AREsp 1691847 - ACORDAO
Rejeitaram-se os embargos porque o acórdão recorrido apresentou fundamentação clara e suficiente, não padecendo de omissão, obscuridade ou contradição; além disso, não houve prequestionamento dos dispositivos federais apontados para fins de recurso especial, sendo aplicável a Súmula 211/STJ, e os embargos não podem...
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- Parties
- Recorrente: TEGRA INCORPORADORA S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 October 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento Pela Quarta Turma Embargos Rejeitados
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Prequestionamento, Cerceamento De Defesa, Termo Inicial Da Contagem Do Prazo Prescricional, Reexame De Fatos E Provas
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Parties
TEGRA INCORPORADORA S/A
Recorrente
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento Pela Quarta Turma Embargos Rejeitados
Legal Issues
- 1 Existência ou não de omissão no acórdão quanto ao prequestionamento de dispositivos federais (arts. 355, 369, 370 do CPC e arts. 189 e 206, §3º, V do CC)
- 2 Possibilidade de prequestionamento implícito
- 3 Inviabilidade de reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque o acórdão recorrido apresentou fundamentação clara e suficiente, não padecendo de omissão, obscuridade ou contradição; além disso, não houve prequestionamento dos dispositivos federais apontados para fins de recurso especial, sendo aplicável a Súmula 211/STJ, e os embargos não podem servir para reexaminar matéria fático-probatória ou para rediscutir a causa.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
RELATÓRIO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de embargos de declaração opostos pela recorrente TEGRA INCORPORADORA S/A em face de acórdão que negou provimento a agravo interno, assim ementado (fl. 956): AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INADMISSIBILIDADE. OMISSÃO NO JULGADO. NÃO CONFIGURAÇÃO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. 1. "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo" (Súmula 211/STJ). 2. Inviável, em recurso especial, reexaminar matéria fático- probatória. Incidência da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Sustenta a parte embargante que há omissão no julgado, quanto à alegada demonstração do prequestionamento implícito, visto que, "embora o E. Tribunal a quo não tenha feito menção expressa aos dispositivos invocados no recurso especial, os temas jurídicos a que eles remetem foram devidamente enfrentados" (fl. 978). Conclui, portanto, ser possível a análise do "tema do cerceamento de defesa, fundamentado nos arts. 355, 369 e 370 do CPC", bem como da apontada "violação aos arts. 189 e 206, § 3º, inciso V, do Código Civil, relativos ao termo inicial da contagem do prazo prescricional" (fls. 978-979). A parte embargada apresentou impugnação, defendendo a rejeição dos embargos de declaração, por ausência de omissão no julgado. É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO DA CAUSA. INVIABILIDADE. 1. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no recurso. 2. Embargos de declaração rejeitados. VOTO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI (RELATORA): Os embargos de declaração não merecem acolhimento. Com efeito, o acórdão embargado enfrentou coerentemente as questões postas a julgamento, no que foi pertinente e necessário, exibindo fundamentação clara e suficiente, razão pela qual não merece reparo algum. A propósito, confira-se a motivação do voto proferido no julgamento do agravo interno, na parte que interessa (fl. 959): Conforme ressaltei na decisão agravada, o acórdão recorrido não discorreu sobre o conteúdo normativo dos arts. 355, inciso I, 369 e 370, parágrafo único, do Código de Processo Civil, bem como dos arts. 189, 206, § 3º, inciso V, do Código Civil, revelando-se inviável, portanto, a análise da apontada ofensa à legislação federal, ante a ausência de prequestionamento da matéria. Assim, não obstante a oposição de embargos de declaração na origem, incide à espécie o verbete da Súmula 211 do STJ. Por outro lado, não se exige do julgador a análise de todos os argumentos suscitados pelas partes, a fim de expressar o seu convencimento. O pronunciamento acerca dos fatos controvertidos, a que está o magistrado obrigado, encontra-se objetivamente fixado nas razões do acórdão recorrido. Nesse sentido, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. .. 3. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.483.155/BA, Rel. Ministro OG FERNANDES, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/6/2016, DJe 3/8/2016). Ademais, consoante a jurisprudência desta Corte Superior, "para que se configure o prequestionamento da matéria, ainda que implícito, há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno dos dispositivos legais tidos como violados", situação não caracterizada na hipótese em apreço (AgInt no AREsp 1.370.166/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 15/12/2020, DJe 3/2/2021). Nesse contexto, evidencia-se que a pretensão da embargante é unicamente o rejulgamento da causa, finalidade à qual não se presta a via eleita. Exemplificativamente: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. MERO INTUITO DE REJULGAMENTO DA LIDE. AUSÊNCIA DA OMISSÃO QUE ENSEJARIA A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO INTEGRATIVO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022), sendo inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas no acórdão embargado, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. Não há que se confundir decisão contrária aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentação. Precedentes. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.213.226/SC, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/10/2016, DJe 22/11/2016.) Assim, não demonstrada efetivamente a existência de nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015, impõe-se a rejeição das alegações apresentadas pela parte embargante. Em face do exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto.