AREsp 2496112 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por não constatada omissão exigível nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; as alegações do embargante foram analisadas na decisão embargada e os esclarecimentos pretendidos configuram tentativa de rediscussão do mérito, o que é inadmissível em embargos de declaração; por...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração Opostos Contra Decisão Monocrática
- Outcome
- rejeitados os embargos de declaração
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Contradição, Obscuridade, Pregreatamento, Súmula 7/stj, Multa Por Litigância Protelatória, Recurso Especial Admissibilidade
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Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração Opostos Contra Decisão Monocrática
Legal Issues
- 1 cabimento de embargos de declaração por omissão
- 2 obrigação do julgador de enfrentar todas as questões suscitadas
- 3 uso de embargos de declaração para rediscussão de matéria de mérito
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por não constatada omissão exigível nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; as alegações do embargante foram analisadas na decisão embargada e os esclarecimentos pretendidos configuram tentativa de rediscussão do mérito, o que é inadmissível em embargos de declaração; por serem manifestamente protelatórios, foi aplicada multa de 2% sobre o valor atualizado da causa nos termos do art. 1.026, §2º do CPC/2015.
Court Disposition
rejeitados os embargos de declaração
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração.
- Condena-se a parte embargante ao pagamento de multa de dois por cento sobre o valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2º, CPC/2015).
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração contra decisão monocrática. Proferida decisão no recurso, a parte embargante opõe embargos de declaração apontando vícios na decisão embargada, conforme se percebe dos seguintes trechos da petição: A decisão embargada (e-STJ, fls. 222-225)padece do vício de omissão, apto a ensejar a oposição dos presentes aclaratórios, no ponto em que consignou que "se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria." Acontece que, conforme detalhado nos primeiros embargos de declaração opostos (e-STJ, fls. 207-212), o recurso apenas foi qualificado como inapto diante das omissões contidas na decisão então recorrida (e-STJ, fls. 201-203), especialmente quanto à caracterização da divergência, demonstração da similitude fática entre os arestos, não incidência da Súmula 7 deste STJ e demonstração do prequestionamento. Lembre-se que os fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial foram os de que (e-STF, fls. 201-203): (i) está-se diante de hipótese a atrair a incidência da Súmula 7 deste STJ; (ii) "relativamente às demais alegações de violação", não houve prequestionamento da matéria debatida; (iii) não se efetuou o cotejo analítico entre os arestos e, nessa medida, não se demonstrou a similitude fática dos julgados; (iv)a incidência da Súmula 7/STJ, quanto à interposição pela alínea "a", impede o conhecimento da divergência jurisprudencial. Acontece que mesmo após a oposição de embargos de declaração (e-STF, fls. 207-212) este STJ não se manifestou quanto aos fundamentos apresentados que demonstram que o recurso especial deve ser conhecido! Em resumo, os vícios da decisão embargada podem ser assim sistematizados, no que permaneceu omissa quanto: I. ao fundamento utilizado pelo tribunal de origem para inadmissão do recurso especial; II. ao fato de que o caso em tela não demanda a incidência da Súmula 7 do STJ (item 2 do recurso especial); III. ao fato de que não foi alegada violação a dispositivo de lei federal(recurso com fundamento apenas na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal); IV. ao fato de que toda matéria necessária ao deslinde do feito se encontra no acórdão recorrido, com expressa menção do art. 174 do CTN no acórdão do TRF4; V. aos itens 4 e 4.1 do recurso especial, em que se demonstrou a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os arestos. Ainda, a decisão permanece omissa quanto (v) ao fato de que o embargante não arguiu a violação a qualquer dispositivo de lei federal em seu recurso especial, mas apenas divergência jurisprudencial sobre o prazo do art. 174 do CTN, expressamente previsto no acórdão do TRF4. Nesse sentido, a decisão embargada (e-STJ, fl. 224) ao consignar que "o apontamento de vício pela parte embargante foi tratado com clareza e sem contradições", permanece omissa, na medida em que a decisão então recorrida (e-STJ, fls. 201-203) não havia sequer se manifestado sobre os itens expostos acima. Sublinha-se que o objeto da divergência foi expressamente indicado no recurso especial (e-STJ, fl. 147), do mesmo modo em que se efetuou o cotejo analítico entre os julgados (e-STJ, fl. 148). Inclusive, também de modo expresso demonstrou-se a similitude fática entre os arestos (e-STJ, fl. 151), sobre o que a decisão embargada permaneceu silente. Por fim, no que tange ao prequestionamento da matéria debatida, há omissão sobre o fato de que todos os fundamentos já se encontram no acórdão recorrido, tal qual que a interpretação conferida art. 174 do CTN é o objeto da demanda desde a interposição do agravo de instrumento na origem, o que foi consignado no acórdão do TRF4. É o relatório. Decido. Os embargos não merecem acolhimento. As alegações da parte embargante foram analisadas na decisão embargada. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais devia pronunciar-se o juiz de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). As alegações da parte, como se vê, configuram a intenção de rediscutir a matéria, o que é inviável em embargos de declaração. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp 166.402/PE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl 8.826/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) Cumpre ressaltar que os embargos de declaração não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Considerando que os embargos são manifestamente protelatórios, condeno a parte embargante a pagar ao embargado multa de dois por cento sobre o valor atualizado da causa. (art. 1.026, § 2º, do CPC/2015). Ante o exposto, rejeito os embargo s de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA