AREsp 1884664 - DECISAO
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por NICE CONJUNTO RESIDENCIAL SPE LTDA. impugnando decisão (fls. 667/672, e-STJ) que conheceu de seu agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento, em vista dos seguintes fundamentos: (i) apesar de o recorrente apontar a...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: NICE CONJUNTO RESIDENCIAL SPE LTDA.; Recorrente: Nice Conjunto Habitacional; Terceiro: Construtora Alavanca
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Prequestionamento, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj, Lei Nº 13.786/2018, Honorários, Valor Da Causa, Arras Confirmatórias
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NICE CONJUNTO RESIDENCIAL SPE LTDA.
Embargante
Nice Conjunto Habitacional
Recorrente
Construtora Alavanca
Terceiro
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 existência de omissão no acórdão recorrido
- 2 incidência da Súmula nº 284/STF
- 3 legitimidade para postular direitos de terceiro (honorários da Construtora)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por NICE CONJUNTO RESIDENCIAL SPE LTDA. impugnando decisão (fls. 667/672, e-STJ) que conheceu de seu agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento, em vista dos seguintes fundamentos: (i) apesar de o recorrente apontar a existência de omissão no acórdão recorrido, não se identificou nos autos a oposição de aclaratórios para superação dos alegados vícios, o que atrai a incidência da Súmula nº 284/STF; (ii) o recurso especial foi interposto exclusivamente por Nice Conjunto Habitacional, que não pode postular direitos de terceiro, no caso da Construtora Alavanca; (iii) a matéria relativa aos honorários da Construtora não foi objeto de decisão pelo aresto recorrido, carecendo de prequestionamento; (iv) não é possível conhecer da alegada inépcia da petição inicial diante da incidência da Súmula nº 7/STJ; (v) quanto ao valor da causa, a ação foi proposta sob a vigência do artigo 292, II, do Código de Processo Civil de 2015; (vi) rever o entendimento de que a recorrida efetuou o pagamento de R$ 38.154,84 (trinta e oito mil cento e cinquenta e quatro reais e oitenta e quatro centavos) encontra óbice na Súmula nº 7/STJ; (vii) a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que as arras confirmatórias não podem ser retidas; (viii) o acórdão, ao permitir a retenção de 20% (vinte por cento) dos valores pagos está de acordo com a jurisprudência desta Corte, incidindo, no ponto, a Súmula nº 83/STJ e (ix) a matéria relativa à incidência da Lei nº 13.786/2018 não foi debatida pelo aresto recorrido. De todo modo, a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que não atinge os contratos firmados antes de sua vigência. O embargante afirma que não foram apreciadas as teses trazidas a julgamento, havendo patente violação dos artigos 11 e 489 do Código de Processo Civil de 2015 e 93, IX, da Constituição Federal. Sustenta que ao contrário do afirmado na decisão embargada foram opostos embargos de declaração perante o Tribunal de origem, não sendo hipótese de incidência da Súmula nº 284/STF. Aduzque houve o prequestionamento da matéria trazida a debate, sendo admitido, ademais, o prequestionamento implícito. Alega que não incide a Súmula nº 7/STJ no que diz respeito à inépcia da petição inicial por conter pedido genérico e vago, dependendo apenas da correta aplicação do direito ao caso concreto. Trata-se de revaloração da prova, o que é cabível em recurso especial. Argumenta, ademais, que também não se aplica a Súmula nº 7/STJ em relação valor da causa. Defende que deve ser considerado o valor integral do contrato, pois o litígio discute o seu cumprimento. Assevera que o acórdão estadual está em confronto com a jurisprudência desta Corte, ressaltando que a exigibilidade das penalidades contratuais não depende da alegação de prejuízo. Entende que a embargada é responsável pelo pagamento das despesas decorrentes da indisponibilidade do imóvel, que deve ser calculada no percentual de 1% (um por cento) ao mês a partir da contratação até a concreta e definitiva rescisão contratual. Assinala que a Lei nº 13.786/2018 permitiu expressamente a retenção do sinal e multa de 50% (cinquenta por cento) sobre os valores pagos. Aponta, ademais, que o sinal não se confunde com a cláusula penal. Aduz que a matéria relativa à Lei nº 13.786/2018 foi tratada no recurso especial, devendo a novel legislação incidir de imediato. Defende que a revisão judicial do contrato importaria em violação do princípio constitucional da legalidade. Alega que, diante