EREsp 2106933 - ACORDAO
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque o acórdão embargado examinou de forma adequada as questões submetidas ao STJ, não apresentou os vícios enumerados no art. 619 do CPP, não houve demonstração de dissídio jurisprudencial com similitude fática e a condenação se apoiou também em outros elementos de prova...
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- Parties
- Embargante: MARCELO CRISTIAN BATISTA DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Regimental Nos Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Agravo Regimental, Embargos De Divergência, Dissídio Jurisprudencial, Reconhecimento De Pessoa Suspeita, Artigo 619 Do Código De Processo Penal, Artigo 226 Do Código De Processo Penal
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Parties
MARCELO CRISTIAN BATISTA DE SOUZA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Regimental Nos Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 alegação de omissão no acórdão
- 2 demonstração de dissídio jurisprudencial
- 3 necessidade de similitude fática entre julgados
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque o acórdão embargado examinou de forma adequada as questões submetidas ao STJ, não apresentou os vícios enumerados no art. 619 do CPP, não houve demonstração de dissídio jurisprudencial com similitude fática e a condenação se apoiou também em outros elementos de prova além do reconhecimento, de modo que os embargos não poderiam ser utilizados para rediscutir o mérito da decisão.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Embargos de declaração rejeitados
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 13/11/2024 a 19/11/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Daniela Teixeira e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ribeiro Dantas. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS. 1. O julgado embargado analisou fundamentadamente todas as questões submetidas ao crivo do Superior Tribunal de Justiça, nele não se apresentando nenhum dos vícios de expressão elencados no art. 619 do Código de Processo Penal (ambiguidade, omissão, contradição ou obscuridade). 2. Os embargos de declaração não se prestam para rediscutir matéria já devidamente enfrentada e decidida pelo acórdão embargado. 3. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Cuida-se de embargos de declaração opostos por MARCELO CRISTIAN BATISTA DE SOUZA contra acórdão desta Terceira Seção que negou provimento ao agravo regimental nos seguintes termos (e-STJ fl. 3.208): AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO EMBARGADO E O JULGADO PARADIGMA. NÃO CABIMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Os embargos de divergência objetivam estancar a adoção de teses diversas para casos semelhantes, uma vez que sua função precípua é a de uniformizar a jurisprudência interna do Tribunal, de modo a retirar antinomias entre julgamentos sobre questões ou teses submetidas à sua apreciação. Não se prestam, portanto, a corrigir suposto erro de julgamento do recurso especial. 2. Nos embargos de divergência, para apreciação e comprovação do dissídio pretoriano, não basta a transcrição de ementas e excertos dos julgados; devem-se expor as circunstâncias que identificam os casos confrontados, impondo-se a demonstração da similitude fática entre o acórdão embargado e os paradigmas com tratamento jurídico diverso, o que, contudo, não configura a hipótese dos autos. 3. Ademais, as teses jurídicas manifestadas no acórdão embargado e nos paradigmas não são divergentes, sendo certo que a solução adotada por eles é diversa em virtude da dessemelhança entre os suportes fáticos de cada um. 4. Não há divergência entre as turmas da Terceira Seção a respeito da necessidade de observância do procedimento previsto no art. 226 do CPP para reconhecimento de pessoa suspeita, mas sim uma constatação do acórdão embargado de que, no caso em exame, a condenação se baseia não apenas no reconhecimento mas também em outros elementos de prova, produzidos sob o crivo do contraditório, que corroboraram o referido depoimento. 5. Agravo regimental desprovido. Em suas razões, a defesa alega que o acórdão embargado é omisso quanto às seguintes alegações formuladas nos embargos de divergência: "os depoimentos dos corréus LEONARDO e JÚLIO CÉSAR não foram realizados sobre o crivo do contraditório (art. 5º, LV, CR/88) e que também não havia sido respeitado o direito à ampla defesa e paridade de armas (art. 5º, LV, CR/88), pois não constou a nomeação de um defensor em favor do réu MARCELO CRISTIAN nos autos processo desmembrado n. 070103061054-0, onde ocorreram os depoimentos e citado no acórdão; e também porque a defesa do réu, intimada a se manifestar se ratificava ou não as provas já produzidas, manifestou-se no sentido de não ratificação, requerendo a reprodução/repetição de todas as provas em juízo, incluindo os depoimentos dos corréus" (e-STJ fl. 3.222). Requer o acolhimento dos embargos de declaração, com efeitos infringentes. É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS. 1. O julgado embargado analisou fundamentadamente todas as questões submetidas ao crivo do Superior Tribunal de Justiça, nele não se apresentando nenhum dos vícios de expressão elencados no art. 619 do Código de Processo Penal (ambiguidade, omissão, contradição ou obscuridade). 2. Os embargos de declaração não se prestam para rediscutir matéria já devidamente enfrentada e decidida pelo acórdão embargado. 3. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): A despeito das alegações expendidas, constata-se que o julgado embargado analisou fundamentadamente todas as questões submetidas ao crivo do Superior Tribunal de Justiça, nele não se apresentando nenhum dos vícios de expressão elencados no art. 619 do Código de Processo Penal (ambiguidade, omissão, contradição ou obscuridade). In casu, o acórdão embargado foi claro e expresso ao consignar que, para apreciação e comprovação do dissídio pretoriano, não basta a transcrição de ementas e excertos dos julgados, como na presente hipótese; devem-se, no entanto, expor as circunstâncias que identificam os casos confrontados, impondo-se a demonstração da similitude fática entre o acórdão embargado e o paradigma com tratamento jurídico diverso. No presente caso, contudo, os embargos de divergência não foram admitidos em razão da ausência de demonstração da divergência jurisprudencial nos termos do art. 266, § 4º, do RISTJ e de similitude fática entre o acórdão embargado e o paradigma. Com efeito, não há, efetivamente, divergência entre as turmas da Terceira Seção a respeito da nec essidade de observância do procedimento previsto no art. 226 do CPP para reconhecimento de pessoa suspeita, mas sim uma constatação do acórdão embargado de que, no caso em exame, "a condenação se baseia não apenas no reconhecimento, mas também em outros elementos de prova, produzidos sob o crivo do contraditório, que corroboraram o referido depoimento" (e-STJ fl. 3.106). Desse modo, não há que se falar em omissão, contradição ou obscuridade no julgado. Percebe-se, isto sim, que há uma insatisfação da parte quanto ao resultado do julgamento e a pretensão de modificá-lo por meio de instrumento processual nitidamente inábil à finalidade almejada. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO Relator