AREsp 2546199 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão embargado (art. 1.022 CPC); o acórdão enfrentou as questões essenciais, demonstrando que a TERRASA tinha poderes para representar a SPAL e que a BRASQUÍMICA só tomou ciência de eventual desacordo...
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- Parties
- Embargante; Ré: SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A; Vendedora: BRASQUÍMICA PRODUTOS ASFÁLTICOS LTDA.; Mandatária / Representante: TERRASA ENGENHARIA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 November 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial Ação Condenatória / Julgamento Colegiado (rejeição Dos Embargos De Declaração)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Fundamentação Judicial (omissão/obscuridade/contradição), Reexame De Matéria Fática E Probatória, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Representação Contratual E Poderes
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Parties
SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A
Embargante; Ré
BRASQUÍMICA PRODUTOS ASFÁLTICOS LTDA.
Vendedora
TERRASA ENGENHARIA LTDA.
Mandatária / Representante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial Ação Condenatória / Julgamento Colegiado (rejeição Dos Embargos De Declaração)
Legal Issues
- 1 cabimento dos embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do CPC
- 2 verificação de omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão
- 3 possibilidade de rediscussão de matéria fática e probatória em recurso especial
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão embargado (art. 1.022 CPC); o acórdão enfrentou as questões essenciais, demonstrando que a TERRASA tinha poderes para representar a SPAL e que a BRASQUÍMICA só tomou ciência de eventual desacordo após a entrega do material; acolher os aclaratórios exigiria reexame de prova e interpretação contratual, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ; a multa prevista no art. 1.026, §2º, do CPC não foi aplicada por não se tratar de embargos manifestamente protelatórios.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração opostos por SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A
- Não aplicar, neste momento, a multa prevista no artigo 1.026, § 2º, do CPC
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 19/11/2024 a 25/11/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA RÉ. 1. Os embargos de declaração somente são cabíveis quando houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante dispõe o artigo 1.022 do CPC, o que não se configura na hipótese em tela, porquanto o aresto deste órgão fracionário encontra-se devida e suficientemente fundamentado. 2. Inexistindo quaisquer das máculas previstas no aludido dispositivo, não há razão para modificar a decisão impugnada. Precedentes. 3. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de embargos de declaração, opostos por SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A, contra o acórdão de fls. 1.170-1.175, e-STJ, de relatoria deste signatário, que negou provimento ao agravo interno interposto pela parte ora insurgente. O aresto em questão está assim ementado: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. IRRESIGNAÇÃO RECURSAL DA RÉ. 1. Violação aos artigos 489 e 1.022 do CPC não configurada. Acórdão estadual que enfrentou todos os aspectos essenciais à resolução da controvérsia de forma ampla e fundamentada, sem omissão ou obscuridade. Precedentes. 2. Para derruir as conclusões contidas no acórdão recorrido e acolher o inconformismo recursal no sentido de afastar a responsabilidade da ré e verificar eventual ciência da suspensão do contrato entre as corrés, segundo as razões vertidas no apelo extremo, seria imprescindível o reexame de cláusulas contratuais e o revolvimento de matéria fática e probatória, providências que esbarram nos óbices das Súmulas 5 e 7 desta Corte. 3. Agravo interno desprovido. Daí os presentes embargos de declaração (fls. 1.181-1.186, e-STJ), no qual a parte embargante reitera os argumentos aventados em seu recurso especial e seu agravo interno no tocante à ciência da BRASQUÍMICA acerca dos desentendimentos entre as requeridas. Impugnação às fls. 1.208-1.215, e-STJ. É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA RÉ. 1. Os embargos de declaração somente são cabíveis quando houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante dispõe o artigo 1.022 do CPC, o que não se configura na hipótese em tela, porquanto o aresto deste órgão fracionário encontra-se devida e suficientemente fundamentado. 2. Inexistindo quaisquer das máculas previstas no aludido dispositivo, não há razão para modificar a decisão impugnada. Precedentes. 3. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Os embargos de declaração não merecem acolhimento, visto que a parte não demonstrou a existência de nenhum vício a macular o julgado, possuindo o recurso nítido caráter infringente. 1. Nos estreitos lindes do artigo 1.022 do Código de Processo Civil, o recurso de embargos de declaração objetiva somente suprir omissão, dissipar obscuridade, afastar contradição ou sanar erro material encontrável em decisão ou acórdão, não podendo ser utilizado como instrumento para a rediscussão do julgado, como pretende a parte ora embargante. Nesse sentido, precedentes desta Corte: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 1.022 E INCISOS DO CPC DE 2015. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Depreende-se do artigo 1.022, e seus incisos, do novo Código de Processo Civil que os embargos de declaração são cabíveis quando constar, na decisão recorrida, obscuridade, contradição, omissão em ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado o julgador, ou até mesmo as condutas descritas no artigo 489, parágrafo 1º, que configurariam a carência de fundamentação válida. Não se prestam os aclaratórios ao simples reexame de questões já analisadas, com o intuito de meramente dar efeito modificativo ao recurso. 2. No caso dos autos não ocorre nenhuma das hipóteses previstas no artigo 1.022 do novo CPC, pois o acórdão embargado apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. .. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no AREsp 860.920/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 02/06/2016, DJe 07/06/2016) grifou-se EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS SOB A ÉGIDE DO CPC/2015. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. NÃO CABIMENTO. CORREÇÃO DE VÍCIO FORMAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 5/STJ. .. 2. Rejeitam-se os embargos declaratórios quando, no acórdão embargado, não há nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015. 3. Os embargos de declaração não se prestam para provocar o reexame de matéria já apreciada. 4. Primeiros embargos de declaração rejeitados. Segundos embargos de declaração não conhecidos. (EDcl no AgRg no AREsp 799.126/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 02/06/2016, DJe 09/06/2016) grifou-se No caso, não há infringência ao artigo 1.022, do CPC, em razão da suficiente fundamentação exarada no acórdão embargado (fls. 1.170-1.175, e-STJ). Na hipótese em foco, o decisum embargado não possui vício a ser sanado por meio de embargos de declaração, visto que esta eg. Quarta Turma decidiu a controvérsia com base no entendimento adotado no âmbito desta Corte, sendo clara na sustentação das razões do desprovimento do agravo interno. É o que se extrai do seguinte trecho do julgado: 1. De início, a agravante repisa suas razões no sentido da violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC, ao argumento de deficiência na fundamentação em razão de omissão e obscuridade no acórdão recorrido, não sanadas quando do julgamento dos embargos de declaração. Sustenta que o acórdão fora omisso sobre o excesso de mandato, da boa-fé, da probidade e da ocorrência de enriquecimento ilícito, afirmando fatos acerca de eventual ciência de suspensão do contrato. Razão não lhe assiste, no ponto. Não se vislumbram os alegados vícios, pois o órgão julgador dirimiu a controvérsia de forma ampla e fundamentada, conforme se infere às fls. 819-821, e-STJ: Melhor explicando, as provas produzidas não deixam dúvidas de que, à época da alienação, a TERRASA ENGENHARIA LTDA. estava autorizada a atuar como representante da SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS, nos termos da Cláusula 2.1 do contrato celebrado entre ambas, in verbis: .. . Ademais, é certo que BRASQUÍMICA PRODUTOS ASFÁLTICOS LTDA. (vendedora) forneceu o material acreditando que, de fato, a TERRASA ENGENHARIA LTDA. detinha os referidos poderes, o que, inclusive, foi admitido na contestação da SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS, nos seguintes termos: .. . Não bastasse isso, acrescente-se que a BRASQUÍMICA PRODUTOS ASFÁLTICOS LTDA. (vendedora)só tomou conhecimento do possível desacordo comercial entre as rés em 16/07/2020, quer dizer, cerca de uma semana depois da entrega do material (07/07/2020). Nesse sentido, é o e-mail de ordem 26: .. . Registre-se que a SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS, em princípio, só revogou formalmente os poderes atribuídos à TERRASA ENGENHARIA LTDA. (Cláusula 2.1.1.) no dia 20/08/2020, quer dizer, depois da entrega dos materiais, quando promoveu a competente notificação extrajudicial. Nesse contexto, a BRASQUÍMICA PRODUTOS ASFALTICOS LTDA. legitimamente acreditou que a TERRASA ENGENHARIA LTDA. detinha poderes para contratar em nome da SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S.A., de modo que não pode ser prejudicada com possível desentendimento comercial havido exclusivamente entre as rés. Foram feitos expressos esclarecimentos a respeito da responsabilidade da mandante, em especial que a autora, ora recorrida, não tinha conhecimento, antes da entrega do material, de possível desacordo comercial entre as corrés, e que a ora recorrente só revogou formalmente os poderes atribuídos à TERRASA também depois da entrega dos materiais. Ademais, a orientação desta Corte é no sentido de que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, nem a indicar todos os dispositivos legais suscitados, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio, como ocorrera na hipótese. Nesse sentido, confira-se: .. .. Conforme trechos retrocolacionados do acórdão recorrido (fls. 819-821, e-STJ), o Tribunal local, diante das peculiaridades do caso concreto e a partir da análise do conteúdo fático-probatório dos autos, concluiu que a recorrente é solidariamente responsável com a mandatária. Esclareceu que, à época da alienação, a cláusula 2.1 do contrato permitia a representação, e que a recorrida só tomou conhecimento de eventuais desentendimentos entre as corrés após a entrega do material. Derruir as conclusões contidas no decisum e acolher a pretensão recursal ensejaria o necessário revolvimento das provas constantes dos autos, bem como a interpretação das cláusulas avençadas, providências vedada s em sede de recurso especial, ante o s óbices estabelecidos pelas Súmulas 5/STJ e 7/STJ. Nesse sentido: .. . Dos supracitados trechos do decisum, deno ta-se que o acórdão apontou de forma expressa as razões do desprovimento do recurso, motivo pelo qual se verifica que os aclaratórios ora apresentados pela recorrente visam unicamente atribuir desfecho favorável à sua tese, com a rediscussão do julgado, o que resta vedado na estreita via recursal sob foco. Ficou expressamente consignado o entendimento do acórdão proferido na origem no sentido de que a ciência de eventuais desentendimentos ocorreu após a entrega do material, inexistindo omissão e incidindo o óbice da Súmula 7/STJ, o que impede a reapreciação da questão. Pretende a parte embargante, na verdade, a superação do óbice aplicado, cuja pretensão é inviável em sede de embargos de declaração. Ademais, consoante jurisprudência desta Corte Superior, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio, como no caso sub judice, no qual a controvérsia foi resolvida com amparo nos elementos constantes dos autos, pronunciando-se o órgão julgador sobre os pontos necessários para formar sua convicção. No mesmo sentido, confira-se: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, a teor do art. 1.022 do CPC, constitui-se em recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podendo, portanto, serem acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, reformar o decidido. 2. A questão relativa à alegação de existência de omissão no acórdão estadual foi apreciada por esta Turma julgadora. 3. O órgão julgador não é obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pelas partes, mas somente sobre aqueles que entender necessários para a sua decisão, de acordo com seu livre e fundamentado convencimento, não caracterizando omissão ou ofensa à legislação infraconstitucional o resultado diferente do pretendido pela parte. Precedentes. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp n. 2.015.401/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 15/3/2023.) grifou-se Deste modo, não se vislumbram quaisquer das máculas do artigo 1.022 do CPC na decisão hostilizada, cuidando-se o presente reclamo de mera irresignação da parte quanto à solução adotada, o que resta vedado na estreita via recursal sob foco. 2. Não obstante a rejeição dos aclaratórios, deixa-se de aplicar a multa prevista no artigo 1.026, § 2º, do CPC, pois, em se tratando de primeiros embargos de declaração que não ostentam caráter manifestamente protelatório, pressuposto para aplicação da medida, descabida a sua incidência neste momento. No entanto, desde já se adverte que a reiteração de embargos de declaração, com intuito de rediscussão do julgado, poderá caracterizar o aludido caráter manifestamente protelatório, ensejando a aplicação da multa citada. 3. Do exposto, rejeitam-se os embargos de declaração opostos por SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A . É como voto.