RMS 71466 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não houve omissão, obscuridade ou contradição passível de correção no acórdão: o recurso era inapto ao conhecimento de modo que não houve exame de mérito, o que afasta a existência de omissão; aplica-se o art. 1.022 CPC/2015 sobre o cabimento dos aclaratórios e o...
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- Parties
- Impetrante: Impetrante; Impetrado: Secretário de Estado da Educação e do Esporte; Órgão Julgador De Origem: Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgados Pela Segunda Turma Do STJ (acórdão)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Obscuridade, Contradição, Impossibilidade De Reexame Do Mérito Administrativo, Súmula 182 Do STJ
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Impetrante
Impetrante
Secretário de Estado da Educação e do Esporte
Impetrado
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
Órgão Julgador De Origem
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgados Pela Segunda Turma Do STJ (acórdão)
Legal Issues
- 1 cabimento dos embargos de declaração para suprir omissão, esclarecer obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material (art. 1.022 CPC/2015)
- 2 se houve omissão ou obscuridade no acórdão embargado quanto à impugnação dos fundamentos do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
- 3 aplicabilidade do enunciado n. 182 da Súmula do STJ sobre não conhecimento do agravo interno que não impugna fundamentos da decisão recorrida
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não houve omissão, obscuridade ou contradição passível de correção no acórdão: o recurso era inapto ao conhecimento de modo que não houve exame de mérito, o que afasta a existência de omissão; aplica-se o art. 1.022 CPC/2015 sobre o cabimento dos aclaratórios e o enunciado 182 da Súmula do STJ por não terem sido impugnados os fundamentos da decisão recorrida; além disso, embargos não se prestam ao reexame do julgado nem à modificação de questões já analisadas.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 12/03/2024 a 18/03/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. IMPOSSIBILIDADE DE INTERFERÊNCIA NO MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. PRETENSÃO DE REEXAME. EMBARGOS REJEITADOS. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. IV - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. V - Cumpre ressaltar que os aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. VI - Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos contra acórdão que julgou agravo interno. O recurso foi julgado pela Segunda Turma, conforme a seguinte ementa do acórdão: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AFASTAMENTO. AGRAVO INTERNO. . ENUNCIADO N. 182 DA SÚMULA DO STJ. I - Na origem, trata-se de mandado de segurança impetrado contra ato atribuído ao Secretário de Estado da Educação e do Esporte objetivando que seja declarada a nulidade da Resolução n. 1.020/2022-GS/SEED, bem como de todo o procedimento administrativo n. 18.653241-4 - SEED/NRE-PNG, no qual se pretende o afastamento da Impetrante da função de Diretora do Colégio Estadual Gratulino de Freitas. II - O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ denegou a segurança pleiteada, ficando consignado que o controle do Poder Judiciário sobre os atos administrativos deve se limitar à análise da legalidade e regularidade formal do processo administrativo, vedada a interferência no mérito do ato e a valoração das provas amealhadas, bem assim a reapreciação do entendimento adotado pela autoridade competente, sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes. A parte agravante, em seu agravo interno, não impugna esses fundamentos. III - É entendimento desta Corte que não se conhece do agravo interno que não impugna os fundamentos da decisão recorrida. Incidência do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. IV - Agravo interno não conhecido. Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante os seguintes vícios no acórdão embargado: .. Com o devido respeito a este Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a decisão possui omissão e obscuridade. Como dito, a decisão embargada deixou de conhecer o agravo interno interposto contra a decisão monocrática proferida pelo eminente Ministro Francisco Falcão que conheceu o recurso ordinário em mandado de segurança e negou-lhe provimento, sob o fundamento de que a agravante não impugnou os fundamentos da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. .. Há obscuridade na decisão embargada, na medida em que afirma que a agravante não impugnou os fundamentos da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná apesar de este Egrégio Superior Tribunal de Justiça ter conhecido do Recurso Ordinário interposto contra a decisão proferida em mandado de segurança pelo TJPR e a ele negado provimento, conforme decisão monocrática proferida pelo eminente Ministro Relator Francisco Falcão de fls.698/704: .. Com o devido respeito, se o recurso ordinário que impugna a decisão do TJPR foi conhecido e teve o mérito julgado monocraticamente por esta Corte Superior, é porque foram impugnados os fundamentos da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, razão pela qual a decisão que julgou o agravo interno interposto é obscura. Repise-se que o agravo interno foi interposto em face da decisão de fls. 698/704 proferida pelo eminente Ministro Relator Francisco Falcão-e não em face de decisão originária do TJPR. E, como dito, a decisão de fls.698/704 conheceu o recurso ordinário interposto contra a decisão do TJPR. Inicialmente, o eminente Ministro Relator indeferiu o pedido de tutela de urgência (fls. 682/684) e, ao final, conheceu e negou provimento ao recurso ordinário (fls.698/704). .. Ou seja, a decisão é omissa por não apreciar o tópico específico no agravo interno sobre a possibilidade de controle do mérito do ato administrativo (fls. 712/716) e obscura por afirmar que a agravante não impugnou o fundamento de que "o controle do Poder Judiciário sobre os atos administrativos deve se limitar à análise da legalidade e regularidade formal do processo administrativo, vedada a interferência no mérito do ato e a valoração das provas amealhadas, bem assim a reapreciação do entendimento adotado pela autoridade competente, sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes", apesar de existir tópico específico no agravo interno sobre a matéria. .. É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. IMPOSSIBILIDADE DE INTERFERÊNCIA NO MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. PRETENSÃO DE REEXAME. EMBARGOS REJEITADOS. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. IV - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. V - Cumpre ressaltar que os aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. VI - Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: .. O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ denegou a segurança pleiteada, ficando consignado que o controle do Poder Judiciário sobre os atos administrativos deve se limitar à análise da legalidade e regularidade formal do processo administrativo, vedada a interferência no mérito do ato e a valoração das provas amealhadas, bem assim a reapreciação do entendimento adotado pela autoridade competente, sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes. A parte agravante, em seu agravo interno, não impugna esses fundamentos. É entendimento desta Corte que não se conhece do agravo interno que não impugna os fundamentos da decisão recorrida. Incidência do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. .. Ademais, a alegação de que a decisão é omissa por não apreciar o tópico específico no agravo interno sobre a possibilidade de controle do mérito do ato administrativo não merece ser acolhida, pois como citado alhures o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Cabe salientar que a decisão monocrática de fls. 698/704, adotou, entre outros, os mesmo fundamentos do TJPR, conforme trecho a seguir: .. De acordo com a consolidada jurisprudência desta Corte, o controle judicial no processo administrativo disciplinar - PAD restringe-se ao exame da regularidade do procedimento e da legalidade do ato, à luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não sendo possível nenhuma incursão no mérito administrativo. Por fim, cumpre ressaltar que os aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.