CC 182789 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos porque não se verificou omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada; o juízo federal corretamente suscitou conflito negativo de competência e indeferiu a inclusão da União no polo passivo em razão do registro do insumo na ANVISA e do caráter facultativo do...
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- Parties
- Embargante: Estado de Santa Catarina; Autor: V. H. da S.; Réu: Município de Palhoça/SC; Parte: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 November 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão (rejeição Dos Embargos)
- Outcome
- Embargos de Declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Conflito De Competência, Litispendência, Fornecimento De Insumo/medicamento, Sistema Único De Saúde (sus), Registro Na ANVISA, Regime Recursal (cpc/2015)
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Parties
Estado de Santa Catarina
Embargante
V. H. da S.
Autor
Município de Palhoça/SC
Réu
União
Parte
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão (rejeição Dos Embargos)
Legal Issues
- 1 existência de omissão na decisão que conheceu do conflito negativo de competência
- 2 incidência da Súmula 224 nesta Corte
- 3 obrigatoriedade de inclusão da União no polo passivo quando o insumo/tratamento possui registro na ANVISA
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque não se verificou omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada; o juízo federal corretamente suscitou conflito negativo de competência e indeferiu a inclusão da União no polo passivo em razão do registro do insumo na ANVISA e do caráter facultativo do litisconsórcio passivo; ademais, os embargos não se prestam à rediscussão de matéria já apreciada.
Court Disposition
Embargos de Declaração rejeitados
Orders
- Rejeito os Embargos de Declaração.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Fls. 142/144e:Trata-se de embargos de declaração opostos pelo Estado de Santa Catarina, em face da decisão que conheceu do conflito paradeclarar competente o juízo suscitado, Juízo de Direito da Vara da Infância e Juventude de Palhoça/SC (fls. 127/134e). Alega que"o juízo federal deixou de decidir sobre sua competência e, tampouco devolveu os autos ao juízo estadual. Em vez disso, simplesmente suscitou conflito negativo de competência" (fl. 142e). Sustenta a incidência do enunciado da Súmula 224 desta Corte, sendo hipótes de não conhecimento do conflito de competência suscitado. Comcontraminuta (fls. 146/148e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Sustenta a Embargante que há omissão a serem sanada, nos termos do art. 1.022, II, do Código de Processo Civil. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento;e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas no art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, precedentes desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). No caso, não está presente qualquer vício de fundamentação da decisão embargada. V. H. da S. ajuizou a Ação de Obrigação de Fazer n. 5026226- 04.2021.404.7200, em face do Estado de Santa Catarina e do Município de Palhoça/SC, objetivando o fornecimento da "bandagem elástica neuromuscular Knesio tape) 1 rolo de 5cm por 5m por mês" (fls. 09/17e), aprovado pela ANVISA, mas não disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde - SUS. Ajuizada perante o Juízo estadual, o qual determinou a inclusão da União no pólo passivo, com amparo no julgamento proferido pelo STF no RE 855.178 (Tema 793), determinou à parte autora a inclusão da União no polo passivo (fls. 72/73e). O Juízo Federal suscitou conflito de competência (fls. 80/84e): a solidariedade passiva dos entes da federação, no que tange ao direito fundamental à saúde, gera o efeito processual do litisconsórcio passivo facultativo, de modo que não é possível ao Poder Judiciário, mas apenas à parte autora, a definição do polo passivo da demanda, ou seja, a escolha do ente em face de quem pretende litigar" (f. 81). Com suporte no Tema 500/STF, ainda, aduziu que só existiria a obrigatoriedade da União compor tal polo se o tratamento ou insumo pleiteado não fosse registrado na ANVISA. Ressaltou, ainda, que "o STJ vem afirmando a desnecessidade de a União integrar o polo passivo nas demandas em que se postular o fornecimento de medicamento/tratamento não incorporado nas políticas públicas do SUS, mas já registrados na ANVISA, como é o caso, por se tratar de litisconsórcio facultativo" (f. 81). Assim, como o "tratamento/insumo pretendido possui registro na Anvisa e a demanda foi ajuizada apenas em face do MUNICÍPIO DE PALHOÇA/SC e ESTADO DE SANTA CATARINA, tendo a parte autora requerido a inclusão da União no polo passivo somente após a provocação do Juízo Estadual" (f. 83), o Juízo Federal indeferiu a inclusão da União na demanda e determinou a devolução do feito à Justiça Estadual, suscitando o presente conflito negativo de competência. Assim, não verifico, no caso, a existência de vício a ensejar a declaração do julgado ou a sua revisão mediante embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO MANDADO DE SEGURANÇA. IMPETRAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE TERATOLOGIA. ART. 1.022 DO CPC/2015. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE.INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO DAS QUESTÕES DECIDIDAS. DESCABIMENTO. 1. Os embargos de declaração são cabíveis para sanar omissão, contradição ou obscuridade do julgado recorrido e corrigir erros materiais. O CPC/2015 ainda equipara à omissão o julgado que desconsidera acórdãos proferidos sob a sistemática dos recursos repetitivos, incidente de assunção de competência, ou ainda que contenha um dos vícios elencados no art. 489, § 1º, do referido normativo. 2. No caso, não estão presentes quaisquer dos vícios de fundamentação no aresto embargado, o qual reconheceu o descabimento do mandado de segurança impetrado contra acórdão da Terceira Turma do STJ, haja vista a inexistência de teratologia do ato judicial impugnado.3. Está evidenciado o exclusivo propósito do embargante de rediscutir o mérito das questões já decididas pelo órgão colegiado, o que não se admite na estreita via aclaratória. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no MS 25.187/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, CORTE ESPECIAL, julgado em 20/11/2019, DJe 26/11/2019). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO MANDADO DE SEGURANÇA.AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL.EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de erro material, obscuridade, contradição ou omissão no julgado (CPC/2015, art. 1.022). É inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no MS 25.432/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, CORTE ESPECIAL, julgado em 11/02/2020, DJe 26/02/2020). Desse modo, totalmente destituída de pertinência mencionada formulação, uma vez que não se aju sta aos estritos limites de atuação dos embargos, os quais se destinam, exclusivamente, à correção de eventual omissão, contradição, obscuridade ou erro material do julgado. Posto isso, REJEITO os Embargos de Declaração. Publique-se e intimem-se.