AREsp 1608237 - ACORDAO
Os embargos de declaração não foram conhecidos por inexistirem ambiguidade, obscuridade, omissão ou contradição a serem sanadas (art. 619 do CPP) e por configurarem mera repetição protelatória e abuso do direito; por conseguinte determinou-se a baixa dos autos à origem e a certificação do trânsito em julgado.
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: MAIZA SIGNORELLI NUNES; Embargante: ANTÔNIO HEITOR DE QUEIROZ; Embargante: JOANA DARC DA SILVA; Embargante: ANTONIO ALVES DA SILVEIRA JUNIOR; Embargante: JOSÉ ADÃO DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento Na Corte Especial (decisão Colegiada)
- Outcome
- Embargos de declaração não conhecidos
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Prescrição Retroativa, Abuso De Direito, Caráter Protelatório, Baixa Dos Autos À Origem, Trânsito Em Julgado
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MAIZA SIGNORELLI NUNES
Embargante
ANTÔNIO HEITOR DE QUEIROZ
Embargante
JOANA DARC DA SILVA
Embargante
ANTONIO ALVES DA SILVEIRA JUNIOR
Embargante
JOSÉ ADÃO DA SILVA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento Na Corte Especial (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Alegada omissão quanto à prescrição retroativa de delitos ocorridos antes da entrada em vigor da Lei n. 12.234/2010
- 2 Caracterização dos embargos de declaração como protelatórios e abuso do direito
- 3 Possibilidade de determinação de baixa dos autos à origem independentemente da publicação do acórdão e certificação do trânsito em julgado
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração não foram conhecidos por inexistirem ambiguidade, obscuridade, omissão ou contradição a serem sanadas (art. 619 do CPP) e por configurarem mera repetição protelatória e abuso do direito; por conseguinte determinou-se a baixa dos autos à origem e a certificação do trânsito em julgado.
Court Disposition
Embargos de declaração não conhecidos
Orders
- Determinar a baixa dos autos à origem independentemente da publicação do acórdão e da certificação do trânsito em julgado
- Certificar o trânsito em julgado
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do recurso, com determinação de certificação de trânsito em julgado, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, Laurita Vaz, João Otávio de Noronha, Maria Thereza de Assis Moura, Herman Benjamin, Og Fernandes, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Paulo de Tarso Sanseverino e Maria Isabel Gallotti votaram com o Sr. Ministro Relator. Licenciado o Sr. Ministro Felix Fischer, sendo substituído pela Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti, nos termos do disposto nos arts. 2º, § 2º, e 55 do RISTJ. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos porMAIZA SIGNORELLI NUNES,ANTÔNIO HEITOR DE QUEIROZ,JOANA DARC DA SILVA,ANTONIO ALVES DA SILVEIRA JUNIOR eJOSÉ ADÃO DA SILVAcontra acórdão que rejeitou recurso integrativo anterior, assim ementado (e-STJ fl. 1241): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL. ACÓRDÃO CONFIRMATÓRIO DA NEGATIVA DE SEGUIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VÍCIO. INOCORRÊNCIA. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DO JULGADO. INADEQUAÇÃO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Inexiste qualquer ambiguidade, obscuridade, omissão ou contradição a ser sanada, uma vez que o acórdão embargado explicitou, fundamentadamente, as razões pelas quais manteve a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário. 2. Não se prestam os aclaratórios para rediscutir matéria devidamente enfrentada e decidida pelo acórdão embargado. Precedentes. 3. Embargos de declaração rejeitados. Sustentam que o aresto vergastado padeceria de omissão, pois nãose manifestou sobre a prescrição retroativa de delitos ocorridos antes da entrada em vigor da Lei n. 12.234/2010, destacando que o julgado desta Corte Superior careceria de fundamentação idônea e que a matéria tratada seria de ordem pública. Requerem o acolhimento dos aclaratórios para que odefeito apontadosejasanado. Não foi apresentada impugnação. (e-STJ fl. 1269). É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO.INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO JULGADO. REDISCUSSÃO DO ENTENDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ACLARATÓRIOS NÃO CONHECIDOS. DETERMINAÇÃO DE BAIXA DOS AUTOS À ORIGEM. 1. A ausência, no acórdão, de quaisquer dos vícios previstos no art. 619 do Código de Processo Penal, impede o conhecimento dos embargos declaratórios. 