REsp 1853498 - ACORDAO
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque a matéria apontada não configurou omissão, contradição, obscuridade ou erro material, mas mero inconformismo com os fundamentos do acórdão, o qual se manifestou explicitamente sobre a aplicação do REsp 1.850.287/SP e sobre a impossibilidade de se falar em violação à...
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- Parties
- Embargante: CAVICON - INDUSTRIA E COMERCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUCAO EIRELI - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 November 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno Em Recurso Especial / Acórdão De Rejeição Dos Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Prequestionamento, Coisa Julgada, Supressão De Garantias, Responsabilidade De Coobrigados
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Parties
CAVICON - INDUSTRIA E COMERCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUCAO EIRELI - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno Em Recurso Especial / Acórdão De Rejeição Dos Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 existência de omissão/obscuridade/contradição no acórdão embargado
- 2 aplicação do entendimento firmado no REsp 1.850.287/SP
- 3 eficácia da cláusula de supressão de garantias
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque a matéria apontada não configurou omissão, contradição, obscuridade ou erro material, mas mero inconformismo com os fundamentos do acórdão, o qual se manifestou explicitamente sobre a aplicação do REsp 1.850.287/SP e sobre a impossibilidade de se falar em violação à coisa julgada no caso concreto à vista do art. 506 do CPC/15.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeição dos embargos de declaração
- Advertência de que a insistência no manejo deste recurso ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/15
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Paulo de Tarso Sanseverino e Marco Aurélio Bellizze votaram com a Sra. Ministra Relatora. Não participaram do julgamento os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Cuida-se de embargos de declaração opostos por CAVICON - INDUSTRIA E COMERCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUCAO EIRELI - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL, contra o acórdão que negou provimento ao agravo interno que interpusera, nos termos da seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 211/STJ.ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA DE OFENSA À LEI. SÚMULA 284/STF.SUPRESSÃO DE GARANTIAS. INEFICÁCIA DA CLÁUSULA DO PLANO EM RELAÇÃO AOS CREDORES QUE COM ELA NÃO ANUÍRAM. PRECEDENTES DA SEGUNDA SEÇÃO DO STJ. AFASTAMENTO DA RESPONSABILIDADE DOS COOBRIGADOS/CODEVEDORES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Ação de recuperação judicial. 2. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a oposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 3. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. 4. A Segunda Seção do STJ firmou entendimento no sentido de que a cláusula do plano de recuperação judicial que prevê a supressão de garantias somente é eficaz em relação aos credores que com ela anuíram. 5. A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória, pois não se lhes aplicam a suspensão prevista nos arts. 6º, caput, e 52, inciso III, ou a novação a que se refere o art. 59, caput, por força do que dispõe o art. 49, § 1º, todos da Lei 11.101/2005. 6. Agravo interno não provido. (fl. 379, e-STJ) Nas razões do presente recurso, aembargante sustenta a existência de suposta obscuridade/omissãoquanto à aplicaçãodo entendimento firmado no Resp 1.850.287/SP, sob pena de não o fazendo, resultar em violação à coisa julgada. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. 1.Rejeitam-se os embargos de declaração quando ausente omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado. 2. Embargos de declaração rejeitados. VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Os embargos de declaração são instrumento processual excepcional e destinam-se ao aprimoramento do julgado que contenha obscuridade, contradição, erro material ou omissão sobre tema cujo pronunciamento se impunha manifestar o julgador. Não se prestam à simples reanálise da causa, nem são vocacionados a modificar o entendimento do órgão julgador. Na hipótese dos autos, a questão apontada pelaembargante não caracteriza qualquer dos vícios acima mencionados, mas mero inconformismo com os fundamentos lançados no julgado embargado. Com efeito, o acórdão embargado, de forma clara e expressa e à luz dos argumentos apresentados no agravo interno, explicitamente se manifestou quanto à matéria impugnada. Confira-se: "1. Do entendimento firmado no REsp 1.850.287/SP Não procede a alegação de prevalência do entendimento firmado no julgamento do REsp 1.850.287/SP em detrimento do atual posicionamento da 2ª Seção a respeito da matéria. Naquela oportunidade, foi reconhecida a eficácia da cláusula de supressão das garantias, unicamente, em relação à empresa Companhia Piratininga de Força e Luz. No particular, todavia, a controvérsia a ser dirimida envolve parte diversa - BANCO BRADESCO - de modo que, à vista do disposto no art. 506 do CPC/15 ("A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros"), não há falar em violação à coisa julgada." (fl. 383, e-STJ) Na verdade, revela-se nítida a pretensão da parte embargante de se valer dos embargos de declaração para rediscutir matéria já decidida, fazendo com que prevaleça o seu entendimento sobre o tema, intuito esse incompatível com a natureza desse recurso. Assim, dissociado o pleito de qualquer um dos pressupostos de interposição dos embargos de declaração, desautorizada está a pretensão declinada, impondo-se, então, a rejeição dos embargos de declaração. Forte nessas razões, REJEITO os embargos de declaração, advertindo a embargante, desde já, que a insistência no manejo deste recurso ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/15.