AREsp 2507254 - DECISAO
Os embargos foram rejeitados por não revelar omissão, contradição, obscuridade ou erro material: a decisão embargada enfrentou e decidiu a controvérsia (incluindo a questão do cômputo de juros sobre a multa decendial, que o Tribunal de origem analisou com fundamento na Súmula n.16 do TJSC), e os aclaratórios não se...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: EDSON ELIAS; Embargante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração (rejeitados)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Admissibilidade Recursal, Multa Decendial, Juros Moratórios, Súmulas E Precedentes
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
EDSON ELIAS
Embargante
OUTRO
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração (rejeitados)
Legal Issues
- 1 Alegada omissão da decisão quanto à inadmissibilidade do recurso especial por incidência das Súmulas 282 e 283 do STF e das Súmulas 7, 83 e 182 do STJ
- 2 Incidência de juros no cálculo da multa decendial em contrato vinculado ao Sistema Financeiro da Habitação
- 3 Cabimento dos embargos de declaração (obscuridade, contradição, omissão ou erro material)
Ratio Decidendi
Os embargos foram rejeitados por não revelar omissão, contradição, obscuridade ou erro material: a decisão embargada enfrentou e decidiu a controvérsia (incluindo a questão do cômputo de juros sobre a multa decendial, que o Tribunal de origem analisou com fundamento na Súmula n.16 do TJSC), e os aclaratórios não se prestam à rediscussão de matéria já decidida.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados.
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por EDSON ELIAS e OUTRO contra a decisão de minha lavra que conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial da parte ora embargada (fls. 516/521). Nas razões de seu recurso, a parte embargante alega que a decisão embargada é omissa porque o recurso especial deveria ser inadmitido por esbarrar nos óbices das Súmula 282 e 283 do Supremo Tribunal Federal (STF), bem como das Súmulas 7, 83 e 182 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Requer que o recurso seja acolhido com efeitos infringentes. A parte adversa apresentou impugnação (fls. 549/559). É o relatório. Os embargos declaratórios não apresentam vícios formais, foram opostos dentro do prazo e cogitam, objetivamente, de matéria própria dessa espécie recursal (arts. 1.022 e 1.023 do CPC). Nada há, enfim, que impeça o seu conhecimento. A decisão embargada decidiu a controvérsia de forma clara e explícita nos seguintes termos (fls. 1.077/1.078): Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. No que concerne à decisão híbrida que negou seguimento ao recurso especial na questão relativa à aplicação do Tema 1.011/STF, cabe ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) apenas a análise da questão admitida, uma vez que é competência da Corte de origem a análise de (in)conformidade do acórdão recorrido com eventual entendimento firmado no paradigma em recurso repetitivo, devendo a parte manejar eventual agravo interno. .. No que concerne ao cômputo de juros no cálculo da multa decendial, nos exatos termos do acórdão recorrido, a Corte de origem assim se manifestou sobre o cerne da controvérsia (fls. 517/519): Alega a agravante que os cálculos dos impugnados apresentam flagrante erro, tendo em vista a impossibilidade do cômputo dos juros no cálculo da multa decendial, devendo incidir apenas o valor da obrigação principal corrigido monetariamente. O recurso não merece provimento no ponto, porquanto, esta Corte vem entendendo que, nos litígios que versem sobre o Sistema Financeiro da Habitação, aplica-se a Súmula n. 16 do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que estabelece: "A multa cominatória a que se referiam os artigos 916 e seguintes do Código Civil revogado (objeto dos artigos 408 e seguintes do Novo Código Civil), incide sobre o valor da obrigação principal, corrigido, acrescido dos juros impostos na sentença, quando o litígio versar sobre seguro habitacional" .. Outrossim, cumpre salientar que não se desconhece as decisões do Superior Tribunal de Justiça citadas nas razões recursais. Entretanto, filio-me ao posicionamento deste Tribunal de Justiça por entender ser este mais justo em relação à parte segurada. Além disso, a própria sentença ao condenar a seguradora ao pagamento da multa decendial, estabeleceu que sobre ela incide correção monetária e juros moratórios (fls. 30/31, do cumprimento de sentença). Assim, correta a decisão que rejeitou o excesso de execução, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa decendial. Observo que a conclusão adotada pelo Tribunal de origem está em dissonância com o entendimento dessa Corte Superior de Justiça de que, nos contratos vinculados ao sistema financeiro de habitação, a multa decendial, cabível em razão de atraso de pagamento de indenização securitária, é limitada ao valor da obrigação principal, não incidindo juros. Constato que o inconformismo da parte embargante não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC). O Superior Tribunal de Justiça assim já se manifestou: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/2015. REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS. IMPOSSIBILIDADE. DEVIDO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. 1. De acordo com a norma prevista no art. 1.022 do CPC/2015, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição, omissão ou erro material na decisão embargada. 2. No caso, não se verifica a existência de nenhum dos vícios em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia posta no recurso. .. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.574.004/SE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 8/3/2021, DJe de 11/3/2021 - sem destaques no original) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC/2015. VÍCIO INEXISTENTE. REDISCUSSÃO DA CONTROVÉRSIA. RESPONSABILIDADE CIVIL DA UNIÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. ANISTIA. PERQUIRIÇÃO DA NULIDADE DA PORTARIA INTERMINISTERIAL 122/2000. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. REEXAME DE PREMISSAS FÁTICAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. .. 2. O recurso foi desprovido com fundamento claro e suficiente, inexistindo omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado. 3. Os argumentos da parte embargante denotam mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, não se prestando os aclaratórios a esse fim. 4. Embargos de Declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.608.546/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16/11/2020, DJe de 24/11/2020 - sem destaques no original) Rever as matérias alegadas no recurso ora examinado acarretaria rediscutir entendimento já manifestado e devidamente embasado. O recurso integrativo não se presta à inovação, à rediscussão da matéri a tratada nos autos ou à correção de eventual error in judicando. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA