AREsp 2628780 - DECISAO
Rejeitar os embargos porque o recolhimento das custas foi realizado em desacordo com a Resolução do STJ (indicação errônea do número do processo de origem na GRU) e porque o comprovante apresentado (fl. 1118) não é apto a comprovar a quitação por não conter a sequência numérica do código de barras; jurisprudência do...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: EDFRA INVESTIMENTOS S.A.; Embargante: HOSPITAL VITA BATEL S.A; Embargante: SMA-EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição
- Outcome
- Embargos de Declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Deserção, Preparo, Recolhimento De Custas, Regularidade De Comprovante De Pagamento
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Parties
EDFRA INVESTIMENTOS S.A.
Embargante
HOSPITAL VITA BATEL S.A
Embargante
SMA-EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S.A.
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição
Legal Issues
- 1 Regularidade do recolhimento das custas ao STJ
- 2 Se o comprovante de pagamento juntado (fl. 1118) é apto a comprovar a quitação
- 3 Se a indicação errônea do número do processo de origem na GRU configura deserção
Ratio Decidendi
Rejeitar os embargos porque o recolhimento das custas foi realizado em desacordo com a Resolução do STJ (indicação errônea do número do processo de origem na GRU) e porque o comprovante apresentado (fl. 1118) não é apto a comprovar a quitação por não conter a sequência numérica do código de barras; jurisprudência do STJ exige guia corretamente preenchida e comprovante de pagamento válido para fins de comprovação do preparo, e não se verificam omissão, contradição, obscuridade ou erro material a serem saneados.
Court Disposition
Embargos de Declaração rejeitados
Orders
- Rejeito os Embargos de Declaração.
- Advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por EDFRA INVESTIMENTOS S.A., HOSPITAL VITA BATEL S.A, SMA-EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S.A. à decisão de fls. 1157/1158, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: Entretanto, em que pese o entendimento de que o comprovante de pagamento juntado a fls. 1118 não contenha o código de barras, a fim de que seja conferido com a GRU emitida, no referido comprovante consta o mesmo valor da guia recolhida bem como beneficiário o próprio STJ, vejamos: .. Ademais, não consta no recurso qualquer demonstração de que referido pagamento não tenha sido realizado a esses autos, ou que referida guia tenha sido utilizada em outro recurso. Ou seja, não há qualquer evidência de que o pagamento da guia indicada ao mov. 1117 não tenha sido paga. O STJ, por ser o próprio favorecido do pagamento, é o destinatário que poderia informar se não houve o pagamento da respectiva guia, e não há qualquer demonstração nesse sentido. Desta forma, tem-se como efetivado o pagamento da guia juntada a fls. 1117, comprovante de pagamento a fls. 1118, devendo, portanto, o recurso ser admitido para fins de julgamento de mérito, considerando que a jurisprudência desta Corte é no sentido de que os recursos devem estar acompanhados das guias de recolhimento devidamente preenchidas, além dos respectivos comprovantes de pagamento, ambos de forma visível e legível, requisitos estes atendidos pelos embargantes (fls. 1162/1163). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Inicialmente, cumpre esclarecer, conforme já consignado na decisão ora embargada, que agora se repete, que o recolhimento das custas devidas ao STJ foi realizado em desacordo com o disposto na Resolução do STJ vigente à época da interposição do recurso, a qual dispõe que, nos processos recursais, o campo "Número do Processo que consta no Acórdão Recorrido" da GRU deverá ser preenchido com o número do processo no Tribunal de origem. No caso, a parte fez a indicação errônea desse número na guia de recolhimento das custas devidas ao STJ. Este Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento no sentido de que a irregularidade no preenchimento das guias do preparo - consistente na indicação errônea do processo na origem -, no ato da interposição do recurso especial, caracteriza a sua deserção. Ademais, percebeu-se, no Tribunal de origem, haver irregularidade no recolhimento do preparo. A parte, embora regularmente intimada para sanar referido vício, não regularizou, tendo em vista que o documento de fl. 1118 não se trata de efetivo comprovante de pagamento apto a comprovar a quitação da obrigação da parte recorrente, uma vez que não contém a sequência numérica do código de barras. A propósito, este Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que "a falta de correspondência entre o código de barras da guia de recolhimento e o comprovante de pagamento enseja irregularidade no preparo do recurso especial e, portanto, sua deserção". (AgInt no AREsp 1449432/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/5/2020.) Assim, conclui-se que a comprovação do recolhimento das custas só é possível com a juntada concomitante da guia de recolhimento corretamente preenchida e do comprovante de pagamento válido, em que conste a sequência numérica do código de barras. É cediço, também, que o julgador não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (AREsp 1592147/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp 1639930/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1342656/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 7.5.2020.) Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA