AREsp 2370284 - ACORDAO
O acórdão embargado não padece dos vícios enumerados no art. 1.022 do CPC (omissão, obscuridade, contradição ou erro material), de modo que os novos embargos configuram tentativa de rediscussão e têm caráter manifestamente protelatório, justificando a rejeição dos embargos e a aplicação da multa de 2% sobre o valor...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: WALTER GALETTO NETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Segundos Embargos De Declaração Opostos No Âmbito De Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Obscuridade, Contradição, Erro Material, Multa Por Caráter Protelatório, Fundamentação Judicial, Prequestionamento
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
WALTER GALETTO NETO
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Segundos Embargos De Declaração Opostos No Âmbito De Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 existência de omissão no acórdão
- 2 verificação de obscuridade, contradição ou erro material (art. 1.022 CPC)
- 3 obrigação de fundamentação (art. 489 CPC)
Ratio Decidendi
O acórdão embargado não padece dos vícios enumerados no art. 1.022 do CPC (omissão, obscuridade, contradição ou erro material), de modo que os novos embargos configuram tentativa de rediscussão e têm caráter manifestamente protelatório, justificando a rejeição dos embargos e a aplicação da multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC; ademais, não compete ao STJ examinar ofensa à Constituição Federal em recurso especial.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração.
- Aplica-se multa de 2% (dois por cento) sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
3 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/08/2024 a 02/09/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO E OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. NÃO VERIFICADAS. ACÓRDÃO FUNDAMENTADO. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. NÃO DEMONSTRADA. MULTA. ART. 1.026, § 2º, DO CPC. CARÁTER PROTELATÓRIO. 1. Os embargos de declaração só são admissíveis para atacar, especificamente, um desses vícios do ato decisório: omissão, contradição, obscuridade ou erro material, e não para que se adeque a decisão ao entendimento do embargante nem para o acolhimento de pretensões que refletem mero inconformismo, menos ainda para rediscussão de matéria já resolvida. 2. Estando o acórdão impugnado devidamente fundamentado, é inadmissível a oposição de novos embargos de declaração. 3. Evidenciado, portanto, o caráter manifestamente protelatório, ante a reiteração em novos declaratórios de questões já apreciadas, impõe-se a aplicação da multa prevista no § 2º do art. 1.026 do Código de Processo Civil. 4. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, o exame de eventual ofensa a dispositivo da Constituição Federal, ainda que para fim de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. 5. Embargos de declaração rejeitados, com aplicação de multa de 2% (dois por cento) sobre o valor atualizado da causa.
RELATÓRIO Trata-se de segundos embargos de declaração opostos por WALTER GALETTO NETO ao acórdão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça assim ementado: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTO. FALTA. IMPUGNAÇÃO. ARTIGO 1.021, § 1º, DO CPC. SÚMULA Nº 182/STJ. FALHA NA PRESTAÇÃOJURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. OBSCURIDADE NÃO VERIFICADA. 1. Ausentes quaisquer dos vícios ensejadores dos aclaratórios, afigura-se patente o intuito infringente da presente irresignação, que objetiva não suprimir a omissão, afastar a obscuridade, eliminar a contradição ou corrigir erro material, mas, sim, reformar o julgado por via inadequada. 2. A obscuridade que vicia o julgado é aquela que dificulta a sua compreensão diante da falta de clareza de seus termos, o que não ocorre na hipótese, tendo sido demonstrados, com linguagem simples e direta, os fundamentos para o não conhecimento do agravo interno. 3. Embargos de declaração rejeitados". (e-STJ fl. 452). Nas presentes razões (e-STJ fls. 459/462), o embargante alega, em síntese, que há omissão no acórdão, tendo em vista que não se pronunciou acerca de todos as questões suscitadas nos anteriores aclaratórios. No ponto, alega violação dos arts. 93, IX, da Constituição Federal e 489, § 1º, do CPC, por ausência de fundamentação. Aduz que o aresto embargado reitera a ausência de impugnação dos fundamentos de inadmissibilidade do agravo interno, porém, não analisa os argumentos do embargante no anterior recurso. Ao final, requer o acolhimento dos embargos com efeitos infringentes. Devidamente intimada, a parte contrária ofereceu impugnação (e-STJ fls. 468/471) pleiteando a aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO E OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. NÃO VERIFICADAS. ACÓRDÃO FUNDAMENTADO. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. NÃO DEMONSTRADA. MULTA. ART. 1.026, § 2º, DO CPC. CARÁTER PROTELATÓRIO. 1. Os embargos de declaração só são admissíveis para atacar, especificamente, um desses vícios do ato decisório: omissão, contradição, obscuridade ou erro material, e não para que se adeque a decisão ao entendimento do embargante nem para o acolhimento de pretensões que refletem mero inconformismo, menos ainda para rediscussão de matéria já resolvida. 2. Estando o acórdão impugnado devidamente fundamentado, é inadmissível a oposição de novos embargos de declaração. 3. Evidenciado, portanto, o caráter manifestamente protelatório, ante a reiteração em novos declaratórios de questões já apreciadas, impõe-se a aplicação da multa prevista no § 2º do art. 1.026 do Código de Processo Civil. 4. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, o exame de eventual ofensa a dispositivo da Constituição Federal, ainda que para fim de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. 5. Embargos de declaração rejeitados, com aplicação de multa de 2% (dois por cento) sobre o valor atualizado da causa. VOTO Não prospera a inconformidade veiculada nos presentes aclaratórios. De fato, o acórdão embargado não padece de nenhum dos vícios ensejadores dos declaratórios enumerados no art. 1.022 do Código de Processo Civil : obscuridade, contradição, omissão ou erro material. No s anteriores embargos, o ora embargante alegou que o acórdão da Terceira Turma era obscuro porque foram comprovados os pressupostos de conhecimento do recurso especial (prequestionamento e demonstração do dissídio jurisprudencial), além de ter impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. A tese de obscuridade foi afastada, haja vista que as razões pelas quais o agravo interno não foi conhecido foram expressamente claras, tendo sido utilizada linguagem simples para demonstrar os fundamentos da decisão. Naquela oportunidade, ressaltou-se que o agravo interno não foi conhecido por aplicação da Súmula nº 182/STJ. Estando o acórdão impugnado devidamente fundamentado, é inadmissível a oposição de novos embargos de declaração. Não há falar em negativa de vigência do art. 489, § 1º, do CPC. Salienta-se que os embargos de declaração têm a finalidade simples e única de completar, aclarar ou corrigir uma decisão omissa, obscura, contraditória ou que incorra em erro material, afirmação que se depreende dos incisos do próprio art. 1.022 do CPC/2015. Portanto, só é admissível essa espécie recursal quando destinada a atacar, especificamente, um desses vícios do ato decisório, e não para que se adeque a decisão ao entendimento do embargante nem para o acolhimento de pretensões que refletem mero inconformismo, menos ainda para rediscussão de matéria já resolvida. Não existe omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A propósito: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. OBSCURIDADE, OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. REFORMA DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Ação de reparação de danos materiais e compensação de danos morais, em virtude da aquisição de veículo usado e que, logo após a compra, apresentou diversos vícios que impediam seu pleno uso. 2. Os embargos de declaração, a teor do art. 1.022 do CPC, constituem-se em recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição, omissão ou erro material -, não podendo, portanto, serem acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, reformar o decidido. 3. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl no REsp 1.837.436/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJe 4/6/2020 - grifou-se). "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BEM DE FAMÍLIA. IMPENHORABILIDADE. ALEGAÇÃO. ARREMATAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. 1. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no recurso. 2. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl no AgInt nos EDcl no REsp 1.536.888/GO, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, DJe 28/5/2020 - grifou-se).
Evidenciado, portanto, o caráter manifestamente protelatório, ante a reiteração em novos declaratórios de questões já apreciadas, impõe-se a aplicação da multa prevista no § 2º do art. 1.026 do Código de Processo Civil. A propósito: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO VIRTUAL. OPOSIÇÃO. PUBLICAÇÃO DA PAUTA. PRECLUSÃO. FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. NÃO CABIMENTO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE E ERRO MATERIAL NÃO VERIFICADOS. SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARÁTER MANIFESTAMENTE PROTELATÓRIO. MULTA. ART. 1.026, § 2º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 1. O requerimento de retirada de recurso do plenário virtual deve ser realizado antes da publicação da respectiva pauta de julgamento, sob pena de preclusão. A referida oposição, prevista no art. 184-D, parágrafo único, II, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, deve ser manifestada de forma fundamentada, o que não se verifica no caso dos autos. 2. Nos termos dos arts. 159, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 937 do Código de Processo Civil, não se admite sustentação oral no julgamento de embargos de declaração. 3. Ausentes quaisquer dos vícios ensejadores dos aclaratórios, afigura-se patente o intuito infringente da presente irresignação, que objetiva não suprimir a omissão, afastar a obscuridade, eliminar a contradição ou corrigir erro material, mas, sim, reformar o julgado por via inadequada. 4. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório - ante a reiteração em novos declaratórios de questões já apreciadas -, impõe-se a aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. 5. Embargos de declaração rejeitados, com aplicação de multa de 2% (dois por cento) sobre o valor atualizado da causa" (EDcl nos EDcl no AgInt no REsp nº 1.943.412/CE, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 29/9/2023- grifou-se.) "RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. AÇÃO DE NULIDADE DE MARCA. RENÚNCIA AO REGISTRO. EFEITOS EX NUNC. PERDA DO OBJETO DA AÇÃO. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. SÚMULA 7/STJ. EMBARGOS DECLARATÓRIOS REITERADOS. INTUITO PROTELATÓRIO. APLICAÇÃO DA MULTA DO ART. 1.026, § 2º, DO CPC/15. REEXAME DE FATOS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. 1. Ação ajuizada em 25/8/2014. Recurso especial interposto em 17/9/2018. Autos conclusos à Relatora em 17/6/2019. 2. O propósito recursal é verificar (..); e (v) se deve ser afastada a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC/15. (..) 8. Evidenciado, pelo Tribunal a quo, o propósito manifestamente protelatório na oposição de três embargos de declaração, é imperativa a aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/15. (..) RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO". (REsp nº 1.832.148/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, julgado em 20/2/2020, DJe 26/2/2020). Por fim, quanto ao art. 93, IX, da Constituição Federal, cumpre assinalar que não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, o exame de eventual ofensa a dispositivo constitucional, ainda que para fim de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. A propósito: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. DIREITO CIVIL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. CONCESSÃO. CÁLCULO DA RENDA MENSAL INICIAL. REQUISITOS DO BENEFÍCIO. PREENCHIMENTO. REGULAMENTO DA ÉPOCA. INCIDÊNCIA. NORMAS REGULAMENTARES. VIGÊNCIA. DATA DA ADESÃO. AFASTAMENTO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. DIREITO ACUMULADO. OBSERVÂNCIA. REGIME DE CAPITALIZAÇÃO. FUNDO MÚTUO. PRÉVIO CUSTEIO. EQUILÍBRIO ECONÔMICO-ATUARIAL. PRESERVAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE E ERRO MATERIAL NÃO VERIFICADOS. ANÁLISE DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. INADMISSIBILIDADE. 1. Ausentes quaisquer dos vícios ensejadores dos aclaratórios, afigura-se patente o intuito infringente da presente irresignação, que objetiva não suprimir a omissão, afastar a obscuridade, eliminar a contradição ou corrigir erro material, mas, sim, reformar o julgado por via inadequada. 2. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, o exame de eventual ofensa a dispositivo da Constituição Federal, ainda que para fim de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. 3. Embargos de declaração rejeitados" (EDcl no REsp n. 1.435.837/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, julgado em 25/9/2019, DJe de 1/10/2019- grifou-se). Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração, com aplicação da multa de 2% (dois por cento) sobre o valor da causa, prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC. É o voto.