EAREsp 2529616 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos de declaração por não comprovarem vícios formais sanáveis (ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão) no decisum e por se tratar de matéria que não pode ser reexaminada via embargos de divergência quando o acórdão embargado não ultrapassou o juízo de admissibilidade, conforme...
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- Parties
- Embargante: CIBELE CARVALHO BRAGA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Outcome
- embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Embargos De Divergência, Admissibilidade Recursal, Súmulas, Honorários Recursais, Matéria De Ordem Pública, Omissão/obscuridade/contradição
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Parties
CIBELE CARVALHO BRAGA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 315/STJ no indeferimento liminar de embargos de divergência
- 2 Possível erro material e nulidade por violação do art. 489, §1º, incs. III e V do NCPC
- 3 Admissibilidade dos embargos de divergência quando acórdão paradigma conhece do recurso e o embargado não ultrapassa juízo de admissibilidade
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração por não comprovarem vícios formais sanáveis (ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão) no decisum e por se tratar de matéria que não pode ser reexaminada via embargos de divergência quando o acórdão embargado não ultrapassou o juízo de admissibilidade, conforme jurisprudência e dispositivos invocados.
Court Disposition
embargos de declaração rejeitados
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de embargos de declaração opostos por CIBELE CARVALHO BRAGA em face da decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência em razão da incidência da Súmula n. 315/STJ. Em suas razões sustenta que: Com se evidencia de plano, a r. decisão ora embargada incide em EVIDENTE ERRO MATERIAL, ao invocar suposto óbice decorrente da Súmula n. 315 desta Corte Superior, pois no caso em tela, o ARESP foi conhecido e o RESP é que não foi provido , em decisão mantida por aresto imotivado, incurso nos vícios censurados pelos inc. III e V do § 1º do art. 489 do NCPC, ao alegar suposto óbice da sumula 284 do STF para não conhecer de MATERIA DE ORDEM PUBLICA em CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE, suscitada em ação penal instaurada e processada em afronta a ADI 5070 do STF. Assim, como da simples leitura do RESP, é perceptível de plano que diverso do alegado na decisão objeto dos presentes embargos, ao invocar suposto óbice da sumula 315 desta C. Corte para se omitir do dever funcional do Magistrado, em MATERIA DE ORDEM PUBLICA suscitada em sede de EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA, se trata de decisão nula pela incursão na conduta censurada pelo inc. V do § 1º do art. 489 do NCPC. (e-STJ fl. 783) Requer, desse modo, o acolhimento dos presentes embargos de declaração a fim de que seja sanado o vício apontado. É, no essencial, o relatório. Decido. Os embargos declaratórios não reúnem condições de serem processados. Nos termos do art. 619 do Código de Processo Penal, os embargos de declaração destinam-se a retirar a ambiguidade, esclarecer obscuridade, eliminar contradição e suprir omissão existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, os embargos de divergência possuem, como requisito de admissibilidade, a existência de dissenso interpretativo entre os órgãos jurisdicionais desta Corte Superior na análise de mérito do recurso especial, sendo o recurso incabível para o reexame de regra técnica de admissibilidade recursal. Ressalte-se que a admissão dos embargos de divergência, quando não conhecido um dos acórdãos confrontados, exige a efetiva análise da controvérsia em seu bojo, o que definitivamente não ocorreu nos presentes autos, uma vez que o acórdão embargado não foi conhecido em razão da ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada. Ilustrativamente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA COM PRETENSÃO DE CONFRONTAR JULGADOS QUE INTERPRETAM O ART. 1.022 DO CPC/2015. INCABÍVEIS. ACÓRDÃO PARADIGMA QUE CONHECE DO RECURSO E ADENTRA O MÉRITO E O ACÓRDÃO EMBARGADO NÃO ULTRAPASSA O JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. HONORÁRIOS RECURSAIS EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ACÓRDÃO EMBARGADO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. DEVIDOS. MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INADEQUADA AO CASO CONCRETO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A aferição da ausência ou não dos vícios processuais que ensejariam o acolhimento do recurso integrativo está intrinsecamente vinculada às peculiaridades fático-jurídicas de cada caso, revelando-se inadmissíveis os embargos de divergência para confrontar julgados que interpretam o art. 1.022 do CPC/2015. Precedentes. III - Embargável o acórdão de órgão fracionário que, em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia, a teor do disposto no art. 1.043, III, do CPC/2015. IV - No acórdão embargado, o recurso especial esbarrou-se no óbice da Súmula n. 211 do STJ, sendo aplicável o entendimento segundo o qual se revela inviável o dissenso interpretativo entre julgados quando o acórdão paradigma conhece do recurso e adentra o mérito recursal e o embargado não ultrapassa o juízo de admissibilidade. V - É devido o arbitramento de honorários recursais, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, quando os Embargos de Divergência - rejeitados liminarmente, não conhecidos ou desprovidos - têm por objeto acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015. Precedentes. VI - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt nos EREsp n. 1.881.692/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, julgado em 17/5/2022, DJe de 19/5/2022.) Assim, não há qualquer irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria posta a apreciação desta Corte foi julgada, não padecendo a decisão embargada dos vícios que autorizariam a sua oposição (ambiguidade, obscuridade, contradição e omissão). Ressalte-se que quando não ultrapassado o juízo de admissibilidade dos embargos de divergência, descabe a apreciação das questões suscitadas no recurso, ainda que se trate de matéria de ordem pública. Nesse sentido, mutatis mutandis: AgRg nos EAREsp n. 2.105.681/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 14/6/2023, DJe de 21/6/2023. Assim, não há qualquer irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria posta a apreciação desta Corte foi julgada, não padecendo a decisão embargada dos vícios que autorizariam a sua oposição (obscuridade, contradição, omissão ou erro material). Por fim, ressalto que a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado, consubstanciada na mera insatisfação com o resultado da demanda, não se coaduna com a via eleita. Nesse sentido, os EDcl no AgRg no RHC n. 171.820/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 13/6/2023, DJe de 19/6/2023. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA