REsp 2060650 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos porque não se constatou obscuridade, contradição, omissão ou erro material no acórdão embargado; o acórdão enfrentou e decidiu a controvérsia, reconhecendo a jurisprudência do STJ sobre cobertura securitária para vícios construtivos no SFH; a alegação de prescrição não constou do acórdão...
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- Parties
- Embargante: Caixa Econômica Federal; Embargado: mutuário
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 October 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento De Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Prescrição, Prequestionamento, Cobertura Securitária, Vícios Construtivos, Súmulas 5, 7 E 211 Do STJ, Recursos Repetitivos
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Parties
Caixa Econômica Federal
Embargante
mutuário
Embargado
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento De Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 existência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão nos termos do art. 1.022 do CPC
- 2 admissibilidade do recurso especial frente às Súmulas 05, 07 e 211 do STJ
- 3 prescrição como matéria de ordem pública e possibilidade de conhecimento de ofício no Recurso Especial
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque não se constatou obscuridade, contradição, omissão ou erro material no acórdão embargado; o acórdão enfrentou e decidiu a controvérsia, reconhecendo a jurisprudência do STJ sobre cobertura securitária para vícios construtivos no SFH; a alegação de prescrição não constou do acórdão nem do recurso especial, e questões de ordem pública no Recurso Especial exigem prequestionamento.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeito os embargos de declaração da Caixa Econômica Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de embargos de declaração (fls. 1.296/1.304) opostos pela Caixa Econômica Federal contra decisum singular que deu provimento ao recurso especial aviado pelo mutuário, determinando a devolução dos autos à origem para o prosseguimento do feito, à luz da jurisprudência do STJ acerca da existência de cobertura securitária para a hipótese de vícios construtivos. Em suas razões, a parte embargante aduz, em resumo, que o julgado restou omisso acerca da "admissibilidade do recurso em vista de que seu conhecimento esbarra nos óbices previstos na Súmula nº 05 e 07 do STJ e Súmula 211 do STJ; além do fato de que, para o exame do mérito, caberia antes um pronunciamento de ofício a teor do prevê o inciso II do art. 1.022 e inciso II do art. 487 do CPC, qual seja a prescrição" (fl. 1.297). Alega, ainda, que, quanto à prescrição, a "matéria que deve ser conhecida de ofício, com efeitos infringentes, para tornar sem efeito a decisão monocrática embargada até que sobrevenha o julgamento do tema 1039 do STJ" (fl. 1.303). Requer, desse modo, o acolhimento dos aclaratórios com efeitos infringentes. Impugnação do embargado às fls. 1.321/1.323. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. De acordo com o previsto no artigo 1.022 do CPC, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição ou omissão do decisum atacado ou, ainda, para corrigir erro material. Contudo, não se verifica a existência de qualquer das deficiências em questão, pois a decisão embargada decidiu, de forma clara e fundamentada, toda a controvérsia posta no recurso. Com efeito, restou devidamente consignado que a jurisprudência deste STJ firmou-se no sentido da existência de cobertura securitária para vícios construtivos nos contratos do Sistema Financeiro de Habitação - SFH. Dessarte, não podem ser acolhidos embargos de declaração que, a pretexto de alegados vícios no julgado, traduzem, na verdade, seu inconformismo com a decisão tomada, pretendendo rediscutir o que já foi decidido. Nesse panorama, inexistente qualquer obscuridade, contradição, omissão ou erro material no decisum embargado, conforme exige o art. 1.022 do CPC, impõe-se a rejeição dos presentes embargos de declaração. A propósito, confiram-se: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL AUSÊNCIA. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. MERO INCONFORMISMO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração têm o objetivo de introduzir o estritamente necessário para eliminar a obscuridade, contradição ou suprir a omissão existente no julgado, além da correção de erro material, não permitindo em seu bojo a rediscussão da matéria. 2. Sabe-se que a omissão que autoriza a oposição dos embargos de declaração ocorre quando o órgão julgador deixa de se manifestar sobre algum ponto do pedido das partes. A contradição, por sua vez, caracteriza-se pela incompatibilidade havida entre a fundamentação e a parte conclusiva da decisão. Já a obscuridade existe quando o acórdão não propicia às partes o pleno entendimento acerca das razões de convencimento expostos nos votos sufragados pelos integrantes da turma julgadora. 3. Não constatados os vícios indicados no art. 1.022, devem ser rejeitados os embargos de declaração, por consistirem em mero inconformismo da parte. (EDcl no REsp n. 1.978.532/SP, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 11/3/2024, DJe de 15/3/2024) PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA REPETITIVA. TEMA 1.115/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MANEJADOS PELO IBDP (AMICUS CURIAE). INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/2015. PRETENSÃO DE AMPLIAÇÃO DA TESE FIXADA. IMPOSSIBILIDADE. REJEIÇÃO DOS ACLARATÓRIOS. 1. Consigna-se, de início, que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual aos recursos interpostos com fundamento no Código de Processo Civil - CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. De acordo com a norma prevista no art. 1.022 do CPC/2015, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição, omissão ou erro material na decisão embargada. 3. No caso, não se verifica a existência de nenhum dos vícios em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia posta no recurso. 4. Não podem ser acolhidos embargos de declaração que, a pretexto de alegadas omissão e obscuridade no julgado combatido, traduzem, na verdade, a pretensão de ampliação da tese delimitada ao ensejo da afetação da controvérsia ao rito dos recursos repetitivos. Portanto, não há falar em omissão ou obscuridade. 5. Embargos de declaração do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário - IBDP rejeitados. (EDcl no REsp n. 1.947.404/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 19/12/2023, DJe de 6/2/2024) Por fim, cumpre afastar a aventada omissão acerca de matéria relacionada à prescrição, haja vista inexistir tal discussão no acórdão recorrido ou mesmo no recurso especial. Nesse aspecto, cumpre registrar que "as questões de ordem pública, embora passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, no estreito âmbito do Recurso Especial, do requisito do prequestionamento" (AgInt no AREsp n. 1.854.288/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 19/10/2023). ANTE O EXPOSTO, rejeito os embargos de declaração da Caixa Econômica Federal. Publique-se. EMENTA