REsp 1821686 - DECISAO
Os embargos de declaração foram acolhidos com efeitos infringentes porque havia omissão quanto à aplicação da tese firmada pelo STF no Tema 445 e inexistem nos autos indicativos precisos da data de chegada do processo ao Tribunal de Contas, o que impede, nos limites do recurso especial, decidir sobre a decadência;...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: ANTONIO IACZINSKI SOBRINHO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Opostos Contra Decisão De Relatoria
- Outcome
- Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes; decisões de fls. 939/944, 945/953, 954/958 e 959/963 tornadas sem efeito; autos devolvidos ao Tribunal de origem para análise da decadência conforme Tema 445/STF.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Decadência, Tema 445/stf, Tribunal De Contas, Aposentadoria, Autotutela Administrativa, Honorários Advocatícios, Justiça Gratuita
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ANTONIO IACZINSKI SOBRINHO
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Opostos Contra Decisão De Relatoria
Legal Issues
- 1 omissão quanto ao Tema 445/STF
- 2 incidência da decadência administrativa prevista no Tema 445
- 3 majoração de honorários sem observância da justiça gratuita
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram acolhidos com efeitos infringentes porque havia omissão quanto à aplicação da tese firmada pelo STF no Tema 445 e inexistem nos autos indicativos precisos da data de chegada do processo ao Tribunal de Contas, o que impede, nos limites do recurso especial, decidir sobre a decadência; determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que lá se verifique a ocorrência ou não da autotutela administrativa à luz da tese do Tema 445/STF, e tornaram-se sem efeito as decisões referidas.
Court Disposition
Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes; decisões de fls. 939/944, 945/953, 954/958 e 959/963 tornadas sem efeito; autos devolvidos ao Tribunal de origem para análise da decadência conforme Tema 445/STF.
Orders
- Tornar sem efeito as decisões de fls. 939/944, 945/953, 954/958 e 959/963.
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para analisar a tese da decadência segundo a orientação traçada pelo STF no julgamento do RE 636.553/RS (Tema 445).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por ANTONIO IACZINSKI SOBRINHO contra a decisão de minha relatoria de fls. 945/953 . A parte embargante alega que a decisão embargada é omissa, pois deixou de se manifestar sobre o Tema 445 do Supremo Tribunal Federal (STF), que aprecia a "Incidência do prazo decadencial previsto no art. 54 da Lei 9.784/1999 para a Administração anular ato de concessão de aposentadoria" (fl. 984). Aduz, ainda, que houve majoração da condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais, sem que fosse "observado que este é beneficiário da Justiça Gratuita" (fl. 987). Requer que o recurso seja acolhido com efeitos infringentes para que os autos sejam devolvidos ao TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO para adequação do acórdão à tese firmada quanto ao Tema 445/STF. A parte adversa não apresentou impugnação (fls. 1.009/1.011). É o relatório. Os embargos declaratórios não apresentam vícios formais, foram opostos dentro do prazo e cogitam, objetivamente, de matéria própria dessa espécie recursal (arts. 1.022 e 1.023 do CPC). Nada há, enfim, que impeça o seu conhecimento. Embora a questão de fundo decidida pelo Tribunal a quo refira-se à contagem de tempo rural, em regime de economia familiar, para computar em Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), sem o recolhimento de contribuições previdenciárias, há discussão preliminar acerca da decadência que foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento sob o regime de repercussão geral. De fato, após o juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, o Supremo Tribunal Federal, ao decidir o Tema 445, firmou a seguinte tese: "Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas" (RE 636.553/RS, relator Ministro Gilmar Mendes, julgado em de 19/2/2020). A propósito: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL DO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO APOSENTADO. GRATIFICAÇÃO DE ESTÍMULO Á DOCÊNCIA (GED), INCORPORADO À REMUNERAÇÃO DOS PROFESSORES APOSENTADOS COM PROVENTOS PROPORCIONAIS AO TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSSIBILIDADE. DETERMINAÇÃO DO TCU. REVOGAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO. APOSENTADORIA. ATO COMPLEXO. READEQUAÇÃO DO ENTENDIMENTO. RE 636.553/RS, TEMA 445/STF. PRAZO DE CINCO ANOS PARA O TCU. MARCO INICIAL. CHEGADA DO PROCESSO NA CORTE DE CONTAS. 