REsp 2130006 - DECISAO
Houve provimento do Recurso Especial para reconhecer que os pontos indicados como omissos em grande parte configuram discussão de mérito ou foram devidamente apreciados, mas, em face do entendimento do STF na ADPF 528, foi determinado o retorno dos autos ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região para verificar, na...
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- Parties
- Recorrente: União; Recorrido: Município de Agrestina; Recorrido: Roberto Gilson Raimundo Filho
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial (art. 105, Iii, "a" E "c", Cf) / Julgamento De Recurso Especial Pelo Stj, Com Retorno Dos Autos Ao Tribunal Regional Para Cumprimento De Determinação
- Outcome
- Provimento do Recurso Especial
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Execução De Título Judicial, Fundef/fundeb, Honorários Advocatícios Contratuais, Juros De Mora, Precatório
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Parties
União
Recorrente
Município de Agrestina
Recorrido
Roberto Gilson Raimundo Filho
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial (art. 105, Iii, "a" E "c", Cf) / Julgamento De Recurso Especial Pelo Stj, Com Retorno Dos Autos Ao Tribunal Regional Para Cumprimento De Determinação
Legal Issues
- 1 omissão quanto à natureza jurídica do pagamento condenado à União
- 2 alegação de carência de evidente dano a ressarcir
- 3 alegação de existência de fato consumado como causa modificativa da obrigação
Ratio Decidendi
Houve provimento do Recurso Especial para reconhecer que os pontos indicados como omissos em grande parte configuram discussão de mérito ou foram devidamente apreciados, mas, em face do entendimento do STF na ADPF 528, foi determinado o retorno dos autos ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região para verificar, na hipótese fática dos autos, a possibilidade e o montante de retenção de honorários advocatícios contratuais exclusivamente sobre a parcela correspondente aos juros de mora do precatório.
Court Disposition
Provimento do Recurso Especial
Orders
- Dar provimento ao Recurso Especial nos termos da fundamentação
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região para verificar se, na hipótese fática dos autos, há possibilidade de retenção de honorários advocatícios contratuais sobre a parcela relativa aos juros de mora e em qual montante
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a" e "c", da Constituição da República) interposto contra acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RETORNO DO STJ. REAPRECIAÇÃO DE EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. VERBAS ADVINDAS DO FUNDEF. COMPROVAÇÃO DO DANO E DAS DESPESAS EFETIVADAS. DESNECESSIDADE. OMISSÃO SANADA SEM ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS MODIFICATIVOS. 1. Feito que retorna do STJ, dado provimento ao Recurso Especial da União, com determinação de haver "o retorno dos autos à Corte de origem, para novo julgamento dos seus Embargos de Declaração (omissão do acórdão embargado ao julgar os seguintes pontos dos aclaratórios apresentados: "natureza jurídica do pagamento a que foi condenada a União a efetuar; carência do evidente dano a ressarcir"; existência de fato consumado"). Prejudicado o julgamento do Recurso Especial do Município de Agrestina e de Roberto Gilson Raimundo Filho." 2. O art. 1.022 do NCPC prevê o cabimento dos embargos de declaração para esclarecer obscuridade ou eliminar contradição (inc. I); suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento (inc. II) e para corrigir erro material (inc. III). 3. Quando da apreciação dos aclaratórios da Fazenda Nacional e do Município de Agrestina pela Segunda Turma deste Regional, na sessão de 24/05/2022, por unanimidade, foi negado provimento aos recursos. 4. Apresentada, à época, a seguinte ementa: (..) 5. Em suas razões recursais, conforme destacado no STJ, a União aponta omissão quanto: a) natureza jurídica do pagamento a que foi condenada a União a efetuar; b) carência do evidente dano a ressarcir; c) existência de fato consumado. 6. Quando da apreciação de mérito, na sessão de 07/12/2021, a Segunda Turma deste Regional, por unanimidade, deu parcial provimento à apelação e à remessa oficial, para impossibilitar a retenção de honorários contratuais, mantidos os honorários sucumbenciais fixados na sentença, restando apresentada a seguinte ementa: (..) 7. No que se refere à natureza jurídica do pagamento a que foi condenada a União a efetuar, cabe ressaltar que tal questão tem natureza meritória, cuja discussão não tem cabimento no momento processual então analisado (embargos à execução), ante o trânsito em julgado da decisão de mérito (sentença condenatória), que enseja considerar-se deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido (artigo 508 do CPC). 