2. Ainda que na esfera penal não seja comum a fixação de multa por litigância de má-fé,a insistência do embargante diante das sucessivas oposições de embargos de declaração contra o acórdão impugnado, revela não só o exagerado inconformismo, bem comoo seu nítido caráter protelatório, constituindo abuso de direito. 3. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça pacificou-se no sentido de que, diante da reiterada oposição de aclaratórios meramente protelatórios pela parte, deve serdeterminadaa baixa dos autos à origem, independentemente da publicação do acórdão recorrido e da certificação do trânsito em julgado. 4. Embargos de declaração não conhecidos, com determinação de baixa dos autos à origem, independentemente da publicação deste acórdão e da eventual interposição de outro recurso, certificando-se o trânsito em julgado. VOTO Inicialmente, tendo em vista que o acórdão impugnado foi publicado em 15.10.2021 (e-STJ fl. 1250), cumpre atestar a tempestividade dos embargos declaratórios, pois opostos em 19.10.2021(e-STJ fl. 1262). Nos limites estabelecidos pela legislação processual pátria, os embargos de declaração destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou ambiguidade e corrigir eventuais erros materiais existentes no julgado combatido. Na espécie, tratam-se de novos embargos de declaração, sendo certo que, por ocasião do julgamento do recurso anterior, foram afastados os vícios apontados pelos embargantes,destacando-se que a mera irresignação com o entendimento adotado no aresto objurgado não dá ensejo à oposição dos aclaratórios. A insistência do embargante diante das sucessivas oposições de embargos de declaração contra acórdão impugnado, revela não só o exagerado inconformismo, bem como oseu nítido caráter protelatório, constituindo abuso de direito, em razão da violação dos deveres de lealdade processual e comportamento ético no processo, bem como do desvirtuamento do próprio postulado da ampla defesa, circunstâncias que autorizam a baixa dos autos, independentemente da publicação do acórdão recorrido e da certificação do trânsito em julgado. Nesse sentido: PENAL E PROCESSO PENAL. TERCEIROS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. 1. REPETIÇÃO DOS EMBARGOS ANTERIORMENTE OPOSTOS. ABUSO DO DIREITO DE DEFESA. 2. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONHECIDOS. 1. O embargante se limita a repetir os termos dos embargos de declaração opostos anteriormente, os quais já foram analisados e rejeitados pela Quinta Turma. Assim, diante da superveniência de recursos com idêntica fundamentação, sem que se aponte vício que autorize o conhecimento dos embargos de declaração, revela-se nítido o caráter protelatório do embargante, no intuito de tumultuar o regular curso do trâmite processual. Dessa forma, embora na esfera penal não seja viável a fixação de multa por litigância de má-fé, impõe-se tal registro, para fins de não conhecimento dos aclaratórios. 2. Embargos de declaração não conhecidos. Determinação de imediato processamento dos embargos de divergência. (EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1683930/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 05/03/2020, DJe 11/03/2020) No mesmo diapasão: PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS ACLARATÓRIOS NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO INFUNDADO. NÍTIDO CARÁTER PROTELATÓRIO. DESVIRTUAMENTO DO CÂNONE DA AMPLA DEFESA. ABUSO DE DIREITO. DETERMINAÇÃO DE BAIXA DOS AUTOS À ORIGEM. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. 1. A recorribilidade vazia, infundada, como in casu, tão somente com nítido intuito protelatório, configura abuso do direito de recorrer e não é admissível em nosso ordenamento jurídico, notadamente em respeito aos postulados da lealdade e boa fé processual, além de se afigurar desvirtuamento do próprio cânone da ampla defesa. 2. Não obstante na esfera penal não ser viável a fixação de multa por litigância de má-fé, é perfeitamente possível, até mesmo antes do trânsito em julgado da condenação, a baixa dos autos à origem, independentemente da publicação do acórdão recorrido. 3. Embargos de declaração não conhecidos, com a determinação de imediata baixa dos autos à origem, independentemente da publicação deste acórdão e da eventual interposição de outro recurso, devendo a Coordenadoria de Recursos Extraordinários certificar o trânsito em julgado. (EDcl nos EDcl no AgRg no RE no AgRg no AREsp 1366977/PE, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, CORTE ESPECIAL, julgado em 16/10/2019, DJe 30/10/2019) Ante o exposto, não se conhecedos embargos de declaração, com determinação de baixa dos autos à origem, independente da publicação do acórdão, devendo-se proceder à certificação do trânsito em julgado. É o voto.