AREsp 2569969 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por não demonstrarem omissão, obscuridade, contradição ou erro material nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; além disso, a insurgência foi considerada protelatória, justificando a aplicação de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa nos termos do art. 1.026, § 2º, do...
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- Parties
- Embargante: Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento Pela Segunda Turma (acórdão)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade pela Segunda Turma
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Tema 1.169/stj, Prescrição Intercorrente, Honorários Advocatícios, Art. 1.026, § 2º, Do Cpc/2015, Arts. 203, § 1º, E 1.009 Do CPC
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Parties
Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA)
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento Pela Segunda Turma (acórdão)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão, obscuridade ou contradição nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Necessidade de sobrestamento do feito em face do Tema Repetitivo n. 1.169/STJ
- 3 Alegada violação aos arts. 203, § 1º, e 1.009 do CPC/2015 e prequestionamento
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por não demonstrarem omissão, obscuridade, contradição ou erro material nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; além disso, a insurgência foi considerada protelatória, justificando a aplicação de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade pela Segunda Turma
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração
- Aplicar multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Teodoro Silva Santos. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração poderão ser opostos com a finalidade de eliminar da decisão qualquer erro material, obscuridade, contradição ou suprir omissão sobre ponto acerca do qual se impunha pronunciamento, o que não é o caso dos autos. 2. Embargos de declaração rejeitados, com aplicação de multa.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) ao acórdão proferido pela Segunda Turma desta Corte, assim ementado (e-STJ, fl. 1.222): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, merecem ser rejeitados os embargos de declaração opostos, sobretudo quando contêm elementos meramente impugnativos. 2. Embargos de declaração rejeitados. Em suas razões (e-STJ, fls. 1.231-1.234), a embargante aponta omissão quanto à necessidade de sobrestamento do feito em decorrência do Tema Repetitivo n. 1.169/STJ, qual seja: "Definir se a liquidação prévia do julgado é requisito indispensável para o ajuizamento de ação objetivando o cumprimento de sentença condenatória genérica proferida em demanda coletiva, de modo que sua ausência acarreta a extinção da ação executiva, ou se o exame quanto ao prosseguimento da ação executiva deve ser feito pelo Magistrado com base no cotejo dos elementos concretos trazidos aos autos". Além disso, não teria havido adequado pronunciamento a respeito da "violação ao art. 1.022, uma vez que houve menção expressa e reiterada em tópico próprio que se apreciada faria evidente a presença do prequestionamento" (e-STJ, fl. 1.232). Argumenta-se que persiste omissão quanto a ofensa aos "arts. 203, § 1º, e 1.009 do CPC, que são expressamente mencionado inúmeras vezes nos recursos e mesmo na menção da decisão embargada são, sem dúvida, os dispositivos tomados por violados na alegação de ofensa ao art. 1.022 quando a recorrente se refere ao "cabimento da apelação"" (e-STJ, fl. 1.233). Nesses termos , espera a parte embargante que o recurso seja acolhido, com efeitos infringentes. A parte embargada apresentou impugnação (e-STJ, fls. 1.239-1.337) em que destaca o caráter protelatório do recurso, razão pela qual pede que os embargos sejam rejeitados, com aplicação de multa (art. 1.026, § 2º, do CPC). É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração poderão ser opostos com a finalidade de eliminar da decisão qualquer erro material, obscuridade, contradição ou suprir omissão sobre ponto acerca do qual se impunha pronunciamento, o que não é o caso dos autos. 2. Embargos de declaração rejeitados, com aplicação de multa. VOTO Os embargos de declaração constituem modo de impugnação à decisão judicial de fundamentação vinculada, sendo cabíveis tão somente nas hipóteses previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, quais sejam, omissão, obscuridade e contradição, bem como para sanar erro material. Este recurso visa unicamente aperfeiçoar o julgamento, com o intuito de prestar a tutela jurisdicional de forma clara e completa, não tendo por finalidade revisar ou anular decisões. Apenas, excepcionalmente, ante o aclaramento de obscuridade, desfazimento de contradição ou supressão de omissão, prestam-se os aclaratórios a modificar o julgado. Nessa linha: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DISTINGUINSHING DO TEMA N. 421 DO RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. I - Na origem, trata-se de exceção de pré-executividade, ajuizada nos autos da execução fiscal de dívida referente ao IRPF, proposta pela União, objetivando o reconhecimento da prescrição intercorrente. Na sentença, julgou-se procedente o pedido extinguindo a execução fiscal e fixando os honorários advocatícios no mínimo previsto no § 3º do art. 85 do CPC/2015. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para afastar a condenação no pagamento de honorários advocatícios. Nesta Corte, negou-se provimento ao recurso especial. A decisão foi confirmada em agravo interno. II - O acórdão embargado está consoante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que, nos casos em que ocorre a prescrição intercorrente, não há condenação em honorários da Fazenda Pública, fazendo-se um distinguishing quanto ao Tema n. 421 dos recursos especiais repetitivos. Na oportunidade do Tema n. 421 dos recursos especiais repetitivos, afirmou-se apenas a possibilidade de fixação de honorários em exceção de pré-executividade, quando seu acolhimento acarreta o fim da execução. Entretanto, se o motivo for a prescrição intercorrente, a incidência é de outros precedentes posteriores. (AgInt no REsp n. 1.929.415/SC, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 20/9/2021, DJe 22/9/2021). III - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. IV - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.892.578/CE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 14/3/2022, DJe de 17/3/2022.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICABILIDADE. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. I - O Código de Processo Civil tornou mais objetivo o processo de determinação da verba sucumbencial, introduzindo, na conjugação dos §§ 2º e 8º do art. 85, ordem decrescente de preferência de critérios (ordem de vocação) para fixação da base de cálculo dos honorários, na qual a subsunção do caso concreto a uma das hipóteses legais prévias impede o avanço para outra categoria (Recurso Especial n. 1746072/PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, relator para acórdão Ministro Raul Araújo 2ª Seção, j. 13.02.2019, DJe 29.03./2019). II - A fundamentação adotada no acórdão é suficiente para respaldar a conclusão alcançada, pelo que ausente pressuposto a ensejar a oposição de embargos de declaração, nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil. IV - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EDcl no AgInt no AgInt nos EDcl no REsp n. 1.994.224/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024.) No caso dos autos, conforme anteriormente consignado, "não há que se falar em necessidade de submissão do feito à sistemática do art. 1.040 e ss. do CPC por força da controvérsia a ser decidida no tema 1.169/STJ, uma vez que o recurso especial da parte .. sequer ultrapassou os óbices do conhecimento do apelo nobre" (e-STJ, fls. 1.265-1.266). Além disso, tal qual consignado no acórdão antecedente, "apesar de a recorrente ter alegado, no recurso especial, violação ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, o fez sob o argumento de que o acórdão de origem seria omisso sobre a "fundamentação do dano sofrido pela parte autora e do nexo de causalidade", bem como sobre o "cabimento da apelação" (fl. 732e). Dessa forma, a incidência da Súmula 282/STF, no que toca a eventual ofensa aos artigos arts. 203, § 1º, e 1.009 do CPC, é medida que se impõe" (e-STJ, fl. 1.226 ). Inviável, portanto, o acolhimento dos presentes aclaratórios, pois não demonstrada a ocorrência de nenhuma das hipóteses do art. 1.022 do Código de Processo Civil. Necessário reconhecer, por outro lado, o caráter protelatório da insurgência dirigida à modificação de questões efetivamente analisadas por esta Corte, a acarretar a imposição de multa, conforme prevê o art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração e aplico multa no percentual de 2% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É como voto.