AREsp 2517946 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos de declaração por inexistir omissão, obscuridade, contradição ou erro material no julgado: a alteração do percentual de retenção de 15% para 25% não justifica, isoladamente, a redistribuição dos ônus sucumbenciais já fixados no acórdão (custas e honorários na proporção de 40% e 60%, com...
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- Parties
- Embargante: COLORADO LOTEAMENTO LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 April 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Proferida
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Ônus Sucumbenciais, Honorários Advocatícios, Retificação De Percentual De Retenção, Omissão
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Parties
COLORADO LOTEAMENTO LTDA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Proferida
Legal Issues
- 1 omissão quanto à reapreciação e redistribuição dos ônus sucumbenciais
- 2 incidência do art. 85 do CPC/2015
- 3 impacto da alteração do percentual de retenção sobre a proporcionalidade dos ônus sucumbenciais
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração por inexistir omissão, obscuridade, contradição ou erro material no julgado: a alteração do percentual de retenção de 15% para 25% não justifica, isoladamente, a redistribuição dos ônus sucumbenciais já fixados no acórdão (custas e honorários na proporção de 40% e 60%, com gratuidade ao autor), de modo que a pretensão equivaleria a pedido de rejulgamento, não cabível via embargos de declaração.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por COLORADO LOTEAMENTO LTDA contra decisão singular de minha lavra na qual conheci do agravo e dei parcial provimento ao recurso especial, apenas para retificar o percentual de retenção devido ao recorrente, que passa a ser de 25%, mantido o acórdão quanto aos demais termos (fls. 591-595). Nas razões do seu recurso, a parte embargante alega, em síntese, que houve omissão na decisão quanto à reapreciação e redistribuição dos ônus sucumbenciais, citando o art. 85 do Código de Processo Civil/2015, que determina que a sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. Sustenta que, apesar do reconhecimento do direito da embargante, houve omissão na redistribuição dos ônus sucumbenciais, considerando a majoração do percentual de retenção de 15% para 25%, o que impacta diretamente na proporcionalidade dos ônus entre as partes. Assim delimitada a questão, passo a decidir. A decisão embargada enfrentou coerentemente as questões postas a julgamento, no que foi pertinente e necessário, exibindo fundamentação clara e suficiente no sentido de que o acórdão ficaria mantido nos demais termos. Confira-se: "Em face do exposto, conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial, apenas para retificar o percentual de retenção devido ao recorrente, que passa a ser de 25%, mantido o acórdão quanto aos demais termos." Isso , porque, apesar da alteração do percentual de retenção de 15% para 25%, tal fato não atrairia, por si só, a redistribuição dos ônus sucumbenciais já definido no acórdão. A saber: Autor e Ré arcar ao com o pagamento das custas e dos honorários advocatícios na proporção de 40% e 60%, respectivamente, observada a gratuidade de justiça concedida ao primeiro. Ademais, não se exige do julgador a análise de todos os argumentos das partes, a fim de expressar o seu convencimento. O pronunciamento acerca dos fatos controvertidos encontra-se objetivamente fixado nas razões da decisão embargada, motivo pelo qual rejeito a alegação de omissão no julgado. A propósito, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço.
3. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.483.155/BA, Rel. Ministro OG FERNANDES, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/6/2016, DJe 3/8/2016) Assim, não demonstrada efetivamente a existência de nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015, conclui-se que a pretensão da parte embargante é unicamente o rejulgamento da causa, finalidade à qual não se presta a via eleita. Nesse sentido, veja-se o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. MERO INTUITO DE REJULGAMENTO DA LIDE. AUSÊNCIA DA OMISSÃO QUE ENSEJARIA A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO INTEGRATIVO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022), sendo inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas no acórdão embargado, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. Não há que se confundir decisão contrária aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentação. Precedentes. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.213.226/SC, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/10/2016, DJe 22/11/2016) Em face do exposto, rejeito os embargos de declaração. Intimem-se. EMENTA