RHC 207638 - DECISAO
Os embargos foram rejeitados por ausência de omissão, contradição, ambiguidade ou obscuridade no acórdão impugnado; a prisão preventiva está suficientemente fundamentada na necessidade de garantia da ordem pública diante de risco à integridade da vítima e de reiterados descumprimentos de medidas protetivas, não...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: RONE CONCEICAO ALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 November 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Contradição, Obscuridade, Prisão Preventiva, Medidas Protetivas De Urgência, Monitoramento Eletrônico
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RONE CONCEICAO ALVES
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Cabimento dos embargos de declaração diante de alegada omissão/contradição
- 2 Fundamentação da prisão preventiva (base fática apontada pelo embargante versus fundamentos do julgador)
- 3 Possibilidade de inovação recursal em embargos de declaração (art. 316, parágrafo único, CPP)
Ratio Decidendi
Os embargos foram rejeitados por ausência de omissão, contradição, ambiguidade ou obscuridade no acórdão impugnado; a prisão preventiva está suficientemente fundamentada na necessidade de garantia da ordem pública diante de risco à integridade da vítima e de reiterados descumprimentos de medidas protetivas, não tendo sido decretada com base em suposto não cumprimento do monitoramento eletrônico; além disso, o embargante pretende rediscutir matéria e introduzir inovação recursal, o que não é admitido em embargos declaratórios.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeito os embargos de declaração.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por RONE CONCEICAO ALVES contra decisão que negou provimento do recurso em habeas corpus. O embargante sustenta, em síntese, que a decisão embargada "padece de contradição e omissão" relativamente à análise da "alegação de que a prisão preventiva foi decretada com base no não cumprimento do monitoramento eletrônico, situação que não condiz com a realidade dos fatos, pois o paciente já estava devidamente monitorado por tornozeleira eletrônica no momento da decretação e da prisão" (e-STJ, fl. 409). Pleiteia o acolhimento dos embargos declaratórios com efeitos infringentes para que a prisão preventiva imposta a ele seja revogada ou substituída por medidas cautelares alternativas. É o relatório. Os embargos não merecem ser acolhidos. Isso porque, nos termos do art. 619 do Código de Processo Penal, os embargos de declaração, como recurso de correção, destinam-se a suprir omissão, contradição, ambiguidade ou obscuridade existente em julgado. Não se prestam, portanto, para revisão, por mero inconformismo da parte, de decisão já tomada. Sobre o tema: "PENAL E PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. 1. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. MERA IRRESIGNAÇÃO. NÃO CABIMENTO. 2. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração possuem fundamentação vinculada. Dessa forma, para seu cabimento, é necessária a demonstração de que a decisão embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa, conforme disciplina o art. 619 do Código de Processo Penal. A mera irresignação com o entendimento apresentado no acórdão embargado não viabiliza a oposição dos aclaratórios. 2. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl no RHC 173.448/DF, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 16/5/2023, DJe de 19/5/2023). "PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. APONTADA CONTRADIÇÃO ENTRE O ACÓRDÃO EMBARGADO E A JURISPRUDÊNCIA DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DA SUPREMA CORTE. NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO DA IDENTIDADE DA TESTEMUNHA. SUPOSTA ATUAÇÃO DE GRUPO DE EXTERMÍNIO. TEMA DECIDIDO DE FORMA CLARA E OBJETIVA. INEXISTÊNCIA DO VÍCIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração são cabíveis somente nas hipóteses do art. 619 do Código de Processo Penal, isto é, nos casos de ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão no acórdão embargado. 2. Consoante jurisprudência desta Corte, a contradição que justifica a oposição e o acolhimento de embargos de declaração é aquela interna ao julgado, entre os fundamentos e o dispositivo, o que não se verifica na espécie. (EDcl no AgRg no AREsp n. 1.819.821/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 29/3/2022, DJe de 4/4/2022.) 3. Na espécie, o acórdão embargado posicionou-se de forma clara e objetiva ao decidir, conclusivamente, que o caso exige uma análise de ponderação de valores, especialmente por ser compreensível o temor da testemunha, assim como verossímil o perigo à sua vida e integridade ao fornecer informações referentes ao caso, mesmo porque a denúncia apura a atuação de um suposto grupo de extermínio formado por policiais que atuam no Estado do Ceará. Assim, justificável, diante da gravidade das circunstâncias do fato, a medida de preservação da identidade e dos dados pessoais da testemunha protegida. 4. Assim, a contradição que autoriza a abertura dos embargos de declaração é a contradição interna, existente entre a fundamentação e a conclusão do decisum ou entre premissas do próprio julgado, e não a contradição externa, relativa à incompatibilidade do julgado com tese, lei ou precedente tido como correto pela insurgente. 5. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl no AgRg no HC 765.766/CE, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 27/6/2023, DJe de 30/6/2023). "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. OMISSÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Conforme estabelece o art. 619 do Código de Processo Penal - CPP, os embargos de declaração são cabíveis nas hipóteses de correção de omissão, obscuridade, ambiguidade ou contrariedade no acórdão embargado. Ainda, admitem-se para correção de erro material, conforme art. 1.022, III, do Código de Processo Civil - CPC. Tais hipóteses não restaram configuradas nos autos. 2. Quanto à obscuridade, somente se constata tal vício nas hipóteses de ausência de clareza nos fundamentos do julgado, o que não se aplica ao acórdão do agravo regimental, pois, pela simples leitura extrai-se a ratio decidendi do órgão colegiado. 3. "Segundo Jurisprudência desta Corte Superior "o julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas" (AgRg no AREsp n. 1.130.386/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 8/11/2017)" (EDcl no REsp 1.764.230/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, DJe 6/3/2019). 4. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl no AgRg nos EDcl nos EDcl no HC 812.951/MS, Relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 15/8/2023, DJe de 18/8/2023). In casu, assentei, na decisão embargada, que a custódia cautelar está suficientemente fundamentada na necessidade de garantia da ordem pública, ante o evidente risco à integridade física e psicológica da vítima. Isso porque o ora recorrente, conquanto tivesse sido intimado acerca das medidas protetivas de urgência anteriormente impostas a ele - consistentes nas proibições de contato e de aproximação da ofendida -, enviou mensagens de texto para ela, bem como fixou uma carta no portão da residência dela. Como se não bastasse, ele também responde a vários processos em contexto de violência doméstica e familiar, em virtude de descumprimentos de medidas protetivas de urgência. Vê-se, portanto, que a prisão preventiva em exame não foi decretada - nem mantida (na decisão embargada) - com base no não cumprimento em medida cautelar de monitoramento eletrônico. Além disso, "o julgador não está obrigado a refutar todos os argumentos invocados pelas partes, bastando que os fundamentos expendidos sejam suficientes para embasar a decisão" (EDcl nos EDcl no AgRg no RHC 137.734/PR, Relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 8/3/2022, DJe de 11/3/2022). Ademais, "a contradição que autoriza o conhecimento dos embargos declaratórios é a interna ao julgado, caracterizada por proposições inconciliáveis entre si" (EDcl no AgRg no AREsp 246.939/SP, Relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 4/8/2015, DJe 12/8/2015). De mais a mais, o pedido de confirmação de inexistência da revisão prevista no art. 316, parágrafo único, do CPP (e-STJ, fl. 411) representa inovação recursal - vedada em sede de embargos declaratórios -, porquanto não houve sequer menção a essa questão na petição inicial do recurso ordinário em habeas corpus. Assim, entendo que o embargante não demonstrou a ocorrência de qualquer vício, pretendendo, a pretexto da existência de suposta omissão, contradição ou obscuridade, rediscutir o julgado. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA