AREsp 2599667 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência dos vícios previstos no art. 1.022 do NCPC, pois a decisão embargada abordou expressamente a matéria (incluindo o entendimento da Segunda Seção sobre a natureza, em regra, taxativa do rol da ANS e as exceções aplicáveis) e determinou o retorno dos autos ao...
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- Parties
- Embargante: BENEDITO BALBINO MENDES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Rol Da ANS, Cobertura Assistencial, Obrigação De Fazer, Omissão Art. 1.022 NCPC
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Parties
BENEDITO BALBINO MENDES
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Cabimento de embargos de declaração por omissão, contradição ou obscuridade (art. 1.022 NCPC)
- 2 Natureza do rol de procedimentos da ANS: taxatividade versus exemplificatividade
- 3 Aplicação das exceções que obrigam a cobertura de procedimento não constante do rol da ANS
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência dos vícios previstos no art. 1.022 do NCPC, pois a decisão embargada abordou expressamente a matéria (incluindo o entendimento da Segunda Seção sobre a natureza, em regra, taxativa do rol da ANS e as exceções aplicáveis) e determinou o retorno dos autos ao Tribunal de Justiça de origem para que verifique se o caso concreto se enquadra nas exceções; logo, não há omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada pelos aclaratórios.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- REJEITO os embargos de declaração.
- Mantém-se o aresto embargado.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por BENEDITO BALBINO MENDES (BENEDITO), contra decisão monocrática de minha relatoria, assim ementada: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. TRATAMENTO QUE NÃO CONSTA NO ROL DA ANS. DEVER DE COBERTURA AFASTADO, EM REGRA. EXCEÇÕES. AVERIGUAÇÃO DAS PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. RETORNO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ORIGEM PARA APLICAÇÃO DO NOVEL ENTENDIMENTO DO STJ SOBRE A MATÉRIA. DECISÃO RECONSIDERADA. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO (e-STJ, fl. 402.). Nas razões do presente inconformismo, defendeu que o rol da Resolução Normativa nº 428/2017 da ANS deve ser tratado como referência básica para cobertura assistencial mínima, não podendo se sobrepor à Lei Federal nº 9656/98, motivo pelo qual não incumbe ao plano de saúde restringi-lo (e-STJ, fls. 409/410.). Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 416/418.). É o relatório. DECIDO. O recurso não merece acolhimento. O inconformismo agora manejado não merece acolhimento em virtude da ausência dos vícios previstos no art. 1.022 do NCPC. De acordo com a jurisprudência desta Corte, a contradição ou obscuridade remediáveis por embargos de declaração são aquelas internas ao julgado embargado, devidas à desarmonia entre a fundamentação e as conclusões da própria decisão. Já a omissão que enseja o oferecimento de embargos de declaração consiste na falta de manifestação expressa sobre algum fundamento de fato ou de direito ventilado nas razões recursais e sobre o qual deveria manifestar-se o juiz ou o tribunal e que, nos termos do NCPC, é capaz, por si só, de infirmar a conclusão adotada para o julgamento do recurso (arts. 1.022 e 489, § 1º, do NCPC). Nas razões deste aclaratório, BENEDITO defendeu que o rol da Resolução Normativa nº 428/2017 da ANS deve ser tratado como referência básica para cobertura assistencial mínima, não podendo se sobrepor à Lei Federal nº 9656/98, motivo pelo qual não incumbe ao plano de saúde restringi-lo (e-STJ, fls. 409/410.). Contudo, sem razão. Constou expressamente da decisão embargada que: Em julgamento finalizado no dia 8 de junho de 2022, a Segunda Seção desta Corte Superior entendeu ser taxativo, em regra, o rol de procedimentos e eventos estabelecido pela Agência Nacional de Saúde (ANS), não estando as operadoras de saúde obrigadas a cobrirem tratamentos não previstos na lista. Contudo, o colegiado fixou parâmetros para que, em situações excepcionais, os planos custeiem procedimentos não previstos na lista, a exemplo de terapias com recomendação médica, sem substituto terapêutico no rol, e que tenham comprovação de órgãos técnicos e aprovação de instituições que regulam o setor. Por maioria de votos, a Seção definiu as seguintes teses: 1. O rol de procedimentos e eventos em saúde suplementar é, em regra, taxativo; 2. A operadora de plano ou seguro de saúde não é obrigada a arcar com tratamento não constante do rol da ANS se existe, para a cura do paciente, outro procedimento eficaz, efetivo e seguro já incorporado ao rol; 3. É possível a contratação de cobertura ampliada ou a negociação de aditivo contratual para a cobertura de procedimento extra rol; 4. Não havendo substituto terapêutico ou esgotados os procedimentos do rol da ANS, pode haver, a título excepcional, a cobertura do tratamento indicado pelo médico ou odontólogo assistente, desde que (i) não tenha sido indeferido expressamente, pela ANS, a incorporação do procedimento ao rol da saúde suplementar; (ii) haja comprovação da eficácia do tratamento à luz da medicina baseada em evidências; (iii) haja recomendações de órgãos técnicos de renome nacionais (como Conitec e Natjus) e estrangeiros; e (iv) seja realizado, quando possível, o diálogo interinstitucional do magistrado com entes ou pessoas com expertise técnica na área da saúde, incluída a Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar, sem deslocamento da competência do julgamento do feito para a Justiça Federal, ante a ilegitimidade passiva ad causam da ANS. No caso dos autos, o TJSP albergou tese no sentido da natureza meramente exemplificativa do rol da ANS, em dissonância com o novel entendimento adotado pelo STJ. Considerando que o Tribunal de Justiça de origem não se pronunciou sobre as peculiaridades do caso concreto, é forçoso o retorno dos autos para que a Corte Estadual averigue se o caso em testilha se enquadra ou não nas exceções suso transcritas, que obrigam a operadora do plano de saúde ao custeio de tratamento independentemente de constar ou não no rol da ANS (e-STJ, fls. 403/404.). Assim, se BENEDITO não se conforma com a fundamentação do julgado, não há que ser por meio de embargos de declaração que logrará obter a sua reforma. Ademais, como ressaltado pelo em. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, no julgamento do EDcl no AgRg no AREsp nº 468.212/SC, .. não cabe a este Superior Tribunal, que não é órgão de consulta, responder a "questionários", tendo em vista que os aclaratórios não apontam de concreto nenhuma obscuridade, omissão ou contradição no acórdão, mas buscam, isto sim, esclarecimentos sobre situação que os embargantes consideram injusta em razão do julgado (sem destaque no original). Portanto, o que se verifica é mero inconformismo da parte. Dessa forma, mantém-se o aresto embargado por não haver motivos para se alterá-lo. Nessas condições, REJEITO os embargos de declaração. Por oportuno, previno as partes de que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do NCPC. Publique-se. Intime-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. TRATAMENTO QUE NÃO CONSTA NO ROL DA ANS. DEVER DE COBERTURA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÃO. NÃO VERIFICADA . ACLARATÓRIOS REJEITADOS.