8. Quanto à alegação de carência do evidente dano a ressarcir, consta do julgado apontado como eivado de omissão que: "A alegação de que o cálculo do valor a ressarcir ao ente municipal depende também da demonstração documental das despesas efetivadas por ele para cumprimento do disposto na norma legal, em especial §§3º e 5º", do art. 60, do ADCT, afronta o título executivo judicial, que não impôs condição alguma para o pagamento das diferenças entre o VMAA estabelecido pelos decretos presidenciais e aquele que seria devido com base no texto legal". (PJE 0800649-97.2014.4.05.8201, Rel. Des. Federal Leonardo Carvalho, julg. em 08/05/2018). Ademais, "o município não necessita comprovar nenhum dano a ser ressarcido para exigir os valores que lhe foram concedidos por sentença, pois nenhuma condição foi imposta e não poderia, nesta fase processual, ser exigida, pelo fato de que não foi discutido no processo de conhecimento, nem, muito menos, constou do título judicial." Ver: TRF5, 2ª T., 00015811520144058300, AC 594239, Rel. Des. Federal Convocado Frederico Dantas DJE 05/10/2018. 9. A respeito da alegação de existência de fato consumado consta do acórdão embargado que: "Não há que se falar em existência de causa modificativa da obrigação, consubstanciada na existência de fato consumado. Os valores reconhecidos como devidos na sentença dizem respeito à transferência de valores que, à época, deveria ter sido efetuada, não importando que a disciplina jurídica e os critérios ora adotados divirjam do regime jurídico outrora vigente, ou seja, a extinção do FUNDEF e a criação do FUNDEB não tem o condão de extinguir as obrigações não cumpridas ou tornar inexigíveis os valores reconhecidos em sentença transitada em julgado". (PJE 08001788420144058200, Rel. Des. Federal Frederico Wildson da Silva Dantas (Convocado), 1ª Turma, julg. em 30/07/2020). 10. Vê-se, pois, que as questões suscitadas, sem qualquer relevância para infirmar o entendimento adotado, são, na verdade, rediscussão do mérito, incabível em sede de embargos de declaração. 11. "Conforme se depreende dos argumentos aduzidos nas razões dos embargos de declaração, resta clara a intenção da parte embargante de modificar o julgado que entende ter sido proferido de forma equivocada. Os embargos de declaração tem sua abrangência limitada aos casos em que haja obscuridade, contradição, omissão ou erro material na decisão. Por maior que seja a elasticidade reconhecida aos embargos de declaração, não se justifica, sob pena de grave disfunção jurídico-processual dessa modalidade de recurso, a sua inadequada utilização com o propósito de questionar a correção do julgado e obter, em consequência a sua desconstituição. O exame do acórdão embargado permite concluir que a parte recorrente maneja a espécie impugnativa eleita, ainda, com o precípuo objetivo de invocar a aplicação das normas que reputa favoráveis à sua pretensão, bem assim o acolhimento da interpretação que entende ser a mais adequada aos dispositivos apontados como ensejo das omissões suscitadas. Ora, é cediço que o julgador pauta-se de acordo com o princípio do convencimento motivado acerca dos fatos e provas que compõem os autos, bem como da legislação, doutrina e jurisprudência que entender aplicáveis à questão trazida a exame (conforme consignado no art. 371 do CPC), de modo que não está obrigado a apreciá-la de acordo com os argumentos invocados pelas partes, tampouco a julgá-la como as partes o desejarem, ou de acordo com os dispositivos legais que as partes entenderem aplicáveis à matéria. (..) Assim, o que pretende, na verdade, a parte embargante, nesses pontos, é a utilização dos declaratórios para rediscussão da matéria de mérito, inviável nesta sede. Ora, se o desate da demanda foi desfavorável à recorrente e esta não se conforma, deve manejar o recurso próprio à sua reforma perante órgão competente, o que não pode ocorrer através de embargos de declaração, que não se prestam, repita-se, à reanálise da matéria já apreciada. Por fim, o simples propósito de prequestionamento não tem o condão de acarretar o provimento dos declaratórios, se o acórdão recorrido não padece de efetiva omissão, contradição ou obscuridade hábeis a ensejar-lhe a pertinente integração." Ver: TRF5, 2ª T., PJE 0810367-39.2021.4.05.0000, Rel. Des. Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, Data da assinatura: 15/04/2023. 12. Embargos de declaração parcialmente providos, apenas para sanar a omissão apontada, sem atribuição de efeitos modificativos. O Município de Agrestina sustenta que houve violação do art. 22, § 4º, da Lei 8.906/1994, dos arts. 240 e 491 do CPC e dos arts. 394, 395 e 407 do CC. Afirma: Como se observa, mesmo após a determinação de remessa dos autos pelo STJ, o Tribunal a quo, ao apreciar a , continua por entender que questão dos juros de mora não seria possível pagar honorários , pelo fato de (vinculado à educação). com esta verba sendo acessórios, seguir o principal (vinculado à educação). Sem contrarrazões. Mediante o parecer de fls. 1.059-1.075, o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do Recurso Especial. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.7.2024. Ao reanalisar o caso, o TRF da 5ª Região consignou (fls. 914-915, e-STJ): No que concerne ao destaque da verba honorária contratual, é reiterada compreensão desta Segunda Turma quanto à impossibilidade de retenção de honorários advocatícios contratuais em crédito relativo ao FUNDEF concedido por via judicial. Precedentes: PJE 0802382-24.2018.4.05.0000, Rel. Des. Paulo Cordeiro, j. 09/07/2019; PJE 0813783-20.2018.4.05.0000, Rel. Des. Federal Leonardo Carvalho, j. 25/06/2019; PJE 0802085-44.2016.4.05.8000, Rel. Des. Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, j. 19/06/2019. Por outro lado, o tema recebeu novos contornos do Plenário do Supremo Tribunal Federal, reiterando seu entendimento contra o pagamento de honorários contratuais com verbas do FUNDEF. Tal ocorreu nos autos da Suspensão de Tutela Provisória 66, de relatoria do Min. Dias Toffoli, julgada na Sessão Virtual de 10/04/2020 a 17/04/2020, consignando-se que "A destinação de parte do montante de verba vinculada à prestação de serviços educacionais ao pagamento de honorários advocatícios se afigura inconstitucional e deve ser obstada, cabendo aos interessados recorrer às vias ordinárias para a solução de eventuais controvérsias acerca do pagamento de honorários advocatícios, matéria que, especificamente, não se reveste de índole constitucional e, portanto, não justifica a intervenção do STF para dirimir questões a si relativas, sendo estranha ao objeto principal da demanda, qual seja, o recebimento de complementação de verbas do FUNDEF e sua utilização obrigatória na área da educação". (..) 8. Registre-se, por oportuno, que "Pretender que os honorários sejam pagos com os juros incidentes sobre o valor original das contribuições para o FUNDEF é nitidamente contornar a proibição definida pelo STF. Os juros, como é de geral sabença, são acessórios que seguem a natureza do principal. Desfalcar o valor pago pela União dos juros é genuína utilização de verbas próprias do fundo para fins estranhos, justo o que o julgamento do Supremo interditou" (TRF5, 2ª T, PJE 0806256-80.2019.4.05.0000, rel. Des. Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, assinado em: 14/04/2021)." No julgamento da ADPF 528, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do pagamento de honorários contratuais com recursos do FUNDEB, com a ressalva de que, dada a autonomia da parcela relativa aos juros de mora, o "pagamento de honorários advocatícios contratuais pelos Municípios valendo-se tão somente da verba correspondente aos juros moratórios incidentes no valor do precatório devido pela União é CONSTITUCIONAL". Transcrevo trecho do acórdão do referido julgamento : O Tribunal, por unanimidade, julgou improcedente a arguição de descumprimento de preceito fundamental, declarando constitucional o Acórdão 1.824/2017 do Tribunal de Contas da União, que 1) afastou a subvinculação estabelecida no art. 22 da Lei n. 11.494/2007 aos valores de complementação do FUNDEF/FUNDEB pagos pela União aos Estados e aos Municípios por força de condenação judicial, e 2) vedou o pagamento de honorários advocatícios contratuais com recursos alocados no FUNDEF/FUNDEB, ressalvado o pagamento de honorários advocatícios contratuais valendo-se da verba correspondente aos juros de mora incidentes sobre o valor do precatório devido pela União em ações propostas em favor dos Estados e dos Municípios, nos termos do voto do Relator. Os Ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Roberto Barroso, apesar de também julgarem improcedente a ação, fizeram ressalvas em seus votos para consignar que apenas naquelas situações relacionadas à atuação de advogados que ingressaram com ações de conhecimento individuais em favor de dado Município, seria legítimo o destaque do valor dos honorários advocatícios (art. 22, § 4º, da Lei 8.906/1994) da quantia a ser recebida pelo respectivo ente municipal a título de complementação aos fundos educacionais, bem como dos respectivos juros de mora. Desse modo, conforme decidido pelo STF na ADPF 528, é cabível o pagamento de honorários advocatícios contratuais pelos municípios valendo-se tão somente da verba correspondente aos juros moratórios incidentes no valor do precatório devido pela União. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. RETENÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. CRÉDITO RELATIVO A DIFERENÇAS DO FUNDO DE MANUTENÇÃO E DE DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E DE VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO - FUNDEF. IMPOSSIBILIDADE. JULGAMENTO DA ADPF 528 PELO STF. RESSALVA QUANTO AOS JUROS DE MORA. 1. Conforme consignado na decisão de fls. 551-556, e-STJ, o acórdão recorrido afastou-se do entendimento desta Corte de que os recursos públicos destinados ao Fundef não podem ser utilizados para o custeio de despesas não vinculadas à educação básica, como, no caso, honorários advocatícios. 