1. A Turma negou provimento ao agravo regimental do Sindicato, mantendo decisão anterior que deu provimento ao recurso da União ao entendimento de que a aposentadoria de servidor público, por se tratar de ato complexo, só se perfectibiliza com seu registro no Tribunal de Contas da União. 2. No julgamento do RE 636.553 RG/RS, sob a sistemática da repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que "Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas". (Tema 445/STF). 3. No caso, verifica-se inexistir a indicação precisa de quando o TCU teve ciência da concessão de aposentadoria, ou seja, não é possível determinar o termo inicial do prazo de cinco anos desse órgão para se manifestar sobre a concessão da aposentadoria. 4. Dessa forma, os autos devem retornar ao Tribunal de origem, competente para o exame do contexto fático-probatório, para que lá se verifique a ocorrência ou não da autotutela administrativa à luz da tese fixada pelo STF no julgamento do RE n. 636.553/RS (Tema n. 445 da Repercussão Geral). 5. Exercido o juízo de retratação, nos termos do art. 1.030, II, do CPC/2015, para dar parcial provimento ao recurso especial da União. (AgRg no AgRg no REsp n. 1.213.138/PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 2/5/2023, DJe de 4/5/2023.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. APOSENTADORIA. ATO COMPLEXO. CONFIRMAÇÃO PELO TRIBUNAL DE CONTAS. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO ENTENDIMENTO. RE 636.553/RS, TEMA 445/STF. PRAZO DE CINCO ANOS PARA O TCU. MARCO INICIAL. CHEGADA DO PROCESSO NA CORTE DE CONTAS. 1. A decisão anteriormente proferida por esta Turma deu provimento ao recurso especial ao declarar que a aposentadoria de servidor público, por se tratar de ato complexo, só se completa com a análise pelo TCU, de modo que não se deve contar prazo decadencial entre a concessão pelo órgão e a decisão final proferida pelo TCU. 2. Contudo, o STF, em julgamento realizado sob a sistemática da repercussão geral, pacificou o entendimento de que, em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas (Tema 445, RE 636.553/RS). 3. No caso dos autos, o quadro fático determinado pelo Tribunal de origem indica que aposentadoria foi concedida há mais de dez anos da autotutela. Contudo, não existe indicação precisa de quando o TCU teve ciência da concessão de aposentadoria. Portanto, não é possível determinar o termo inicial do prazo de cinco anos desse órgão para se manifestar sobre a concessão da aposentadoria. 4. Assim, os autos devem retornar à origem. Afinal, o Tribunal a quo, competente para o exame do contexto fático e probatório dos autos, deverá verificar a ocorrência ou não da autotutela administrativa à luz da tese fixada pelo STF no julgamento do RE n. RE 636.553/RS (Tema n. 445 da Repercussão Geral). 5. Exercido o juízo de retratação, nos termos do art. 1.030, II, do CPC/2015, para dar parcial provimento ao recurso especial. (AREsp n. 357.694/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3/5/2022, DJe de 6/5/2022.) No presente caso, o acórdão recorrido não revela a data da chegada do processo de revisão no Tribunal de Contas. Ademais, nos estritos limites do recurso especial, não é possível verificar se o ato administrativo que considerou ilegal a concessão da aposentadoria foi ou não praticado dentro daquele lapso temporal. É essencial, portanto, o retorno dos autos ao Tribunal de origem para a análise dos fatos necessários à aplicação da tese firmada sob o regime de repercussão geral. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para tornar sem efeito as decisões de fls. 939/944, 945/953, 954/958 e 959/963; determino o retorno dos autos ao Tribunal de origem para analisar a tese da decadência segundo a orientação traçada pelo STF sob o regime de repercussão geral. Publique-se. Intimem-se. EMENTA