REsp 2127975 - DECISAO
Verificada a omissão no acórdão recorrido porque o Tribunal de origem não se manifestou sobre pontos relevantes suscitados nos embargos de declaração, houve ofensa ao art. 1.022 do CPC, razão pela qual se deu provimento ao recurso especial para anular o julgamento dos embargos e determinar o retorno dos autos ao...
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- Parties
- Recorrente: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Provimento Do Recurso Especial E Determinação De Retorno Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- provedo o recurso especial
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Prequestionamento, Coisa Julgada Em Ações Coletivas, Cumprimento De Sentença, Parcela Autônoma De Equivalência (pae), Juros De Mora
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Parties
UNIÃO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Provimento Do Recurso Especial E Determinação De Retorno Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 ocorrência de omissão no acórdão recorrida em face do art. 1.022 do CPC
- 2 alcance da ação coletiva e legitimidade/condição de beneficiário dos representados
- 3 incompatibilidade entre limites da postulação da ação coletiva e relação genérica de associados
Ratio Decidendi
Verificada a omissão no acórdão recorrido porque o Tribunal de origem não se manifestou sobre pontos relevantes suscitados nos embargos de declaração, houve ofensa ao art. 1.022 do CPC, razão pela qual se deu provimento ao recurso especial para anular o julgamento dos embargos e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se manifeste sobre as matérias omitidas.
Court Disposition
provedo o recurso especial
Orders
- Determino o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se manifeste sobre a matéria articulada nos embargos de declaração.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pela UNIÃO em face de acórdão assim ementado: CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PARCELA AUTÔNOMA DE EQUIVALÊNCIA - PAE,CONCEDIDA NO RMS 25.842/DF. DIREITO RECONHECIDO NA AÇÃO COLETIVA Nº 0006306-43.2016.4.01.3400/DF. LEGITIMIDADE ATIVA. PROPORCIONALIDADE AO NÚMERO DE SESSÕES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PELO TÍTULO JUDICIAL. TERMO INICIAL DOS JUROS DE MORA. NOTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE COATORA .. (fl. 45). Opostos embargos de declaração, foram desprovidos (fl. 98). Recurso especial fundado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, por meio do qual sustenta a parte recorrente a existência de afronta aos arts. 1.022, II, 5º, 322, §2º, e 535, II, do CPC. Aduz, em síntese, a existência de omissão no acórdão recorrido e que: Havia relevantes questões suscitadas pela União nos Embargos de Declaração, arguidas no Agravo de Instrumento, e em sede de memoriais, as quais não foram objeto de análise pelo acórdão embargado, e que, se devidamente enfrentadas, acarretariam a alteração do resultado do julgamento, a saber: a) incompleta interpretação do pedido formulado na Ação Coletiva que gerou o título objeto do Cumprimento de Sentença, uma vez que não analisado o conjunto da postulação - o que comprovaria que o alcance da ação coletiva se limitava aos juízes classistas inativados pela Lei n. 6.903/81 e seus pensionistas -, acarretando vulneração aos arts. 5º e 322, §2º, do CPC; b) incompatibilidade entre os limites da postulação da Ação Coletiva e a relação genérica de associados anexa à petição inicial, com desrespeito à boa-fé que deve imperar nas relações processuais, e consequente violação ao art. 8º do CPC; c) inexistência de coisa julgada quanto à condição de beneficiário do título por cada um dos associados representados, por ser matéria estranha ao processo de conhecimento em ações coletivas, ocorrendo a definição em sede de liquidação e cumprimento de sentença, conforme pacífica jurisprudência desse Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, sob pena de violação ao art. 489, §3º, do CPC, e arts. 95 e 97 da Lei n. 8.078/90 (fl. 136, grifo nosso ). Alega, ainda, que: .. sendo não demonstrado que o recorrente é juiz classista aposentado sob a égide da Lei nº 6.903/1981, fica claro que o Mandado de Segurança Coletivo nº 0737165-73.2001.5.55.5555 não tutelava sua situação jurídica, razão pela qual a notificação da autoridade coatora no referido mandamus não tem efeitos para si em relação ao início do curso de juros moratórios (fl. 146). É o relatório. Decido. A insurgência merece amparo. No que tange à violação ao art. 1.022 do CPC, constato estar configurada a sua ocorrência. Em sede de embargos de declaração, a parte recorrente alegou que: Da contextualização do julgado, evidencia-se que por