2. O STF no julgamento da ADPF 528 reconheceu a inconstitucionalidade do pagamento de honorários contratuais com recursos do Fundeb, com a ressalva de que, dada a autonomia da parcela relativa aos juros de mora, o "pagamento de honorários advocatícios contratuais pelos Municípios valendo-se tão somente da verba correspondente aos juros moratórios incidentes no valor do precatório devido pela União é CONSTITUCIONAL". 3. Dessa forma, conforme consignado na decisão das fls. 600-602, e-STJ, é cabível o pagamento de honorários advocatícios contratuais pelos Municípios valendo-se tão somente da verba correspondente aos juros moratórios incidentes no valor do precatório devido pela União, nos termos do decidido pelo STF na ADPF 528. Dito isso, devem os autos retornar ao Tribunal Regional a fim de verificar se há, na hipótese fática dos autos, possibilidade de retenção das referidas verbas e em qual montante. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt nos EDcl no REsp 1.981.319/AL, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/9/2022.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. FUNDEB. DESTAQUE DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. JULGAMENTO PELO STF DA ADPF 528. RESSALVA DE DESTAQUE DOS HONORÁRIOS DA PARCELA REFERENTE AOS JUROS DE MORA DA CONDENAÇÃO. ACLARATÓRIOS ACOLHIDOS COM EFEITOS MODIFICATIVOS. 1. A questão alegada como omissa nestes Embargos, relativa à possibilidade de retenção dos honorários que incidam sobre os juros de mora do precatório e a natureza de tal verba, de fato não foi enfrentada por esta Segunda Turma, no julgamento do Agravo Interno. 2. Sobre a matéria, recentemente o STF julgou a ADPF n. 528 nos seguintes termos: "O Tribunal, por unanimidade, julgou improcedente a arguição de descumprimento de preceito fundamental, declarando constitucional o Acórdão 1.824/2017 do Tribunal de Contas da União, que 1) (..) e 2) vedou o pagamento de honorários advocatícios contratuais com recursos alocados no FUNDEF/FUNDEB, ressalvado o pagamento de honorários advocatícios contratuais valendo-se da verba correspondente aos juros de mora incidentes sobre o valor do precatório devido pela União em ações propostas em favor dos Estados e dos Municípios, nos termos do voto do Relator. Os Ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Roberto Barroso, apesar de também julgarem improcedente a ação, fizeram ressalvas em seus votos para consignar que apenas naquelas situações relacionadas à atuação de advogados que ingressaram com ações de conhecimento individuais em favor de dado Município, seria legítimo o destaque do valor dos honorários advocatícios (art. 22, § 4º, da Lei 8.906/1994) da quantia a ser recebida pelo respectivo ente municipal a título de complementação aos fundos educacionais, bem como dos respectivos juros de mora". 3. Extrai-se do voto do Relator, Ministro Alexandre de Moraes, o reconhecimento da inconstitucionalidade do pagamento de honorários contratuais com recursos do Fundeb, com a ressalva de que, dada a autonomia da parcela relativa aos juros de mora, o "pagamento de honorários advocatícios contratuais pelos Municípios valendo-se tão somente da verba correspondente aos juros moratórios incidentes no valor do precatório devido pela União é CONSTITUCIONAL". 4. O STJ, considerando o novo julgamento do STF da ADPF 528, decidiu: "O Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu de forma unânime a questão, em julgamento recentíssimo, proferido em caráter vinculante na ADPF n. 528, no qual ficou consignada a vedação do pagamento de honorários advocatícios contratuais com recursos alocados no FUNDEF/FUNDEB, ressalvado o pagamento de honorários advocatícios contratuais valendo-se da verba correspondente aos juros de mora incidentes sobre o valor do precatório devido pela União em ações propostas em favor dos Estados e dos Municípios." (EDcl no AgInt no REsp 1.866.186/DF, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 3.5.2022). 5. Embargos de Declaração acolhidos com efeitos modificativos para sanar a omissão constante do acórdão recorrido, dele fazendo constar a ressalva de que cabe pagamento de honorários advocatícios contratuais pelos Municípios, valendo-se tão somente da verba correspondente aos juros moratórios incidentes no valor do precatório devido pela União, nos termos do decidido pelo STF na ADPF n. 528. Dessa forma, devem os autos retornar ao Tribunal local a fim de verificar se há, na hipótese fática dos autos, possibilidade de retenção das referidas verbas e em qual montante. (EDcl no AgInt no REsp 1.960.938/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 24/6/2022.) Dito isso, devem os autos retornar à Corte regional Federal a fim de que seja verificado se há, na hipótese fática dos autos, possibilidade de retenção das referidas verbas e em qual montante. Por fim, esclareço que tal questão está implícita na discussão trazida nos autos e não pode ser desconsiderada na apreciação do Recurso. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial termos da fundamentação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA