AREsp 2475151 - ACORDAO
Não se verificou qualquer vício apontado pelo art. 1.022 do CPC/2015 no acórdão embargado, de modo que os segundos embargos de declaração constituem mero reexame de matéria já apreciada e possuem caráter protelatório, justificando sua rejeição e a imposição de multa de 1% sobre o valor da causa, nos termos do art....
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- Parties
- Embargante: MÁRCIO NOVAES CUNHA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 October 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração (segundos Embargos) No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial Ação Ordinária / Decisão Colegiada (rejeição Dos Embargos De Declaração)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados com imposição de multa de 1% sobre o valor da causa.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Multa Por Caráter Protelatório, Omissão/obscuridade/contradição/erro Material
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Parties
MÁRCIO NOVAES CUNHA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração (segundos Embargos) No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial Ação Ordinária / Decisão Colegiada (rejeição Dos Embargos De Declaração)
Legal Issues
- 1 Cabimento dos embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do CPC
- 2 Caracterização de embargos como protelatórios e aplicação de multa nos termos do art. 1.026, § 2º do CPC/15
- 3 Alegação de nulidade e suposta violação do Regimento Interno
Ratio Decidendi
Não se verificou qualquer vício apontado pelo art. 1.022 do CPC/2015 no acórdão embargado, de modo que os segundos embargos de declaração constituem mero reexame de matéria já apreciada e possuem caráter protelatório, justificando sua rejeição e a imposição de multa de 1% sobre o valor da causa, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC/15.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados com imposição de multa de 1% sobre o valor da causa.
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração.
- Aplicar multa de 1% sobre o valor da causa, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC/15.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 15/10/2024 a 21/10/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, com aplicação de multa, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO ORDINÁRIA - ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DAS AUTORAS. 1. Os embargos de declaração somente são cabíveis quando houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante dispõe o artigo 1.022 do CPC, o que não se configura na hipótese em tela, porquanto o aresto deste órgão fracionário encontra-se devida e suficientemente fundamentado. 2. Manifesto o caráter protelatório dos segundos embargos de declaração, é de rigor a aplicação de multa sobre o valor atualizado da causa, prevista no § 2º do art. 1.026 do CPC. 3. Embargos de declaração rejeitados, com imposição de multa de 1% sobre o valor da causa.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de segundos embargos de declaração, opostos por MÁRCIO NOVAES CUNHA, contra o acórdão de fls. 1.641-1.644, e-STJ, de relatoria deste signatário, que rejeitou os primeiros embargos. O aresto em questão está assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO ORDINÁRIA - ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DO RÉU. 1. Os embargos de declaração somente são cabíveis quando houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante dispõe o artigo 1.022 do CPC, o que não se configura na hipótese em tela, porquanto o aresto deste órgão fracionário encontra-se devida e suficientemente fundamentado. 2. Inexistindo quaisquer das máculas previstas no aludido dispositivo, não há razão para modificar a decisão impugnada. Precedentes. 3. Embargos de declaração rejeitados. Daí os novos embargos de declaração (fls. 1.648-1.654, e-STJ), no qual a parte embargante reitera os argumentos aventados em seus primeiros embargos de declaração e alega nulidade. Sem impugnação. É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO ORDINÁRIA - ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DAS AUTORAS. 1. Os embargos de declaração somente são cabíveis quando houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante dispõe o artigo 1.022 do CPC, o que não se configura na hipótese em tela, porquanto o aresto deste órgão fracionário encontra-se devida e suficientemente fundamentado. 2. Manifesto o caráter protelatório dos segundos embargos de declaração, é de rigor a aplicação de multa sobre o valor atualizado da causa, prevista no § 2º do art. 1.026 do CPC. 3. Embargos de declaração rejeitados, com imposição de multa de 1% sobre o valor da causa. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Os embargos de declaração não merecem acolhimento, visto que a parte não demonstrou a existência de nenhum vício a macular o julgado, possuindo o recurso nítido caráter infringente. 1. Nos estreitos lindes do artigo 1.022 do Código de Processo Civil, o recurso de embargos de declaração objetiva somente suprir omissão, dissipar obscuridade, afastar contradição ou sanar erro material encontrável em decisão ou acórdão, não podendo ser utilizado como instrumento para a rediscussão do julgado, como pretende a parte ora embargante. Nesse sentido, precedentes desta Corte: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 1.022 E INCISOS DO CPC DE 2015. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Depreende-se do artigo 1.022, e seus incisos, do novo Código de Processo Civil que os embargos de declaração são cabíveis quando constar, na decisão recorrida, obscuridade, contradição, omissão em ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado o julgador, ou até mesmo as condutas descritas no artigo 489, parágrafo 1º, que configurariam a carência de fundamentação válida. Não se prestam os aclaratórios ao simples reexame de questões já analisadas, com o intuito de meramente dar efeito modificativo ao recurso. 2. No caso dos autos não ocorre nenhuma das hipóteses previstas no artigo 1.022 do novo CPC, pois o acórdão embargado apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. .. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no AREsp 860.920/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 02/06/2016, DJe 07/06/2016) grifou-se EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS SOB A ÉGIDE DO CPC/2015. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. NÃO CABIMENTO. CORREÇÃO DE VÍCIO FORMAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 5/STJ. .. 2. Rejeitam-se os embargos declaratórios quando, no acórdão embargado, não há nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015. 3. Os embargos de declaração não se prestam para provocar o reexame de matéria já apreciada. 4. Primeiros embargos de declaração rejeitados. Segundos embargos de declaração não conhecidos. (EDcl no AgRg no AREsp 799.126/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 02/06/2016, DJe 09/06/2016) grifou-se No caso, não há infringência ao artigo 1.022, do CPC, em razão da suficiente fundamentação exarada no acórdão embargado (fls. 1.641-1.644, e-STJ). De se registrar que a alegação de violação do Regimento Interno é absolutamente infundada, na medida que os dispositivos do regimento citados pelo recorrente em nada informam a necessidade de se disponibilizar relatório e voto às partes e seus respectivos advogados. A alegação de tese completamente infundada orienta a conclusão no sentido de que o embargante, já em seus segundos embargos declaratórios, pretende apenas prolongar a resolução da lide, protelando a devolução dos autos à origem para nova apreciação dos embargos declaratórios. Quanto às demais teses suscitadas nestes segundos embargos declaratórios, é suficiente a fundamentação indicada no acórdão que apreciou os primeiros embargos, in litteris (fl. 1.623, e-STJ): De se destacar que o embargante apresenta várias teses meritórias e alega incidência de Súmula 7/STJ, enquanto a decisão embargada tão somente confirma o reconhecimento de omissão - o que não atrai o reexame de provas nem implica em análise meritória, esta que será realizada pelo Tribunal em novo julgamento dos embargos. Por fim, cumpre destacar, mais uma vez, que, consoante jurisprudência desta Corte Superior, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio, como no caso sub judice, no qual a controvérsia foi resolvida com amparo nos elementos constantes dos autos, pronunciando-se o órgão julgador sobre os pontos necessários para formar sua convicção. No mesmo sentido, confira-se: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, a teor do art. 1.022 do CPC, constitui-se em recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podendo, portanto, serem acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, reformar o decidido. 2. A questão relativa à alegação de existência de omissão no acórdão estadual foi apreciada por esta Turma julgadora. 3. O órgão julgador não é obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pelas partes, mas somente sobre aqueles que entender necessários para a sua decisão, de acordo com seu livre e fundamentado convencimento, não caracterizando omissão ou ofensa à legislação infraconstitucional o resultado diferente do pretendido pela parte. Precedentes. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp n. 2.015.401/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 15/3/2023.) grifou-se Deste modo, não se vislumbram quaisquer das máculas do artigo 1.022 do CPC na decisão hostilizada, cuidando-se o presente reclamo de mera irresignação da parte quanto à solução adotada, o que resta vedado na estreita via recursal sob foco. O embargante apenas repisa teses meritórias que não têm o condão de alterar a conclusão desta Quarta Turma no sentido de que os autos devem retornar à origem para novo julgamento dos embargos de declaração. A irresignação trata, portanto, de repetição das razões anteriores, além de alegação de nulidade completamente infundada, o que caracteriza o recurso como protelatório e enseja a aplicação de multa de 1% do valor da causa, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC/15 e da jurisprudência desta Corte. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.742.990/MS, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 24/3/2022; EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.868.808/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 25/4/2022; EDcl nos EDcl no AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.756.445/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 18/3/2022; EDcl nos EDcl no AgInt nos EDcl nos EDcl nos EDcl no AgInt nos EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.296.593/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 25/2/2022. 2. Do exposto, rejeitam-se os embargos de declaração e, ante o caráter manifestamente protelatório, aplico multa de 1% do valor da causa, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC/15. É como voto.