REsp 2130476 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos porque a decisão embargada apresentou fundamentação clara e suficiente, não havendo omissão nos termos do art. 1.022 do CPC; o julgador não é obrigado a responder a todos os argumentos quando já há motivo suficiente para a decisão (art. 489 CPC); a matéria relativa ao reajuste por...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão
- Outcome
- embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão (art. 1.022, II, Cpc), Reajuste Por Sinistralidade, Planos De Saúde Coletivos, Jurisprudência Do STJ
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Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão
Legal Issues
- 1 omissão por não apreciação de contrarrazões (art. 1.022, II, CPC)
- 2 alegação de litigância de má-fé
- 3 reajuste por sinistralidade em planos de saúde coletivos
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque a decisão embargada apresentou fundamentação clara e suficiente, não havendo omissão nos termos do art. 1.022 do CPC; o julgador não é obrigado a responder a todos os argumentos quando já há motivo suficiente para a decisão (art. 489 CPC); a matéria relativa ao reajuste por sinistralidade em planos coletivos foi analisada à luz da jurisprudência do STJ e da posição da ANS, e eventual apuração do índice adequado deverá ocorrer em fase de liquidação de sentença.
Court Disposition
embargos de declaração rejeitados
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos contra decisão de minha relatoria na qual dei provimento ao recurso especial do ora embargado. Sustenta a parte embargante que a decisão impugnada deixou de apreciar suas contrarrazões, pois nem sequer foi mencionada a existência delas na decisão impugnada, o que acarreta a violação do previsto no art. 1.022, II, do Código de Processo Civil. Alega tratar-se de litigância de má-fé por parte da embargada. Impugnação apresentada às fls.1148 - 1156. Assim delimitada a questão, passo a decidir. A decisão embargada enfrentou coerentemente as questões postas a julgamento, no que foi pertinente e necessário, exibindo fundamentação clara e suficiente, razão pela qual não merece reparo algum, conforme se depreende de seus próprios fundamentos, a seguir transcritos (fls. 1.133 - 1.134): O Tribunal revisor entendeu que o reajuste por sinistralidade não é ilegal - todavia, no caso sob exame, a seguradora falhou em comprovar o aumento da sinistralidade a justificar o reajuste aplicado ao plano de saúde. Não obstante, o entendimento sufragado pelo STJ é de que é "possível reajustar os contratos de saúde coletivos, sempre que a mensalidade do seguro ficar cara ou se tornar inviável para os padrões da empresa contratante, seja por variação de custos ou por aumento de sinistralidade" (AgRg nos EDcl no AREsp 235.553/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 2/6/2015, DJe 10/6/2015). Ademais, a própria Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, em seu sítio eletrônico, consigna expressamente que a ANS não define percentual máximo de reajuste para os planos coletivos por entender que as pessoas jurídicas possuem maior poder de negociação junto às operadoras, o que, naturalmente, tende a resultar na obtenção de percentuais vantajosos para a parte contratante. O reajuste dos planos coletivos é calculado com base na livre negociação entre as operadoras e as empresas, fundações, associações etc. Nesse contexto, como salientado, inviável a manutenção do acórdão estadual, visto que contrário à jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, que entende pela impossibilidade de aplicação do reajuste anual dos planos individuais aos coletivos. Reitero, portanto, que, no plano coletivo, o reajuste anual é apenas acompanhado pela ANS, para fins de monitoramento da evolução dos preços e de prevenção de abusos, não havendo que se falar, portanto, em aplicação dos índices previstos aos planos individuais (AgInt no AREsp 1.155.520/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 7/2/2019, DJe 15/2/2019). Diante da não distinção realizada pela Corte de origem dos reajustes aplicados e sendo certo que não há como se abstrair o aumento do risco causado pelo aumento dos custos médico-hospitalares e pela maior utilização do plano de saúde, mas não se podendo admitir, de outra parte, a incidência de reajuste em percentual inferior ao aumento do risco causado pelo aumento da sinistralidade, o índice adequado deve ser apurado na fase de liquidação de sentença. Ademais, não se exige do julgador a análise de todos os argumentos das partes, a fim de expressar o seu convencimento. O pronunciamento acerca dos fatos controvertidos encontra-se objetivamente fixado nas razões da decisão embargada, motivo pelo qual rejeito a alegação de omissão no julgado. A propósito, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. .. 3. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.483.155/BA, Rel. Ministro OG FERNANDES, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/6/2016, DJe 3/8/2016) Ressalta-se que a ausência de menção às contrarrazões nas decisões impugnadas não implica sua inexistência, muito menos a falta de apreciação delas pelo julgador. Assim, não demonstrada efetivamente a existência de nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015, conclui-se que a pretensão da parte embargante é unicamente o rejulgamento da causa, finalidade à qual não se presta a via eleita. Nesse sentido, veja-se o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. MERO INTUITO DE REJULGAMENTO DA LIDE. AUSÊNCIA DA OMISSÃO QUE ENSEJARIA A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO INTEGRATIVO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022), sendo inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas no acórdão embargado, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. Não há que se confundir decisão contrária aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentação. Precedentes. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.213.226/SC, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/10/2016, DJe 22/11/2016) Em face do exposto, rejeito os embargos de declaração. Intimem-se. EMENTA