meio da Ação Coletiva nº 0006306-43.2016.4.01.3400 foram reconhecidos os efeitos financeiros pretéritos do direito reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RMS nº 25.841/DF. E, portanto, o provimento condenatório exarado está irremediavelmente vinculado aos reflexos da parcela PAE nos proventos dos juízes classistas aposentados sob a vigência da Lei nº 6.903/1981, e de seus pensionistas (fl. 59). Da análise dos autos, verifica-se que, mesmo após a oposição de embargos, as questões relativas à legitimidade da parte exequente, considerando o alcance da coisa julgada (se o ex-juiz classista tinha se aposentado ou não, bem como o período em que exerceu o mandato classista) não foram apreciadas pelo Tribunal a quo, que se limitou a afirmar que o acórdão não padece de omissão, contradição, obscuridade ou mesmo erro material. Desse modo, para que a Corte de origem se manifeste acerca dos pontos reputados como omissos, impõe-se o reconhecimento da alegada violação do art. 1.022 do CPC, bem como a anulação do acórdão proferido em embargos de declaração para que seja realizado novo julgamento, que supra as omissões apontadas. A propósito, cito precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. VIOLAÇÃO AO ART. 1022 DO CPC/2015. OCORRÊNCIA. OMISSÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DO ACÓRDÃO. RETORNO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. AGRAVO INTERNO PROVIDO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. Cinge-se a controvérsia, segundo se extrai do acórdão recorrido, de ação indenizatória com trânsito em julgado, proposta pela DELFIN RIO S/A CRÉDITO IMOBILIÁRIO em face do ESTADO DO RIO DE JANEIRO, que foi julgada procedente, condenando a parte ré ao pagamento de indenização pelos danos emergentes e pelos lucros cessantes desde a data do dano, em 1991. Foi expedido precatório judicial para o pagamento da condenação no ano de 2001, o qual só veio a ser pago em 2014. A parte autora, então, pleiteou o prosseguimento da execução até a satisfação integral do seu débito, ao argumento de que havia necessidade de complementação do depósito. O juiz de primeira instância determinou o retorno dos autos à Central de Cálculos, para refazer as contas, apurando-se os lucros cessantes. Em face dessa decisão, o ESTADO DO RIO DE JANEIRO interpôs agravo de instrumento, visando afastar a incidência de juros moratórios sobre os lucros cessantes devidos de 1991 (data do dano) a 2001 (data da expedição do precatório). O Tribunal de origem negou provimento ao recurso. 2. Em análise à apontada violação ao art. 1.022 do CPC/2015, verifica-se que o Tribunal a quo, em que pese a oposição de embargos de declaração, não se manifestou sobre as seguintes teses deduzidas pelo ESTADO DO RIO DE JANEIRO: (i) existência de prescrição/preclusão da oportunidade de cobrar créditos moratórios; (ii) ocorrência de julgamento extra-petita, pois não houve pedido de inclusão dos juros moratórios na complementação do precatório em primeira instância; (iii) a de que os juros moratórios já estariam embutidos no valor do precatório pago; e (iv) ausência de intimação prévia quanto ao julgamento dos primeiros embargos de declaração opostos na origem, em violação aos artigos 934, 935 e 1.023, §1 do CPC, pois os embargos de declaração foram levados em mesa em sessão posterior à subsequente ao julgamento do agravo de instrumento. 3. Não obstante a relevância das questões mencionadas, suscitadas em momento oportuno, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre elas, mesmo após a oposição de embargos de declaração, restando, portanto, omisso o acórdão recorrido. Para fins de conhecimento do recurso especial, é indispensável a prévia manifestação do Tribunal a quo acerca da tese de direito suscitada, ou seja, a ausência de prequestionamento impede o conhecimento do recurso (Súmulas 282 e 356 do STF e Súmula 211/STJ). Assim, tratando-se de questão relevante para o deslinde da causa que foi suscitada no momento oportuno e reiterada em sede de embargos de declaração, a ausência de manifestação sobre ela caracteriza ofensa ao art. 1022 do CPC. Verificada tal ofensa, em sede de recurso especial, impõe-se a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração, para que seja proferido novo julgamento suprindo tal omissão. 4. Agravo interno provido para dar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento dos embargos de declaração. (AgInt no REsp n. 1.767.552/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/6/2021.) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial a fim de determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, para que se manifeste sobre a matéria articulada nos embargos de declaração. Intimem-se. EMENTA