvesse buracos no asfalto e ainda que a pista apresentasse irregularidades, é certo que o acidente que vitimou fatalmente .. somente ocorreu por culpa do motociclista que invadiu a contramão da via em alta velocidade". III - Para alterar tais conclusões seria necessário o reexame fático-probatório, vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual: " pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". IV - Agravo interno improvido (AgInt no AREsp 1.037.131/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 22/11/2017). No caso, o Embargantealega quea decisão padece de omissão, porquanto necessário o pronunciamento expresso acerca da anulação do lançamento e da extinção da execução fiscal, bem como a respeito do arbitramento de honorários advocatícios. Afirma, ainda, ser " .. imperioso que a decisão seja integrada para expressamente determinar a extinção do feito, como consequência do reconhecimento da nulidade dos títulos" (fl. 159e). Aponta " .. omissão quanto à aplicação do art. 85, § 2.º ao caso concreto, matéria que deve ser aplicada de ofício e cuja omissão pode ser suprida por meio do conhecimento e provimento dos presentes aclaratórios" (fl. 160e). Tais questões, além de não estarem prequestionadas, demandam exame de matéria fática, o que impossibilita a análise nestaesfera especial. Entretanto, observo que o Recurso Especial foi provido para declarar a nulidade da CDA, nada se referindo acerca do procedimento a ser adotado a seguir. Assim, impõe-se o acolhimento parcial dos embargos de declaração para integralizar o julgado, determinando o retorno dos autos, a fim de que o tribunal de origem reexamine o agravo de instrumentoconsiderando o provimento do recurso especial. Posto isso, nos termos do § 2º art. 1.024 do Código de Processo Civil de 2015, ACOLHO PARCIALMENTE OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO nos termos expostos. Publique-se e intime-se.