REsp 2134470 - DECISAO
Os embargos foram rejeitados porque não se verificou obscuridade, contradição, omissão ou erro material exigidos pelo art. 1.022 do CPC; além disso, ficou demonstrado que os dispositivos e teses relativos (art. 5º do CPC/2015 e art. 104 do CDC) não foram apreciados pelo Tribunal de origem, impedindo o conhecimento...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: FENAPRF E OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração Em Recurso Especial / Decisão De Rejeição Dos Embargos
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Prequestionamento, Súmula 211/stj, Dissídio Jurisprudencial, Boa Fé Processual, Preclusão Consumativa, Súmula 7/stj, Litispendência, Direito Do Consumidor (cdc)
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Parties
FENAPRF E OUTROS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração Em Recurso Especial / Decisão De Rejeição Dos Embargos
Legal Issues
- 1 omissão e obscuridade no acórdão
- 2 prequestionamento de dispositivos legais
- 3 aplicabilidade da Súmula 211/STJ
Ratio Decidendi
Os embargos foram rejeitados porque não se verificou obscuridade, contradição, omissão ou erro material exigidos pelo art. 1.022 do CPC; além disso, ficou demonstrado que os dispositivos e teses relativos (art. 5º do CPC/2015 e art. 104 do CDC) não foram apreciados pelo Tribunal de origem, impedindo o conhecimento do recurso especial por força da Súmula 211/STJ, e as alegações dos embargantes configuram mero inconformismo destinado à rediscussão de matéria de mérito e de prova, vedada nos aclaratórios e no recurso especial (Súmula 7/STJ).
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados.
Orders
- Rejeito os embargos de declaração.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos pela FENAPRF E OUTROS contra decisão assim ementada (e-STJ fl. 1.034): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS POR VIOLADOS E DAS TESES RECURSAIS. SÚMULA 211/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Nas razões dos embargos, a parte sustenta que o recurso não foi apreciado nem julgado adequadamente, sendo este omisso e obscuro. Refere omissão quanto ao prequestionamento da matéria recorrida, pois o debate da matéria foi claramente realizado nas razões do cabimento do recurso especial. Aduz omissão quanto à violação do art. 5º do CPC, porquanto restou comprovada a ocorrência da preclusão consumativa. Ainda, afirma que a decisão foi omissa quanto ao dever de observância da boa-fé objetiva, considerando que " .. a alegação tardia de pretensa nulidade realizada pela União, contraria a boa-fé, sendo conduta vedada pelo ordenamento jurídico e por essa razão, se faz necessário o reconhecimento dos vícios elencados para reforma da decisão" (fl. 1.055). Também, registra que houve omissão quanto à violação do art. 104 do CDC, visto que a providência constante no dispositivo foi adotada no caso em questão. Por fim, aponta omissão quanto ao dissídio jurisprudencial, já que não houve seu reconhecimento por ocasião do exame das razões do recurso, o que, evidentemente, está em desacordo com o entendimento jurisprudencial sobre a matéria. Pugna, assim, " .. pelo conhecimento dos aclaratórios, porque tempestivos e cabíveis, bem como, pelo seu provimento, ao tempo em que, sanados os vícios elencados nesta peça e atribuídos efeitos infringentes" (fl. 1.061). Sem impugnação. É o relatório. Decido. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. A decisão ora embargada, ao analisar as questões relativas à ocorrência da preclusão consumativa, violação aos preceitos da boa-fé processual, suppressio e proibição de adoção de comportamento contraditório, bem como ao fato de que não se configurou o instituto da litispendência no caso dos autos, assentou que os artigos e as teses a eles vinculadas não foram apreciados pela Corte de origem, fazendo incidir a Súmula 211/STJ. A aplicação do referido óbice foi devidamente fundamentada, nos seguintes termos (fl. 1.036): .. Na hipótese dos autos, evidencia-se que os artigos 5º do CPC/2015 e 104 do CDC e as teses a eles vinculadas não foram apreciados pela Corte de origem, inclusive após terem sido opostos os embargos de declaração, o que acarreta o não conhecimento do recurso especial pela falta de cumprimento ao requisito do prequestionamento. Aplica-se à hipótese a Súmula 211/STJ. .. No tocante à alegação de omissão quanto à comprovação do dissídio jurisprudencial, colhe-se da decisão embargada a seguinte fundamentação (fls. 1.036-1.037): .. Ademais, segundo entendimento desta Corte, a inadmissão do recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, a, da Constituição Federal, em razão da incidência de enunciado sumular, prejudica o exame do recurso no ponto em que suscita divergência jurisprudencial se o dissídio alegado diz respeito ao mesmo dispositivo legal ou tese jurídica, o que ocorreu na hipótese. Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp 2.417.127/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 18/4/2024; AgInt no AREsp 1.550.618/MG, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe 11/4/2024; AgInt no REsp 2.090.833/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 14/12/2023; AgInt no AREsp 2.295.866/SC, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/9/2023. .. Logo, não se verifica na decisão embargada nenhuma situação que dê amparo ao recurso integrativo, estando evidente que a alegação de omissão/obscuridade se caracteriza, em verdade, como mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, propósitos estes para os quais não se prestam os aclaratórios. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC. REDISCUSSÃO DA CONTROVÉRSIA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO REJEITADO. 1. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na espécie. 2. Não constatada a presença de nenhum vício que justifique esclarecimento, complemento ou eventual integração do que foi decidido, a rejeição dos aclaratórios é medida que se impõe. 3. A parte embargante defende que não seria o caso de análise de provas, visto que a própria ementa do acórdão do Tribunal de origem consignou que, de "acordo com o estatuto social da autora, devidamente registrado, a embargante tem como objeto social "a indústria, comércio, exportação de móveis e compensados, importação de matérias-primas, maquinaria, material secundário e tudo mais concernente à indústria do mobiliário em geral, agricultura e pecuária em todas as suas modalidades, bem como, participar em outras empresas, como meio de realizar o objeto social ou para beneficiar-se de incentivos fiscais" (evento 1, CONTRSOCIAL3, fls. 4-5)" (fls. 562/563). 4. Entendimento diverso, conforme pretendido, implicaria necessariamente o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não na valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. Sendo assim, incide no presente caso a Súmula 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 5. A argumentação apresentada pela parte embargante denota mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, mas não se prestam os aclaratórios a esse fim. 6. Os embargos de declaração não constituem instrumento adequado a rever entendimento já manifestado e devidamente embasado, à correção de eventual error in judicando ou ao prequestionamento de dispositivos constitucionais, mesmo que com vistas à interposição de recurso extraordinário. 7. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no AREsp n. 2.093.035/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 17/11/2023.) (Grifei). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS. NÃO OCORRÊNCIA. BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. ANTERIOR INDEFERIMENTO. NOVO PEDIDO. CONDIÇÃO FINANCEIRA. ALTERAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração têm ensejo quando há obscuridade, contradição, omissão ou erro material no julgado. 2. Hipótese em que não há no acórdão nenhuma situação que dê amparo ao recurso integrativo, porquanto o vício alegado pelo embargante, na realidade, manifesta seu inconformismo com o desprovimento do agravo interno. 3. "A jurisprudência deste Tribunal Superior firmou-se no sentido de que cabe ao requerente demonstrar a alteração de sua condição financeira para a obtenção da gratuidade da justiça quando o benefício não foi requerido perante as instâncias ordinárias, bem como nos casos em que a benesse tenha sido anteriormente indeferida, não bastando a mera declaração de hipossuficiência. (AgInt no REsp n. 1.951.005/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/12/2021, DJe de 15/12/2021.). 4. No caso dos autos, o pleito foi indeferido no primeiro grau de jurisdição e não houve demonstração de que tenha havido alteração na situação financeira do embargante, sendo certo que a improcedência do pedido autoral, por si só, não justifica a concessão do benefício neste momento processual. 5. Embargos de declaração rejeitados e pedido de concessão do benefício da justiça gratuita indeferido. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.968.885/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 17/11/2023.) (Grifei). Assim, evidencia-se não ter ocorrido falta de clareza, insuficiência de fundamentação ou erro material a ensejar esclarecimento ou complementação do que já decidido. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.