REsp 1730960 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos de declaração por inexistirem omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada; a decisão possuía fundamentação clara e suficiente, e os embargos não podem ser utilizados para rediscutir questões de mérito ou obrigar reexame da matéria por mera insatisfação da parte,...
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- Parties
- Embargante: CREDICARD PROMOTORA DE VENDAS LTDA; Recorrente: Fazenda Nacional
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento De Embargos De Declaração Após Decisão Monocrática De Relatoria
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Contradição, Obscuridade, Erro Material, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Substituição De Penhora Por Seguro Garantia, Reexame Da Matéria, Julgamento Extra Petita, Jurisprudência Do STJ
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Parties
CREDICARD PROMOTORA DE VENDAS LTDA
Embargante
Fazenda Nacional
Recorrente
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento De Embargos De Declaração Após Decisão Monocrática De Relatoria
Legal Issues
- 1 cabimento de embargos de declaração para suprir suposta omissão relativa à alegação de violação do art. 1.022 do CPC por parte da Fazenda Nacional
- 2 possibilidade de determinar o reexame da matéria pelo Tribunal a quo em decorrência do provimento do recurso especial
- 3 se os embargos de declaração podem servir para rediscutir matéria de mérito já decidida
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração por inexistirem omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada; a decisão possuía fundamentação clara e suficiente, e os embargos não podem ser utilizados para rediscutir questões de mérito ou obrigar reexame da matéria por mera insatisfação da parte, sendo a remessa ao juízo de origem motivada pela necessidade de adequação ao entendimento jurisprudencial do STJ e não por negativa de prestação jurisdicional.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeito os embargos de declaração
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos CREDICARD PROMOTORA DE VENDAS LTDA contra a decisão de minha relatoria de fls. 708/714. Nas razões de seu recurso, a parte embargante sustenta a existência de omissão na decisão embargada quanto à inexistência de alegação de violação do art. 1.022 do CPC pela Fazenda Nacional, em seu recurso especial, o que impediria seu provimento para determinar o reexame da matéria pelo Tribunal a quo. Afirma, ainda, que o ente fazendário pleiteou no recurso especial apenas a reforma do acórdão recorrido, o que impede a determinação de rejulgamento do agravo de instrumento sob pena de julgamento extra petita. Requer que o recurso seja acolhido com efeitos infringentes. Não foi apresentada impugnação (fl. 737). É o relatório. O inconformismo da parte embargante não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC). Não há na decisão embargada vícios de omissão, contradição, obscuridade ou erro material; o recurso integrativo não se presta para o fim de rediscutir os aspectos jurídicos anteriormente debatidos. A decisão embargada foi proferida de modo expresso, fundamentado e coerente quanto à possibilidade de substituição da penhora de ativos financeiros por seguro-garantia desde que existente anuência do exequente e devidamente comprovada a excessiva onerosidade do executado. Reconheceu-se que o acórdão recorrido foi proferido em desconformidade com a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual foi determinado o retorno dos autos à instância ordinária a fim de que a matéria seja reanalisada à luz da jurisprudência desta Corte Superior. Fica evidente, portanto, que o provimento do recurso especial e a determinação de reexame da matéria não está relacionado à eventual negativa de prestação jurisdicional pelo Tribunal a quo, como sugere a embargante. Ademais, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "inexiste decisão surpresa, julgamento ultra ou extra petita quando há aplicação de posicionamento jurídico adequado ao deslinde da controvérsia por ocasião da análise dos fatos, pedido e causa de pedir, com a interpretação lógica e sistemática a partir de toda a petição inicial. Precedentes" (AgInt no REsp n. 2.023.087/SC, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 22/8/2024.). Como se vê, o recurso foi examinado com fundamento claro e suficiente, inexistindo omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão recorrida. O Superior Tribunal de Justiça assim já se manifestou: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/2015. REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS. IMPOSSIBILIDADE. DEVIDO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. 1. De acordo com a norma prevista no art. 1.022 do CPC/2015, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição, omissão ou erro material na decisão embargada. 2. No caso, não se verifica a existência de nenhum dos vícios em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia posta no recurso. 3. "Se o recurso é inapto ao conhecimento, o colegiado não tem como se pronunciar sobre o mérito, de modo que a falta de exame da matéria de fundo não se caracteriza omissão, senão mera decorrência do exercício do devido juízo de admissibilidade recursal" (EDcl no AgInt nos EREsp 1.559.725/PE, Rel. Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, DJe 30/8/2017). 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.574.004/SE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 8/3/2021, DJe de 11/3/2021.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC/2015. VÍCIO INEXISTENTE. REDISCUSSÃO DA CONTROVÉRSIA. RESPONSABILIDADE CIVIL DA UNIÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. ANISTIA. PERQUIRIÇÃO DA NULIDADE DA PORTARIA INTERMINISTERIAL 122/2000. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. REEXAME DE PREMISSAS FÁTICAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. .. 2. O recurso foi desprovido com fundamento claro e suficiente, inexistindo omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado. 3. Os argumentos da parte embargante denotam mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, não se prestando os aclaratórios a esse fim. 4. Embargos de Declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.608.546/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16/11/2020, DJe de 24/11/2020.) Rever as matérias aqui alegadas acarretaria rediscutir entendimento já manifestado e devidamente embasado. Os embargos declaratórios não se prestam à inovação, à rediscussão da matéria tratada nos autos ou à correção de eventual error in judicando. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA