AREsp 2644794 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque as questões suscitadas foram analisadas na decisão embargada, não existindo omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada. Além disso, a pretensão da embargante configurou tentativa de rediscussão do mérito e de afastamento de decisões que se assentaram em...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: Embargante; Embargado: Embargado
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Monocrática
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Litispendência, Reexame Fático Probatório, Súmula 7, Prequestionamento, Litigância De Má Fé
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Embargante
Embargante
Embargado
Embargado
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Monocrática
Legal Issues
- 1 admissibilidade dos embargos de declaração
- 2 existência de omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada
- 3 caráter protelatório dos embargos
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque as questões suscitadas foram analisadas na decisão embargada, não existindo omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada. Além disso, a pretensão da embargante configurou tentativa de rediscussão do mérito e de afastamento de decisões que se assentaram em jurisprudência e súmulas desta Corte, matéria esta impedida em embargos de declaração e, em parte, vedada ao recurso especial por exigir reexame fático-probatório (Súmula 7). A inapetência do recurso especial ao conhecimento impede que se reconheça omissão sobre o mérito.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração contra decisão monocrática. Proferida decisão no recurso, a parte embargante opõe embargos de declaração apontando vícios na decisão embargada, conforme se percebe dos seguintes trechos da petição: Com as devidas vênias, há contradição na decisão proferida, sendo, portanto, imprescindível a oposição dos presentes embargos declaratórios. Vossa Excelência não conheceu do recurso especial por entender quea Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria, assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado nº 7 da Súmula do STJ. E neste ponto reside a contradição, vez que não se faz necessária nova análise de provas para verificar que não há litispendência entre as ações propostas pela Embargante e que a condenação por litigância de má-fé merece ser afastada. Explica-se. Da simples apreciação das razões recursais é possível verificar que inexiste litispendência, posto que, os mandados de segurança impetrados versam sobre atos coatores distintos, pautados em Termos de Apreensão e Depósito diferentes. Veja-se, a fim de afastar a caracterização do fenômeno da litispendência, tanto nas razões recursais do Recurso Especial quanto no Agravo, a Embargante demonstrou que apesar de terem sido impetrados diversos mandados de segurança perante as Varas Especializadas da Comarca de Cuiabá/MT, os referidos mandamus possuem causa de pedir distintas, isto pois, por meio de cada writ se busca a suspensão da cobrança referente a Termos de Apreensão e Depósito (TA Ds) distintos. Em que pese o pedido seja idêntico, qual seja, a suspensão da cobrança efetuada por meio dos Comunicados nº 198109/1823/62/2022 e nº 270178/1823/68/2022,é possível verificar que os Termos de Apreensão e Depósito elencados nos mandados de segurança dizem respeito a período e valores diversos. Nesta senda, restou devidamente demonstrado que ao contrário do consignado no acórdão, não há que se falar em caracterização do fenômeno da litispendência, diante da ausência de um dos requisitos essenciais à configuração desse instituto, qual seja, a causa de pedir. O embargado, em contrarrazões, opina pelo não provimento dos embargos de declaração, uma vez que "a Embargante sequer discorreu sobre a configuração do vício de omissão e se limitou em abordar razões de mérito, as quais não possuem o condão de ultrapassar os óbices sumulares aplicados". É o relatório. Decido. Os embargos não merecem acolhimento. As alegações da parte embargante foram analisadas na decisão embargada. Ademais, se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais devia pronunciar-se o juiz de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). O apontamento de vício pela parte embargante foi tratado com clareza e sem contradições, conforme se percebe dos seguintes trechos da decisão: A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: verificado o fenômeno da litispendência e a consequente conduta reprovável da parte que, para obter vantagem, não procedeu com a lealdade e a boa-fé esperada, deve ser mantida a sanção aplicada pelo magistrado de primeira instância. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (art. 337, §§ 1º ,2º e 3º, do CPC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". As alegações da parte, como se vê, configuram a intenção de rediscutir a matéria, o que é inviável em embargos de declaraç ão. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp 166.402/PE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl 8.826/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. Cumpre ressaltar que os embargos de declaração não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA