AREsp 2553968 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência de qualquer vício previsto no art. 1.022 do CPC/2015: não se constatou erro material, omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada, que enfrentou adequadamente as questões relevantes (incluindo a validade formal das cédulas de crédito bancário e a...
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- Parties
- Embargante: COOPERATIVA DE CRÉDITO COOPERMAIS - SICOOB COOPERMAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição De Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Ação Monitória, Cédula De Crédito Bancário, Ônus Sucumbenciais, Erro Material, Súmulas 5 E 7 Do STJ
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Parties
COOPERATIVA DE CRÉDITO COOPERMAIS - SICOOB COOPERMAIS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição De Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 existência de erro material (art. 1.022 CPC)
- 2 omissão, contradição ou obscuridade no julgado
- 3 possibilidade de ajuizamento da ação monitória fundada em cédula de crédito bancário
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência de qualquer vício previsto no art. 1.022 do CPC/2015: não se constatou erro material, omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada, que enfrentou adequadamente as questões relevantes (incluindo a validade formal das cédulas de crédito bancário e a limitação da obrigação à cédula nº 84081-8), e a insurgência da parte constitui tentativa de rediscutir matéria fática e probatória não admitida na via dos embargos.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Embargos de declaração rejeitados
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por COOPERATIVA DE CRÉDITO COOPERMAIS - SICOOB COOPERMAIS contra decisão singular de minha lavra na qual conheci do agravo para negar provimento ao recurso especial em virtude dos óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ (e-STJ, fls. 276/280). Sustenta a parte embargante que, "se bem valorada a prova dos autos, seria caso de reformar o acordão do e. TJ-ES e manter a sentença de piso na ação monitoria, pois já foi provado que o SICOOB é credor do crédito postulado, e ao contrário do que é dito no acordão, existem provas do uso dos valores disponibilizados, permitindo o manejo da ação monitória quanto a todos os contratos, sem excluir nenhum deles, e por isso há agressão ao artigo 700 do CPC" (e-STJ, fl. 283). Alega que há erro material na decisão, pois, no recurso especial, foi comprovado que o título de crédito juntado serve de prova escrita para ação monitoria e, se bem valorada essa evidência dos autos, ele cumpre os requisitos formais do art. 700 do CPC/2015, que aqui foi violado, e assim o aval nela constante é válido e eficaz quanto a obrigação de quitar a dívida confessada. Aduz que o erro material está comprovado, uma vez que não houve o protocolo de ação de execução, mas sim de ação monitória, e os contratos e planilhas juntados são aptos a todos os contratos que ancoram a ação, subsistindo, ainda, o aval prestado quanto às obrigações do título. Afirma a existência de erro material é quanto a distribuição dos ônus sucumbenciais, que agrediu os arts. 85 e 86 do CPC/2015, pois aqui a sua sucumbência do embargante é mínima, e, se bem aplicada a regra legal, não pode ser condenado ao ônus da sucumbência. Impugnação apresentada às fls. Assim delimitada a questão, passo a decidir. O recurso não merece ser acolhido. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "erro material é aquele evidente, decorrente de simples erro aritmético ou fruto de inexatidão material, e não erro relativo a critérios ou elementos de julgamento" (EDcl no AgRg no REsp 1.234.057/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 28/06/2011, DJe 01/07/2011), vício não constatado na hipótese em análise. A decisão embargada enfrentou coerentemente as questões postas a julgamento, no que foi pertinente e necessário, exibindo fundamentação clara e suficiente, razão pela qual não merece reparo algum, conforme se depreende de seus próprios fundamentos. Sobre a possibilidade de ajuizamento da ação monitória e a comprovação do crédito, constou na decisão agravada que o Tribunal de origem consignou que (i) era possível o ajuizamento da ação monitória fundada em cédula de crédito bancário; (ii) a cédula de crédito bancário nº 84081-8 cumpre todos os requisitos formais; (iii) há vicio formal na cédula de crédito bancário nº 12207, que lhe retira a validade como título de crédito e, por conseguinte, não subsiste o aval prestado pelos recorridos às obrigações representadas por aquele título; (iv) não há prova escrita que vincule os recorridos à dívida decorrente da operação de "cessão de cartão de crédito", (v) tal modalidade de operação não está prevista nas cédulas de crédito bancário nº 12207 e nº 84081-8, nem há outro documento que comprove que os recorridos se obrigaram pelos débitos decorrentes dessa operação; e, portanto, (vi ) a obrigação dos recorridos deve ser limitada à obrigação representada pela cédula de crédito bancário nº 84081-8. No que se refere aos ônus sucumbenciais, foi destacado que, segundo a jurisprudência desta Corte, a aferição do percentual em que cada litigante foi vencedor ou vencido ou a conclusão pela existência de sucumbência mínima ou recíproca das partes é questão que não comporta exame nesta esfera de recurso, por envolver aspectos fáticos e probatórios. Quanto ao mais, não se exige do julgador a análise de todos os argumentos das partes, a fim de expressar o seu convencimento. O pronunciamento acerca dos fatos controvertidos encontra-se objetivamente fixado nas razões da decisão embargada, motivo pelo qual rejeito a alegação de omissão no julgado. A propósito, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. .. 3. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.483.155/BA, Rel. Ministro OG FERNANDES, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/6/2016, DJe 3/8/2016) Assim, não demonstrada efetivamente a existência de nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015, conclui-se que a pretensão da parte embargante é unicamente o rejulgamento da causa, finalidade à qual não se presta a via eleita. Nesse sentido, veja-se o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. MERO INTUITO DE REJULGAMENTO DA LIDE. AUSÊNCIA DA OMISSÃO QUE ENSEJARIA A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO INTEGRATIVO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022), sendo inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas no acórdão embargado, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. Não há que se confundir decisão contrária aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentação. Precedentes. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.213.226/SC, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/10/2016, DJe 22/11/2016) Em face do exposto, rejeito os embargos de declaração. Intimem-se. EMENTA