AREsp 2331110 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por inexistirem omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado; a discussão sobre o percentual de retenção (10% vs. 20%) demandaria reexame do contexto fático-probatório, procedimento vedado pela Súmula nº 7/STJ; assim, restou caracterizado intuito...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: PORTO NOBRE EMPREENDIMENTOS ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado Embargos Rejeitados (sessão Virtual 06/08/2024 a 12/08/2024)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Súmula Nº 7/stj, Retenção De Parcelas, Rescisão Contratual, Percentual De Retenção
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Parties
PORTO NOBRE EMPREENDIMENTOS ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA.
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado Embargos Rejeitados (sessão Virtual 06/08/2024 a 12/08/2024)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado
- 2 Aplicabilidade da Súmula nº 7/STJ à discussão sobre o percentual de retenção em rescisão contratual
- 3 Se a readequação do percentual de retenção exige ou não reexame do conjunto fático-probatório
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por inexistirem omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado; a discussão sobre o percentual de retenção (10% vs. 20%) demandaria reexame do contexto fático-probatório, procedimento vedado pela Súmula nº 7/STJ; assim, restou caracterizado intuito infringente na oposição dos aclaratórios, sendo a via inadequada para reformar o julgado; advertiu-se ainda sobre a possibilidade de multa por reiteração protelatória nos termos do art. 1.026, §§ 2º e 3º, CPC.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade.
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração.
- Advertir que reiteração com intuito protelatório implicará imposição de multa, nos termos do art. 1.026, §§ 2º e 3º, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 06/08/2024 a 12/08/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. INTUITO INFRINGENTE. 1. Ausentes quaisquer dos vícios ensejadores dos aclaratórios, afigura-se patente o intuito infringente da presente irresignação, que objetiva não suprimir a omissão, afastar a obscuridade, eliminar a contradição ou corrigir erro material, mas, sim, reformar o julgado por via inadequada. 2. A contradição que autoriza o acolhimento dos embargos de declaração somente se revela quando, no contexto do julgado, há proposições inconciliáveis entre si, dificultando-lhe a compreensão. 3. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por PORTO NOBRE EMPREENDIMENTOS ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. ao acórdão assim ementado: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. RESCISÃO. DESISTÊNCIA DO COMPRADOR. PERCENTUAL DE RETENÇÃO. REVISÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. A jurisprudência desta Corte tem considerado razoável, em rescisão de contrato de compra e venda de imóvel por culpa do comprador, que o percentual de retenção, pelo vendedor, de parte das prestações pagas seja arbitrado entre 10% e 25%, conforme as circunstâncias de cada caso. Precedentes. 2. Na hipótese, a discussão acerca do percentual de retenção aplicado demanda o reexame do contexto fático-probatório, procedimento vedado pela Súmula nº 7/STJ. 3. Agravo interno não provido" (e-STJ fl. 447). A embargante sustenta, em síntese, que o julgado incorreu em contradição, pois a pretensão de readequar o percentual de retenção devido pela rescisão contratual não exige o reexame de provas, devendo ser afastada a aplicação da Súmula nº 7/STJ. A parte contrária não apresentou impugnação (e-STJ fl. 471). É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. INTUITO INFRINGENTE. 1. Ausentes quaisquer dos vícios ensejadores dos aclaratórios, afigura-se patente o intuito infringente da presente irresignação, que objetiva não suprimir a omissão, afastar a obscuridade, eliminar a contradição ou corrigir erro material, mas, sim, reformar o julgado por via inadequada. 2. A contradição que autoriza o acolhimento dos embargos de declaração somente se revela quando, no contexto do julgado, há proposições inconciliáveis entre si, dificultando-lhe a compreensão. 3. Embargos de declaração rejeitados. VOTO A irresignação não merece prosperar. A decisão embargada não padece de nenhum dos vícios ensejadores dos embargos declaratórios, enumerados no art. 1.022 do Código de Processo Civil: obscuridade, contradição, omissão ou erro material. No caso dos autos, o tema controvertido foi apreciado quando do julgamento do agravo interno . Foi consignado expressamente que o acórdão estadual, ao determinar a retenção dos valores pagos pelo promitente comprador, na ordem de 10% (dez por cento) das parcelas pagas, realizou -se a partir da análise das peculiaridades do caso concreto. Confira-se: "(..) No caso em apreço, o tribunal de origem, soberano na análise do material cognitivo dos presentes autos, concluiu que o percentual de retenção de 10% (dez por cento) sobre os valores pagos seria suficiente para indenizar a recorrente pelos prejuízos decorrentes da resolução contratual, consoante o seguinte excerto do acórdão recorrido: "(..) Nesta linha de raciocínio, com supedâneo no Código de Defesa do Consumidor, a multa penal deve ser equitativa e deve permitir vantagem razoável ao fornecedor, com intuito de evitar, assim, a abusividade e a ofensa ao equilíbrio contratual. Lado outro, o simples fato de o comprador ter dado causa à rescisão do contrato (por culpa ou a requerimento) não é motivo para imputar-lhe onerosidade excessiva, mormente quando a circunstância motivadora é a escassez de recursos financeiros. Desse modo, levando-se em consideração as especificidades do caso em testilha e tendo em vista que o vendedor (apelante) ficará com a propriedade do imóvel, podendo renegociá-lo, constata-se que a cláusula do contrato que estipulava percentual retenção no importe de 20% (vinte por cento) em benefício do apelante reveste-se de onerosidade excessiva. Dessarte, agiu com acerto a magistrada de primeiro grau de jurisdição ao reduzir o respectivo montante para o percentual de 10% (dez por cento) do valor já adimplido, mostrando-se tal importância plenamente razoável e proporcional. Com efeito, a retenção do percentual de 10% (dez por cento) do montante pago pela apelada permite a indenização devida pelas despesas gerais do rompimento unilateral do contrato sem ocasionar ao apelante o enriquecimento sem causa" (fl. 272 e-STJ). Portanto, a discussão acerca do percentual de retenção efetivamente demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, procedimento vedado pela Súmula nº 7/STJ" (e-STJ fl. 450). Como consabido, a contradição que autoriza o acolhimento dos embargos de declaração somente se revela quando, no contexto do acórdão embargado, há proposições inconciliáveis entre si, dificultando-lhe a compreensão, o que não ocorre na hipótese. A propósito: "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. DESISTÊNCIA DA PROMITENTE COMPRADORA. DEVOLUÇÃO DOS VALORES PAGOS. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA IDÔNEA PARA REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE RETENÇÃO. REFORMA DO ACÓRDÃO ESTADUAL QUE SE IMPÕE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A contradição que autoriza o manejo dos embargos de declaração é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada na própria decisão, não sendo capaz de ensejar a oposição dos aclaratórios eventual contradição entre a conclusão adotada e as provas constantes nos autos. (..) 4. Agravo interno desprovido" (AgInt nos EDcl no AREsp 2.361.506/ES, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, DJe 3/11/2023). "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO INTERNA. PRETENSÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. INVIABILIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. A contradição que autoriza o manejo dos aclaratórios é aquela que ocorre entre os fundamentos adotados ou entre esses e o dispositivo final, ou seja, a contradição interna manifestada pelo descompasso entre as premissas adotadas pelo acórdão recorrido e sua conclusão. 2. No caso, não ficou demonstrada a ocorrência de contradição no julgado embargado, o que impede o acolhimento dos embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados" (EDcl nos EDcl no AgInt nos EDcl no AREsp 1.041.164/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, DJe 10/5/2023). Nesse contexto, ausentes quaisquer dos vícios ensejadores dos aclaratórios, afigura-se patente o intuito infringente da presente irresignação, que objetiva não suprimir a omissão, afastar a obscuridade, eliminar a contradição ou sanar erro material, mas, sim, reformar o julgado por via inadequada. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração, ressaltando que a reiteração com intuito protelatório implicará a imposição de multa, nos termos do art. 1.026, §§ 2º e 3º, do Código de Processo Civil. É o voto.