AREsp 2482258 - ACORDAO
Não se verificaram os vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015; a decisão de inadmissibilidade do recurso especial pelo tribunal de origem foi suficientemente fundamentada (não genérica), de modo que os embargos de declaração são incabíveis para interromper o prazo recursal para interposição de agravo ao STJ; por...
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- Parties
- Embargante: LAERCIO DE SOUZA & CIA LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Acórdão Proferido, Embargos Rejeitados
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados, com aplicação de multa.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Intempestividade, Agravo Interno, Agravo Em Recurso Especial, Multa Por Embargos Protelatórios
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Parties
LAERCIO DE SOUZA & CIA LTDA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Acórdão Proferido, Embargos Rejeitados
Legal Issues
- 1 Se embargos de declaração opostos contra decisão que inadmite recurso especial interrompem o prazo para interposição de agravo no STJ
- 2 Existência de omissão, obscuridade ou contradição na decisão que inadmitiu o recurso especial
- 3 Aplicabilidade de multa por embargos de declaração manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 3º CPC/2015)
Ratio Decidendi
Não se verificaram os vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015; a decisão de inadmissibilidade do recurso especial pelo tribunal de origem foi suficientemente fundamentada (não genérica), de modo que os embargos de declaração são incabíveis para interromper o prazo recursal para interposição de agravo ao STJ; por esses fundamentos, os embargos foram rejeitados e aplicada multa.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados, com aplicação de multa.
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração.
- Aplicada multa nos termos do voto do Relator.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 25/06/2024 a 01/07/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, com aplicação de multa, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022). É inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos declaratórios opostos por LAERCIO DE SOUZA & CIA LTDA contra acórdão desta colenda Quarta Turma, assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. INTEMPESTIVIDADE DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO INCABÍVEL. INEXISTÊNCIA DE INTERRUPÇÃO DO PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O prazo para interposição do agravo em recurso especial é de 15 (quinze) dias úteis, nos termos dos arts. 219 e 1.003, § 5º, do CPC/2015. 2. É entendimento pacífico desta Corte Superior que a oposição de embargos de declaração contra decisão que, na instância ordinária, inadmite recurso especial não interrompe o prazo para a interposição de agravo para o Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (e-STJ, fl. 1.024) Em suas razões, sustenta a parte embargante, em síntese, a existência de obscuridade e omissão, "pois não analisou a circunstância ora alegada, que excepciona que a decisão agravada quando não permita a interposição do recurso, os embargos de declaração contra tal decisão interrompem o prazo recursal, devendo, pois, tal circunstancia ser analisada e acolhido os presentes embargos de declaração para sanar a omissão e obscuridade do acordão" (e-STJ, fl. 1.036). A parte embargada apresentou impugnação às fls. 1.042/1.045. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022). É inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. Embargos de declaração rejeitados. VOTO As razões apresentadas nos embargos de declaração não evidenciam a existência de nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015; ao revés, todas as questões foram analisadas e decididas, ainda que contrariamente à pretensão da parte embargante, o que, por si só, inviabiliza o acolhimento dos declaratórios. Com efeito, o agravo interno interposto pela parte ora embargante não foi provido, nos seguintes termos: "Primeiramente, a decisão da em. Ministra Presidente não conheceu do recurso especial, em razão da intempestividade do agravo em recurso especial. Isso, porque, contra a decisão que previamente inadmitiu o recurso especial, opôs a ora agravante embargos de declaração. Todavia, a oposição de embargos de declaração contra decisão de admissibilidade configura recurso manifestamente incabível, razão pela qual não interrompe o prazo recursal. Corroboram esse entendimento os julgados a seguir: "PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL NA ORIGEM. NÃO CABIMENTO, EM REGRA, DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO INTERRUPÇÃO DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO. RECURSO INTEMPESTIVO. 1. Os embargos de declaração, quando opostos contra decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida na instância ordinária, não interrompem o prazo para a interposição do agravo previsto no art.1.042 do CPC, único recurso cabível, salvo quando essa decisão for tão genérica que impossibilite ao recorrente aferir os motivos pelos quais teve seu recurso obstado, o que não ocorreu na hipótese dos autos, em que a decisão que inadmitiu a subida do recurso especial está devidamente fundamentada. Precedentes. 2. O prazo para interposição do agravo em recurso especial é de 15 (quinze) dias úteis, nos termos dos arts. 219 e 1.003, § 5º, do CPC/2015. No presente caso, o recurso foi interposto fora do referido prazo, sendo de rigor o reconhecimento de sua intempestividade. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1950180/MS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 13/12/2021, DJe 15/12/2021, g.n.) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.026, § 3º, DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO PRÉVIO. INTEMPESTIVIDADE DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM FACE DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. RECURSO INCABÍVEL. INEXISTÊNCIA DE INTERRUPÇÃO DO PRAZO RECURSAL.NÃO CONHECIMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Na dicção do art. 1.026, § 3º, do Código de Processo Civil de 2015, o prévio recolhimento da multa prevista no § 2º do referido artigo, majorada na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, é pressuposto objetivo de admissibilidade de qualquer recurso, de modo que não se conhece de recurso sem o pagamento da referida penalidade. Precedentes. 2. O prazo para interposição do agravo em recurso especial é de 15 (quinze) dias úteis, nos termos dos arts. 219 e 1.003, § 5º, do CPC/2015. 3. É entendimento desta Corte Superior que a oposição de embargos de declaração contra decisão que, na instância ordinária, não admite recurso especial não interrompe o prazo para a interposição de agravo para o Superior Tribunal de Justiça, exceto nos casos em que proferida de forma genérica, o que não ocorreu na hipótese dos autos, em que a decisão que inadmitiu a subida do recurso especial está devidamente fundamentada. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1799956/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 20/09/2021, DJe 15/10/2021, g.n.)" (e-STJ, fls. 1.027/1.028) Ressalte-se que, no presente caso, a decisão de fls. 899/906, e-STJ, proferida pelo Tribunal de origem, não admitiu o recurso especial, sob o seguinte fundamento: "Com efeito, resguardado de qualquer ofensa está o art. 1.022 do Novo Código de Processo Civil, haja vista que ofensa somente ocorre quando o acórdão contém erro material e/ou deixa de pronunciar-se sobre questão jurídica ou fato relevante para o julgamento da causa. A finalidade dos embargos de declaração é corrigir eventual incorreção material do acórdão ou complementá-lo, quando identificada omissão, ou, ainda, aclará-lo, dissipando obscuridade ou contradição. (..) Assim, não há falar, no caso, em negativa de prestação jurisdicional. A Câmara Julgadora apreciou as questões deduzidas, decidindo de forma clara e conforme sua convicção com base nos elementos de prova que entendeu pertinentes. No entanto, se a decisão não correspondeu à expectativa da parte, não deve por isso ser imputado vício ao julgado. De igual forma, não se verifica ausência de fundamentação a ensejar a nulidade do julgado e, consequentemente, nenhuma contrariedade ao artigo 489 do Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015), que assim dispõe: (..) Ao definir que o débito a ser cobrado será realizado através de simples cálculo aritmético, a Câmara Julgadora considerou as seguintes peculiaridades do caso, conforme segue: (..) No que tange ao índice de correção monetária, assim deliberou a Câmara Julgadora: (..) Ocorre, no entanto, que esses fundamentos não foram impugnados nas razões recursais, sobretudo os trechos destacados, e são suficientes, por si sós, para manter íntegro o entendimento do Colegiado. Assim, o seguimento da inconformidade resta obstado pela Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão recorrida é pressuposto indispensável ao conhecimento de qualquer recurso. (..) De outra parte, quanto à alegação de inexistência de coisa julgada, a Câmara Julgadora reconheceu a sua ocorrência, nos seguintes termos: (..) Com efeito, observa-se que o entendimento expendido pelo Colegiado contém carga construtiva fundada nas particularidades e nos elementos informativos do feito. Por isso, o acolhimento da pretensão recursal demandaria, inegavelmente, a alteração das premissas fático- probatórias estabelecidas pelo acórdão recorrido, com a necessidade de revolvimento das provas produzidas, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos do enunciado n. 7 da Súmula do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"). (..) Cabe destacar, ainda, a orientação já firmada pelo STJ no sentido de que "A análise do dissídio jurisprudencial fica prejudicada em razão da aplicação do enunciado da Súmula n. 7/STJ, porquanto não é possível encontrar similitude fática entre o aresto combatido e os arestos paradigmas, uma vez que as suas conclusões díspares ocorreram, não em virtude de entendimentos diversos sobre uma mesma questão legal, mas, sim, de fundamentações baseadas em fatos, provas e circunstâncias específicas de cada processo".(AgInt no AREsp 1308488/PR, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 10/10/2018). Inviável, nesses termos, a submissão do recurso à Corte Superior. III. Ante o exposto, NÃO ADMITO o recurso especial." (fls. 193-194, e-STJ). Da leitura da referida decisão, observam-se, de maneira clara, os motivos elencados para a inadmissibilidade do recurso especial, situação capaz de permitir à parte impugnar, sem nenhuma dúvida, os referidos fundamentos, não podendo ser considerada, portanto, de teor genérico , a autorizar excepcionalmente o manejo dos embargos de declaração. É evidente, pois, a ausência de omissão, obscuridade ou contradição, apta a amparar a oposição dos aclaratórios na hipótese vertente. Diante do exposto, rejeitam-se os embargos declaratórios. É como voto.