da extinção do processo sem resolução de mérito, compete à embargada pagar honorários estimados entre 10% e 20% do valor atualizado da causa, não incidindo, no ponto, a Súmula nº 7/STJ. Requer sejam sanadas as omissões que constam da decisão, com o acolhimento de todas as teses trazidas no recurso especial, as quais reitera. Não foi apresentada impugnação (fl. 700, e-STJ). É o relatório. DECIDO. Não prospera a inconformidade veiculada nos presentes aclaratórios. Com efeito, de fatoforam opostos embargos de declaração perante a Corte de origem, conforme demonstrou o embargante,com o que deve ser afastada a incidência, no ponto, da Súmula nº 284/STF. De todo modo, não se identifica a existência de falha na prestação jurisdicional, tendo a Corte de origem analisado de forma fundamentada toda a matéria levada a seu conhecimento, o que afasta a alegada violação dos artigos 11, 489 e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. Em concreto, o acórdão adotou os fundamentos da sentença, que tratou especificamente da perda do sinal. Ademais, o embargante não tem legitimidade para questionar os honorários pertencentes a terceiro. No mais, o que se verifica é que o embargante, a pretexto da existência de omissão, pretende a reforma da decisão agravada, com a reiteração de argumentos já analisados, o que não se mostra possível. Cumpre assinalar que todas as questões trazidas no recurso especial foram fundamentadamente tratadas na decisão embargada. A discordância com o resultado do julgamento não configura omissão e, portanto, não há vício a ser suprido. Nesse contexto, ausentes quaisquer dos vícios ensejadores dos aclaratórios, afigura-se patente o intuito infringente da presente irresignação, que objetiva não suprimir a omissão, afastar a obscuridade, eliminar a contradição ou corrigir o erro material, mas, sim, reformar o julgado por via inadequada. A propósito: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO. MANDADO DE SEGURANÇA. VOTO CONDUTOR DO JULGADO QUE NÃO PADECE DE OMISSÃO. ACLARATÓRIOS INTERPOSTOS SOMENTE POR IRRESIGNAÇÃO QUANTO À PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. PRETENSÃO DE NOVO EXAME DA CONTROVÉRSIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PREQUESTIONAMENTO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Nos limites estabelecidos pelo art. 1.022 do CPC/2015, os embargos de declaração destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição eventualmente existentes no julgado combatido, bem como corrigir erro material. Precedentes. 2. Na espécie, inexiste vício que permita o manejo da presente insurgência, evidenciando-se o seu descabimento, pois visa a parte embargante - ao repetir os argumentos utilizados em seu agravo interno - o reexame da controvérsia devidamente solucionada pela Corte Especial, a qual chancelou integralmente e por unanimidade o voto condutor do julgado, não havendo se falar em omissões. 3. Por outro vértice, não é demais lembrar que, consoante disposto no art. 105 da Carta Magna, o Superior Tribunal de Justiça não é competente para se manifestar sobre suposta violação de dispositivo constitucional, sequer a título de prequestionamento. 4. No caso posto, portanto, inexistem os vícios apontadas pela embargante, tendo o acórdão embargado apreciado a insurgência de forma clara e fundamentada, não sendo possível, em embargos de declaração, rediscutir o entendimento adotado, sequer para fins de prequestionamento. 5. Embargos declaratórios rejeitados." (EDcl no AgInt no MS 24.113/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, CORTE ESPECIAL, julgado em 10/9/2019, DJe 13/9/2019) "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. NÃO CONFIGURADA. REFORMA DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER MANIFESTAMENTE PROTELATÓRIO. MULTA. ART. 1.026, § 2º, DO CPC/15. 1. Os embargos de declaração, a teor do art. 1.022 do CPC, constituem-se em recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podendo, portanto, serem acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, reformar o decidido. 2. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015 é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de matéria constitucional não possibilita a sua oposição. 3. Considerando o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, aplicável a multa inserta no art. 1.026, §2º, do CPC/2015. 4. Embargos de declaração rejeitados, com aplicação de multa." (EDcl no AgInt nos EAREsp 931.889/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 13/8/2019, DJe 20/8/2019) Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se.