AREsp 2606511 - DECISAO
Os embargos foram rejeitados porque a decisão embargada já tratou das questões suscitadas; quando o recurso é inapto, a falta de exame do mérito impede a existência de omissão; embargos de declaração não servem para rediscutir o mérito ou obter efeitos modificativos; além disso, não houve demonstração do...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Contra Decisão Monocrática
- Outcome
- Rejeitados os embargos de declaração.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Prequestionamento, Reexame De Provas, Divergência Jurisprudencial, Súmula 7 Do STJ
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Procedural Posture
Embargos De Declaração / Contra Decisão Monocrática
Legal Issues
- 1 Existência de omissão na decisão embargada quanto à previsão na legislação estadual sobre atualização monetária
- 2 Aplicação do Tema Repetitivo n.º 905 do STJ (Tema Vinculante n.º 810 do STF) e da Súmula n.º 523 do STF
- 3 Cabimento restrito dos embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Os embargos foram rejeitados porque a decisão embargada já tratou das questões suscitadas; quando o recurso é inapto, a falta de exame do mérito impede a existência de omissão; embargos de declaração não servem para rediscutir o mérito ou obter efeitos modificativos; além disso, não houve demonstração do prequestionamento ou do dissídio jurisprudencial nos termos exigidos, e incide a vedação ao reexame de provas (Súmula 7), razão pela qual não há omissão a ser suprida.
Court Disposition
Rejeitados os embargos de declaração.
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração contra decisão monocrática. Proferida decisão no recurso, a parte embargante opõe embargos de declaração apontando vícios na decisão embargada, conforme se percebe dos seguintes trechos da petição: Com a devida vênia, a decisão recorrida proferida as fls. 1.561/1.565, que não conheceu o Agravo em Recurso Especial, se encontra dissociada do objeto recursal, no caso, a aplicação do entendimento pacificado no Tema Repetitivo n.º 905 do STJ (Tema Vinculante n.º 810 do E. STF) e na Súmula n.º 523 do E. STF. Isto porque, se bem observado, o Tema Repetitivo n.º 905 do STJ (Tema Vinculante n.º 810 do E. STF) e na Súmula n.º 523 do E. STF somente determina a aplicação do artigo 161, §1º e artigo 167, §único, do CTN, quando não há previsão na legislação estadual sobre o tema. Contudo, conforme consta descrito no bojo do Recurso Especial, o Código Tributário Estadual do Estado do Rio de Janeiro prevê expressamente a aplicação da atualização pela variação da Taxa SELIC acumulada, a partir de 01/2013,em razão da alteração promovida pela Lei Estadual do RJ n.º 6.269/2012, tanto para cobrança do crédito tributário, quanto para a restituição. Sendo assim, por representar unicamente matéria de direito (atualização monetária sobre a repetição do indébito tributário), não há oóbice da Súmula n.º 07 do E. STJ. E, com o devido respeito, caso não seja reformado esse entendimento do Tribunal de Justiça, o acórdão recorrido estará em flagrante conflito com o entendimento pacificado nesta Corte Superior, cuja aplicação é obrigatória e deve ser isonômica para todos os jurisdicionados. Diante deste cenário, a EMBARGANTE espera o provimento do presente recurso de Embargos de Declaração para, sanando-se a omissão apontada na decisão recorrida proferida as fls. 1.561/1.565(existência de previsão na legislação do ente tributante), seja enfrentada adequadamente a matéria de direito tratada no Recurso Especial, determinando-se a aplicação do Tema Repetitivo n.º 905 deste E. STJ(Tema Vinculante n.º 810 E. STF), cumulado com a Súmula n.º 523 do E. STJ, por ser medida de Direito e de Justiça!! É o relatório. Decido. Os embargos não merecem acolhimento. As alegações da parte embargante foram analisadas na decisão embargada. Ademais, se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais devia pronunciar-se o juiz de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). O apontamento de vício pela parte embargante foi tratado com clareza e sem contradições, conforme se percebe dos seguintes trechos da decisão: A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. Quanto ao mérito, o Órgão Especial ao julgar a Arguição de Inconstitucionalidade nº 2005.017.00027, pacificou o entendimento no sentido de que a cobrança de ICMS sobre serviços de comunicações e energia elétrica com base em alíquota de 25% (vinte e cinco por cento) é inconstitucional, sob o fundamento de ferir o princípio da seletividade, devendo ser aplicada a alíquota genérica de 18% (dezoito por cento), acrescida de 5% (cinco por cento) referente ao Fundo Estadual de Combate à Pobreza. .. Com ralação à cobrança do percentual de 5% destinado ao Fundo Estadual de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais, criado com base no disposto no artigo 2º, I do Decreto 32.646/2003 que regulamentou a Lei Estadual 4.056/2002, foi validada pelo artigo 4º da Emenda Constitucional nº 42/2003, conforme decidido pela Corte Suprema quando do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2869/RJ. .. (..) Quanto à matéria de fundo, (art. 161, § 1º, 167, parágrafo único, do CTN) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, (art. 927, IV, do CPC/2015) esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". As alegações da parte, como se vê, configuram a intenção de rediscutir a matéria, o que é inviável em embargos de declaração. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp 166.402/PE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl 8.826/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) Cumpre ressaltar que os embargos de declaração não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA