AREsp 1599848 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não havia omissão no decisum embargado: o agravo em recurso especial não foi conhecido por ausência de impugnação específica dos fundamentos que indeferiram o recurso, nos termos da Súmula 182/STJ e do art. 932 do CPC, não sendo cabível, via embargos de declaração, o...
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- Parties
- Embargante: ROBINSON ARES; Embargante: RAUL ARES; Embargante: RONALD ARES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida (embargos Rejeitados)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj, Reexame De Provas, Preclusão
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Parties
ROBINSON ARES
Embargante
RAUL ARES
Embargante
RONALD ARES
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida (embargos Rejeitados)
Legal Issues
- 1 ocorrência de omissão quanto à decadência (art. 975 CPC) suscitada pelos embargantes
- 2 incidência da Súmula 182/STJ quanto à necessidade de impugnação específica dos fundamentos que indeferiram o recurso especial
- 3 impossibilidade de reexame do mérito quando o juízo de admissibilidade não foi ultrapassado
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não havia omissão no decisum embargado: o agravo em recurso especial não foi conhecido por ausência de impugnação específica dos fundamentos que indeferiram o recurso, nos termos da Súmula 182/STJ e do art. 932 do CPC, não sendo cabível, via embargos de declaração, o reexame do mérito nem a modificação do julgado para suprir alegada omissão sobre decadência.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados.
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por ROBINSON ARES, RAUL ARES e RONALD ARES contra decisão da lavra da Ministra Assusete Magalhães, que não conheceu do agravo em recurso especial, assim ementada (fls. 858-861). Neste recurso, a parte embargante alega a ocorrência de omissão, pois: A r. decisão embargada foi totalmente omissa na apreciação da questão relativa à decadência (violação ao artigo 975, do Código de Processo Civil), no sentido de saber se o termo inicial do prazo decadencial é a data do último dia para a interposição de recurso ou a data em que foi certificado o trânsito em julgado da decisão, que independe de reexame de provas. Trata-se de questão prejudicial de todas as demais. Requer, assim, o acolhimento dos declaratórios, com efeitos modificativos, "para aclarar a questão previamente suscitada, relativa à ocorrência de decadência, para ao final dar provimento ao Recurso Especial" (fls. 865-871). Intimado, o embargado apresentou manifestação (fls. 880-883). É o relatório. Decido. De início, ressalto que: "consoante dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se os embargos de declaração a expungir do julgado eventual omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não se caracterizando via própria ao rejulgamento da causa" (EDcl no AgInt no REsp n. 2.043.987/TO, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023). No caso, a decisão embargada, ao não conhecer do agravo em recurso especial, foi expressa ao ressaltar a incidência da Súmula n. 182 do STJ, nos seguintes termos (fls. 858-861): O Recurso Especial restou inadmitido, na origem, pela incidência da Súmula 7/STJ. Os agravantes, todavia, deixaram de infirmar o fundamento da decisão agravada, circunstância que impede o conhecimento do presente recurso. Registre-se que quando o Recurso Especial não é admitido com base na Súmula 7/STJ, incumbe à parte agravante demonstrar, no Agravo em Recurso Especial, sob pena de preclusão, que referida Súmula não se aplica ao caso, demonstrando - mediante confronto entre o acórdão recorrido e o Recurso Especial inadmitido - de que forma a violação aos dispositivos federais não depende de reanálise do conjunto fático-probatório dos autos, sendo insuficiente a mera repetição das razões recursais, bem como alegação no sentido da inaplicabilidade da Súmula 7/STJ ou de que o exame da controvérsia dispensa reexame probatório - como ocorre no presente caso -, por revelar-se como combate genérico e não específico. .. Em suma, "não basta a assertiva genérica de que não se pretende o reexame de provas, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do referido óbice processual" (STJ, AgInt no AREsp 1.463.467/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 29/06/2020), pois, de acordo com o art. 932, III, do CPC/2015, é dever da parte agravante atacar, especificamente, todos os fundamentos da decisão do Tribunal de origem que nega trânsito ao Recurso Especial, sob pena de não conhecimento de sua irresignação. Tal entendimento, inclusive, está consolidado na Súmula 182/STJ - aplicável aqui por extensão -, segundo a qual o recorrente deve infirmar, especificamente, os fundamentos da decisão impugnada, mostrando-se inadmissível o Agravo que não se insurja contra todos eles. Como se vê, o agravo da parte embargante não foi conhecido em virtude da ausência de impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte a quo para não admitir o recurso especial. E, não ultrapassado o juízo de admissibilidade do recurso, inexiste omissão pela falta de análise de questões atinentes ao mérito do apelo nobre. A propósito: AGRAVO INTERNO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO APRECIOU O MÉRITO OU A CONTROVÉRSIA. DECISÕES MONOCRÁTICAS COMO PARADIGMAS. NÃO POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. NÃO OBSERVÂNCIA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O acórdão embargado não analisou o mérito do recurso especial. Não há, pois, nessa oportunidade, como se alterarem e reavaliarem os critérios do conhecimento do recurso, para passar a analisar o mérito recursal. 2. Decisões monocráticas não podem ser consideradas como paradigmas para fins de embargos de divergência. 3. Em obediência ao princípio da dialeticidade, deve a parte agravante demonstrar o desacerto da decisão agravada, não se afigurando suficiente mera impugnação genérica. Precedentes. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl nos EAREsp n. 1.601.042/GO, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 9/4/2024, DJe de 23/4/2024.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE. MÉRITO RECURSAL NÃO ANALISADO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182 DO STJ. 1. Os embargos de declaração somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente na decisão, o que não aconteceu no caso dos autos. 2. Hipótese em que o agravo em recurso espacial sequer foi conhecido por ausência de impugnação específica nos termos da Súmula n. 182 do STJ. 3. Não há falar em omissão no julgado quanto ao mérito, se os recursos apresentados não ultrapassaram o juízo prévio de conhecimento. Precedentes. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.692.397/RS, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022.) Ademais, "não atendidos os requisitos de admissibilidade do agravo em recurso especial, não há falar em omissão quanto ao exame das teses de mérito, ainda que versem acerca de matéria de ordem pública" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.439.651/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024.) Nesse mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182 DO STJ. ART. 932, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. RECURSO INTERNO. CORREÇÃO DAS DEFICIÊNCIAS DA FUNDAMENTAÇÃO DO APELO NOBRE. INVIABILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. MÉRITO DA PRETENSÃO RECURSAL. ANÁLISE. DESCABIMENTO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURO NÃO ULTRAPASSADO. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. Inexistente insurgência concreta contra a fundamentação da decisão que não conheceu do recurso especial, incide a Súmula n. 182 do STJ. 2. Consoante pacífica jurisprudência desta Corte, a abertura de prazo de que trata o art. 932, parágrafo único, do Código de Processo Civil, aplica-se apenas às hipóteses de vícios sanáveis. Não se presta como oportunidade para que o Recorrente altere a própria fundamentação do recurso já interposto, pois a correta exposição da controvérsia é ônus que incumbe à Parte e, além disso, incide a preclusão consumativa, não sendo possível a complementação das razões recusais. 3. Dada a preclusão consumativa, é inexequível corrigir, no agravo interno, a fundamentação deficiente do recurso especial. 4. O juízo de admissibilidade precede o exame do mérito da pretensão recursal. Assim, não tendo sido conhecido o apelo nobre, é incabível a análise do mérito do recurso, sem que se possa falar em omissão ou negativa de prestação jurisdicional. 5. Agravo interno não conhecido. (AgInt no REsp n. 2.072.210/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024.) Diante desse contexto, observa-se que não há qualquer omissão no decisum embargado, revelando-se, assim, o nítido propósito de reexame da matéria, incabível na via dos embargos de declaração. Ante o exposto, REJEITO os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. VÍCIO INEXISTENTE. INADMISSÃO DO APELO NOBRE. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182 DO STJ. MÉRITO RECURSAL NÃO ANALISADO. EMBARGOS REJEITADOS.