EAREsp 2405286 - ACORDAO
Não se verificou qualquer omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado, que solucionou integralmente a controvérsia segundo a jurisprudência desta Corte, e a conduta das partes não se amoldou às hipóteses do art. 80 do CPC, razão pela qual não há falar em litigância de má-fé nem em...
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- Parties
- Embargante: ESPÓLIO DE MANOEL DE OLIVEIRA MAIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno Nos Embargos De Divergência No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (acórdão) De Rejeição Dos Embargos De Declaração Proferida Pela Corte Especial Em Sessão Virtual
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Agravo Interno, Embargos De Divergência, Litigância De Má Fé, Omissão, Contradição, Erro Material, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
ESPÓLIO DE MANOEL DE OLIVEIRA MAIA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno Nos Embargos De Divergência No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (acórdão) De Rejeição Dos Embargos De Declaração Proferida Pela Corte Especial Em Sessão Virtual
Legal Issues
- 1 Cabimento dos embargos de declaração (obscuridade, contradição, omissão, erro material)
- 2 Aplicação de multa por litigância de má-fé
- 3 Existência de vício de fundamentação no acórdão embargado
Ratio Decidendi
Não se verificou qualquer omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado, que solucionou integralmente a controvérsia segundo a jurisprudência desta Corte, e a conduta das partes não se amoldou às hipóteses do art. 80 do CPC, razão pela qual não há falar em litigância de má-fé nem em aplicação de multa; por esse motivo, os embargos de declaração devem ser rejeitados.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade.
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Não se aplica multa por litigância de má-fé à parte embargada.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 18/09/2024 a 24/09/2024, por unanimidade, não acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. DESCABIMENTO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do Código de Processo Civil, destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material. 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, o desprovimento da irresignação recursal não enseja a automática aplicação da multa por litigância de má-fé, mormente quando a conduta da parte não se enquadra em nenhuma das situações previstas no art. 80 do Código de Processo Civil. 3. No caso, não há vício de fundamentação no acórdão embargado, que solucionou integralmente a controvérsia com base na jurisprudência desta Corte Superior. 4. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por ESPÓLIO DE MANOEL DE OLIVEIRA MAIA contra acórdão assim ementado (fl. 1.711): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INDEFERIMENTO LIMINAR. INTEIRO TEOR DO ACÓRDÃO PARADIGMA. AUSÊNCIA. FALHA NA COMPROVAÇÃO DO DISSÍDIO. 1. São inadmissíveis embargos de divergência quando a parte recorrente deixa de juntar, no momento da interposição do recurso, o inteiro teor do acórdão paradigma, nos termos dos arts. 1.043, § 4º, do CPC e 266, § 4º, do RISTJ. 2. Impossibilidade de correção da falha, por se tratar de vício insanável, conforme precedentes. 3. Agravo interno a que se nega provimento. A parte embargante pleiteia que a embargada seja condenada por litigância de má-fé, diante da interposição reiterada de recursos procrastinatórios. Requer o acolhimento dos aclaratórios para que a parte ora embargada seja condenada ao pagamento de multa por litigância de má-fé. Foi apresentada impugnação às fls. 1.728-1.729. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. DESCABIMENTO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do Código de Processo Civil, destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material. 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, o desprovimento da irresignação recursal não enseja a automática aplicação da multa por litigância de má-fé, mormente quando a conduta da parte não se enquadra em nenhuma das situações previstas no art. 80 do Código de Processo Civil. 3. No caso, não há vício de fundamentação no acórdão embargado, que solucionou integralmente a controvérsia com base na jurisprudência desta Corte Superior. 4. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O art. 1.022 do Código de Processo Civil define as seguintes hipóteses de cabimento dos embargos de declaração: a) obscuridade; b) contradição; c) omissão no julgado, incluindo-se nesta última as condutas descritas no art. 489, § 1º, da mesma norma, que configurariam a carência de fundamentação válida; e d) erro material. Nos term os do art. 80 do Código de Processo Civil: Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que: I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; II - alterar a verdade dos fatos; III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal; IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; VI - provocar incidente manifestamente infundado; VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o desprovimento da irresignação recursal não enseja a automática aplicação da multa por litigância de má-fé, mormente quando a conduta da parte não se enquadra em nenhuma das situações previstas no art. 80 do Código de Processo Civil. No caso em apreço, conheceu-se em parte do recurso especial da parte ora embargada e, nessa extensão, negou-se-lhe provimento por meio de decisão monocrática. Em vista disso, foi interposto agravo interno, e, diante da manutenção da decisão agravada, houve o manejo de embargos de divergência, nos quais se identificou a existência de vício formal na comprovação do dissídio jurisprudencial. Nesse contexto, até o momento, não se evidencia a prática de nenhum ato de litigância de má-fé, nem a interposição de recurso com caráter manifestamente protelatório, o que impede a aplicação da respectiva multa processual. A propósito: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROCEDENTE. MULTA PREVISTA NO ARTIGO 1.021, § 4º, DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Em que pese o não provimento do agravo interno, a sua interposição, por si só, não pode ser considerada como protelatória, de modo que incabível a aplicação de penalidade à parte que exerce regularmente faculdade processual prevista em lei, nos termos do artigo 1.021, § 4º, do CPC. 2. Embargos de declaração acolhidos, sem efeito modificativo. (EDcl no AgInt nos EAREsp n. 782.294/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 13/12/2017, DJe de 18/12/2017.) PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO RECONHECIDA. MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. MULTA. INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO INTERNO. ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. ATUAÇÃO DENTRO DO SISTEMA RECURSAL. INEXISTÊNCIA DE CONDUTA CONTRÁRIA À BOA-FÉ. EMBARGOS ACOLHIDOS, EM PARTE. 1. Segundo a dicção do artigo 85, § 11, do CPC/2015, afigura-se cabível a majoração dos honorários advocatícios em sede recursal, levando-se em conta, sobretudo, o grau de zelo e o trabalho adicional do patrono da parte vencedora. 2. Considerando que o recurso extraordinário foi interposto na vigência do atual Código de Processo Civil (CPC/2015), é devida a fixação de honorários recursais. 3. A aplicação da multa prevista nos artigos 259, § 4º, do Regimento Interno do STJ e 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. Precedentes. 4. A mera atitude deliberada da parte em interpor o recurso previsto na legislação de regência não conduz à conclusão da má-fé processual. 5. Embargos de declaração parcialmente acolhidos. (EDcl no AgInt no RE no AgInt no AREsp n. 1.441.985/SP, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgado em 9/6/2020, DJe de 15/6/2020.) PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESPONSABILIDADE POR DANO MORAL. ALEGAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO QUANTO A APLICAÇÃO DE MULTA. INEXISTENTE. I - Trata-se de embargos de declaração opostos contra acórdão que desproveu agravo interno. II - A controvérsia dirimida no recurso especial fundou-se em verificar se as agressões físicas e verbais perpetradas por jogador profissional contra árbitro de futebol, na ocasião de disputa da partida final de importante campeonato estadual de futebol, constituem ato ilícito indenizável na Justiça Comum, independentemente de eventual punição aplicada na esfera da Justiça Desportiva. Nesta Corte se deu provimento ao recurso especial para restabelecer os termos da sentença que condenou a parte ré em danos morais. Os embargos de divergência interpostos foram improvidos por decisão unânime. III - Os aclaratórios somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente na decisão, o que não aconteceu no caso dos autos. IV - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. V - Segundo entendimento desta Corte, a aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. A condenação do agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não se verifica na hipótese examinada. VI - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EREsp n. 1.762.786/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, julgado em 16/10/2019, DJe de 22/10/2019.) Logo, não há vício de fundamentação no acórdão embargado, o qual dirimiu integralmente a controvérsia com base no entendimento jurisprudencial aplicável à matéria examinada. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto.