AREsp 2535144 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência dos vícios previstos no art. 1.022 do NCPC (omissão, obscuridade, contradição ou erro material), por perseguirem efeito infringente e rediscussão do julgado; ademais, caracterizados como manifestamente protelatórios, implicam aplicação da multa de 2% sobre o...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: ALDREI SCHMITT; Embargante: ANDRÉ SCHMITT; Embargante: GABRIEL SCHMITT; Embargante: LÚCIA ENI SCHMITT; Embargante: ELIMAR SCHMITT; Embargante: ILGA SCHMITT; Embargada: GEES S.A.; Embargada: RISA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados, com imposição de multa.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Agravo Interno, Agravo Em Recurso Especial, Conversão De Moeda Estrangeira, Multa Processual, Súmula 83 Do STJ, Súmula 211 Do STJ, Art. 1.022 Do NCPC, Art. 1.026, § 2º, Do NCPC
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ALDREI SCHMITT
Embargante
ANDRÉ SCHMITT
Embargante
GABRIEL SCHMITT
Embargante
LÚCIA ENI SCHMITT
Embargante
ELIMAR SCHMITT
Embargante
ILGA SCHMITT
Embargante
GEES S.A.
Embargada
RISA S.A.
Embargada
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
Legal Issues
- 1 cabimento dos embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do NCPC
- 2 momento da conversão de dívida em moeda estrangeira (data da contratação vs. data do pagamento)
- 3 incidência da Súmula n. 211 do STJ quanto à ausência de prequestionamento
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência dos vícios previstos no art. 1.022 do NCPC (omissão, obscuridade, contradição ou erro material), por perseguirem efeito infringente e rediscussão do julgado; ademais, caracterizados como manifestamente protelatórios, implicam aplicação da multa de 2% sobre o valor atualizado da causa nos termos do art. 1.026, § 2º, do NCPC. Foi mantido o entendimento de que a conversão de dívidas em moeda estrangeira se dá com base na cotação da data da contratação, e a matéria relativa ao art. 884 do CC/2002 não foi prequestionada, incidindo a Súmula 211 do STJ.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados, com imposição de multa.
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração.
- Condenar ALDREI SCHMITT e outros ao pagamento, proporcionalmente, da multa de 2% sobre o valor atualizado da causa em favor de GEES S.A. e RISA S.A., nos termos do art. 1.026, § 2º, do NCPC, com observância da suspensão da exigibilidade dos ônus sucumbenciais, nos termos do art. 98, § 3º, do NCPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, com aplicação de multa, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. PRETENSÃO DE REJULGAMENTO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROTELATÓRIO. IMPOSIÇÃO DE MULTA. ART. 1.026, § 2º, DO NCPC. DECISÃO MANTIDA. EMBARGOS REJEITADOS, COM IMPOSIÇÃO DE MULTA. 1. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022 do NCPC, não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente. 2. Os aclaratórios não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado que negou provimento ao agravo interno em virtude da incidência das Súmulas n. 83 e 211 do STJ. 3. Em virtude da rejeição dos presentes aclaratórios, e sendo evidenciado o seu caráter manifestamente protelatório, incide ao caso a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do NCPC, no percentual de 2% sobre o valor atualizado da causa. 4. Embargos de declaração rejeitados, com imposição de multa.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por ALDREI SCHMITT, ANDRÉ SCHMITT, GABRIEL SCHMITT, LÚCIA ENI SCHMITT, ELIMAR SCHMITT e ILGA SCHMITT (ALDREI e outros) contra acórdão de minha relatoria, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE INSUMOS AGRÍCOLAS. IMPORTAÇÃO. PAGAMENTO EM MOEDA ESTRANGEIRA. CONVERSÃO DA MOEDA ESTRANGEIRA COM BASE NA COTAÇÃO DA DATA DA CONTRATAÇÃO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM O ENTENDIMENTO FIRMADO NO STJ. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. TEMA NÃO DEBATIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 211 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, as dívidas fixadas em moeda estrangeira deverão, no ato de quitação, ser convertidas para a moeda nacional, com base na cotação da data da contratação, e, a partir daí, atualizadas com base em índice oficial de correção monetária. Precedentes. 2. A matéria referente ao art. 884 do CC/2002 não foi objeto de debate prévio nas instâncias de origem. Ausente, portanto, o devido prequestionamento nos termos da Súmula n. 211 do STJ. 3. Agravo interno não provido (e-STJ, fls. 529/530). Nas razões do presente inconformismo, repisando os argumentos trazidos nas razões recursais, alegaram omissão aduzindo que a conversão de moeda estrangeira deve ocorrer na data do pagamento. Não houve impugnação ao recurso (e-STJ, fl. 564). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. PRETENSÃO DE REJULGAMENTO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROTELATÓRIO. IMPOSIÇÃO DE MULTA. ART. 1.026, § 2º, DO NCPC. DECISÃO MANTIDA. EMBARGOS REJEITADOS, COM IMPOSIÇÃO DE MULTA. 1. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022 do NCPC, não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente. 2. Os aclaratórios não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado que negou provimento ao agravo interno em virtude da incidência das Súmulas n. 83 e 211 do STJ. 3. Em virtude da rejeição dos presentes aclaratórios, e sendo evidenciado o seu caráter manifestamente protelatório, incide ao caso a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do NCPC, no percentual de 2% sobre o valor atualizado da causa. 4. Embargos de declaração rejeitados, com imposição de multa. VOTO Os embargos de declaração não comportam acolhimento. O inconformismo agora manejado não merece acolhimento em virtude da ausência dos vícios previstos no art. 1.022 do NCPC. O acórdão recorrido não foi obscuro, omisso, contraditório e tampouco apresentou erro material, tendo concluído pela incidência das Súmulas n. 83 e 211 do STJ. Ficou explicitado, em relação à alegada violação do art. 1º da Lei n. 10.192/2001 e dissídio jurisprudencial, no que concerne à conversão de moeda estrangeira, que o Tribunal local se manifestou nos seguintes termos: A questão central deste recurso versa sobre o contrato de confissão de dívida DB 043/2019 para o fornecimento de produtos para labor rural da safra 2019/2020. Isto porque tal contrato celebrado fixou condições de pagamento em moeda americana, sendo questionado sua conversão em real se daria com base na cotação da taxa de venda do dólar comercial SISBACEN - PTAX800, do dia anterior à data do efetivo pagamento. .. Analisando os autos, verifica-se que deve ser mantida a sentença recorrida, pois, consistente em confissão de dívida DB 043/2019 para o fornecimento de produtos para labor rural da safra 2019/2020, e as condições de pagamento com préfixação em dólar americano, está de acordo com os arts. 318 e 422 do CC. .. No caso, deve prevalecer os termos da sentença recorrida, não se podendo acolher a tese que cotação do Dólar seria a data do pagamento. Isto porque, apesar do art. 1º da Lei nº 10.192/01 proíbir a estipulação de pagamentos em moeda estrangeira para obrigações exequíveis no Brasil, regra essa encampada pelo art. 318 do CC/02, em sua primeira parte, há a exceção nas hipóteses previstas nos arts. 1 o e 2º, inciso I, do Decreto-Lei n. 857/1969, que assim dispõe: .. Desta feita, conforme observado acima é possível a contratação e pagamento em moeda estrangeira quando se trata de importação e exportação de mercadorias, sendo que a data da conversão coincide com a data da contratação e não a data do pagamento. .. Na hipótese dos autos, inexiste previsão de pagamento futuro, logo, deve ser convertida para moeda nacional com base na cotação da data da contratação e, a partir daí, atualizadas com base em índice de correção monetária admitido pela legislação pátria (e-STJ, fls. 271-274 - sem destaques no original). Salientou-se que o Tribunal local estaria em conformidade com a jurisprudência desta Corte no sentido de que as dívidas fixadas em moeda estrangeira deverão, no ato de quitação, ser convertidas para a moeda nacional, com base na cotação da data da contratação, e, a partir daí, atualizadas com base em índice oficial de correção monetária. Precedentes. Foi ressaltado, em relação à alegada violação do art. 884 do CC/2002, que não houve manifestação pelo Tribunal local, apesar da interposição de embargos de declaração, incidindo a Súmula n. 211 do STJ. Afirmou-se ser imprescindível que o Tribunal local tenha emitido juízo de valor sobre os preceitos indicados como violados, o que não ocorreu na hipótese examinada, mesmo após a oposição de embargos de declaração. Assim, com base no que dispõe a Súmula n. 211 desta Corte, o recurso especial não poderia mesmo ter sido aqui analisado: Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Vale salientar que os embargos de declaração constituem recurso de estreitos limites processuais, somente sendo cabíveis nas hipóteses previstas no art. 1.022 do NCPC, ou seja, para sanar omissão, contradição, obscuridade ou corrigir erro material no acórdão, o que não ocorreu no caso presente. A mera veiculação de inconformismo não é finalidade a que se prestam. Nesse sentido, confiram-se os precedentes: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO OU ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Rejeitam-se os embargos declaratórios quando, no acórdão embargado, não há nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015. 2. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no AREsp 214.812/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Terceira Turma, j. 19/5/2016, DJe 24/5/2016 - sem destaque no original) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 1.022 E INCISOS DO CPC DE 2015. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Depreende-se do artigo 1.022, e seus incisos, do novo Código de Processo Civil que os embargos de declaração são cabíveis quando constar, na decisão recorrida, obscuridade, contradição, omissão em ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado o julgador, ou até mesmo as condutas descritas no artigo 489, parágrafo 1º, que configurariam a carência de fundamentação válida. Não se prestam os aclaratórios ao simples reexame de reje questões já analisadas, com o intuito de meramente dar efeito modificativo ao recurso. 2. No caso dos autos não ocorre nenhuma das hipóteses previstas no artigo 1.022 do novo CPC, pois o acórdão embargado apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. .. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no AREsp 817.655/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma, j. 19/5/2016, DJe 27/5/2016 - sem destaques no original) Em suma, a pretensão desborda das hipóteses de cabimento dos aclaratórios, previstas no art. 1.022 do NCPC. Assim, evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos aclaratórios, uma vez verificado o não conhecimento do agravo interno e a rejeição dos presentes aclaratórios com pretensão de efeito infringente, postergando a efetividade da prestação jurisdicional, condeno ALDREI e outros, proporcionalmente, ao pagamento da multa de 2% sobre o valor atualizado da causa em favor de GEES S.A. E RISA S.A., nos termos do art. 1.026, § 2º, do NCPC, observada a suspensão da exigibilidade dos ônus sucumbenciais, a teor do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. Nessas condições, REJEITO os embargos de declaração, com imposição da multa. É o voto.