AREsp 2714278 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque a parte não demonstrou concretamente ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão no acórdão; tratava‑se de mera tentativa de rediscussão do mérito e de manifestação de inconformismo, insuficientes para o acolhimento dos embargos.
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- Parties
- Embargante: FRANCISCO CLEMILTON MONTEFUSCO DE ASSIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 May 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Rediscussão Do Mérito, Fundamentação Vinculada, Erro Material
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Parties
FRANCISCO CLEMILTON MONTEFUSCO DE ASSIS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento
Legal Issues
- 1 Se os embargos de declaração podem ser utilizados para rediscutir matéria já decidida sem demonstração de ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão
- 2 Requisitos do art. 619 do Código de Processo Penal para cabimento dos embargos de declaração
- 3 Distinção entre mero inconformismo e vício apto a embargos de declaração
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque a parte não demonstrou concretamente ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão no acórdão; tratava‑se de mera tentativa de rediscussão do mérito e de manifestação de inconformismo, insuficientes para o acolhimento dos embargos.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, rejeitar os embargos. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod Azulay Neto e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA Direito processual penal. Embargos de declaração. OMISSÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. REDISCUSSÃO. Rejeição. I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que negou provimento ao agravo regimental. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se os embargos de declaração podem ser utilizados para rediscutir matéria já decidida, sem a demonstração de qualquer ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, nos termos exigidos pelo art. 619 do Código de Processo Penal. III. Razões de decidir 3. Os embargos de declaração constituem medida processual com fundamentação vinculada, sendo imprescindível a demonstração concreta de que a decisão embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa, conforme o art. 619 do CPP. 4. A mera irresignação com o entendimento apresentado na decisão não é suficiente para validar o ajuizamento dos embargos de declaração. IV. Dispositivo e tese 5. Embargos de declaração rejeitados. Tese de julgamento: "1. Os embargos de declaração não se prestam para rediscutir o mérito da decisão ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento. 2. É imprescindível a demonstração de ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão para o acolhimento dos embargos de declaração". Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 619; CPC, art. 1022, III. Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgRg nos EDcl nos EAREsp n. 1.604.546/PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Terceira Seção, DJe de 22/02/2023; STJ, EDcl no AgRg no HC 934348/RS, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN 23/12/2024.
RELATÓRIO A defesa de FRANCISCO CLEMILTON MONTEFUSCO DE ASSIS opôs embargos de declaração, às fls. 5329/5333, em face da decisão de fls. 5308/5316. A defesa sustenta que o acórdão embargado é omisso, tendo havido equívoco na leitura do agravo interno e suas razões, haja vista que não foram enfrentadas todas as teses colocadas no agravo interno. Afirma que não foi preenchido o requisito do art. 155 do CPP. Requer seja sanado o vício, com efeitos infringentes. É o relatório. EMENTA Direito processual penal. Embargos de declaração. OMISSÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. REDISCUSSÃO. Rejeição. I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que negou provimento ao agravo regimental. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se os embargos de declaração podem ser utilizados para rediscutir matéria já decidida, sem a demonstração de qualquer ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, nos termos exigidos pelo art. 619 do Código de Processo Penal. III. Razões de decidir 3. Os embargos de declaração constituem medida processual com fundamentação vinculada, sendo imprescindível a demonstração concreta de que a decisão embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa, conforme o art. 619 do CPP. 4. A mera irresignação com o entendimento apresentado na decisão não é suficiente para validar o ajuizamento dos embargos de declaração. IV. Dispositivo e tese 5. Embargos de declaração rejeitados. Tese de julgamento: "1. Os embargos de declaração não se prestam para rediscutir o mérito da decisão ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento. 2. É imprescindível a demonstração de ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão para o acolhimento dos embargos de declaração". Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 619; CPC, art. 1022, III. Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgRg nos EDcl nos EAREsp n. 1.604.546/PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Terceira Seção, DJe de 22/02/2023; STJ, EDcl no AgRg no HC 934348/RS, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN 23/12/2024. VOTO Presentes os pressupostos de admissibilidade, passo a apreciar os embargos de declaração. Conforme estabelece o art. 619 do CPP, os embargos de declaração têm fundamentação vinculada e somente são cabíveis nas estritas hipóteses de correção de omissão, obscuridade, ambiguidade ou contrariedade na decisão embargada. Admite-se, ainda, a interposição de embargos de declaração para correção de erro material, nos termos do art. 1022, III, do CPC c/c art. 3º do CPP. Em sua petição, o embargante tece as seguintes considerações (fls. 5331/5332): "Ocorreu que, houve um equívoco, na leitura do agravo Interno, em especial nas razões do Agravo interno. Excelência, com o devido respeito, o Embargante impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, em sede de Agravo Interno, conforme se depreende do caderno processual. Restou demonstrado as impugnações especificas todos os fundamentos da decisão agravada, em sede de Agravo Interno. Neste contexto, presente estão os elementos essências para que seja provido os EMBARGOS DE DECLARAÇÂO COM PEDIDO DE EFEITO MODIFICATIVO E SUSPENSIVO. Assim, como é cediço, o reexame de provas é vedado no recurso especial, conforme estabelece a Súmula n. 7 do STJ, contudo não foi preenchido o requisito do art. 155 do CPP, notadamente, pelos depoimentos colhidos em juízo e pelo resultado da interceptação telefônica, prova irrepetível submetida ao contraditório diferido." Portanto, constata-se que o embargante limita-se a tecer ilações genéricas de que houve "equívoco" na leitura do agravo interno e suas razões, bem como reprisa o argumento de que houve violação ao art. 155 do CPP, matéria já devidamente apreciada de maneira fundamentada. Verifica-se, portanto, a inexistência de omissão, erro ou contradição quanto aos pontos suscitados, sendo certo que a pretensão de rejulgamento da causa é descabida, razão pela qual a rejeição dos embargos de declaração é medida imperativa, conforme demonstram os precedentes a seguir expostos (grifos nossos): DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO IRREGULAR. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO JULGADO. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DO MÉRITO. EMBARGOS REJEITADOS. .. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em verificar se o acórdão embargado apresenta omissão, obscuridade, contradição ou erro material que justifique a oposição de embargos de declaração, ou se a parte embargante busca apenas rediscutir matéria já decidida. .. Não há omissão, obscuridade, contradição ou erro material no julgado embargado, sendo a fundamentação suficiente para justificar a conclusão de que o embargante não demonstrou o efetivo cumprimento integral da pena, requisito indispensável para a extinção da punibilidade. Os embargos de declaração não se prestam para rediscutir o mérito da decisão ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento, sendo vedado seu uso com caráter infringente. Conforme reiterada jurisprudência, "os embargos de declaração não constituem recurso de revisão, sendo inadmissíveis se a decisão embargada não padecer dos vícios que autorizariam a sua oposição" (STJ, EDcl no AgRg nos EDcl nos EAREsp n. 1.604.546/PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Terceira Seção, DJe de 22/02/2023). .. (EDcl nos EDcl no AgRg no RHC 200239/RJ, Relatora Ministra DANIELA TEIXEIRA, Órgão Julgador: QUINTA TURMA, Data do Julgamento: 18/2/2025, Data da Publicação/Fonte: DJEN 25/2/2025.) DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO COM FUNDAMENTAÇÃO VINCULADA. REJEIÇÃO. I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Quinta Turma desta Corte Superior que, à unanimidade, negou provimento ao agravo regimental em habeas corpus, sob a alegação de omissão quanto à fundamentação da decisão de segregação cautelar. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se os embargos de declaração podem ser utilizados para rediscutir matéria já decidida, sem a demonstração de ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, conforme o art. 619 do Código de Processo Penal. III. Razões de decidir 3. Os embargos de declaração são recurso com fundamentação vinculada, sendo imprescindível a demonstração de que a decisão embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa, conforme o art. 619 do CPP. 4. A mera irresignação com o entendimento apresentado na decisão não é suficiente para o acolhimento dos embargos de declaração. 5. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes quando já encontrado motivo suficiente para proferir a decisão, não servindo os aclaratórios para rediscussão do julgado. IV. Dispositivo e tese 6. Embargos de declaração rejeitados. .. (EDcl no AgRg no HC 934348/RS, Relator Ministro MESSOD AZULAY NETO, Órgão Julgador: QUINTA TURMA, Data do Julgamento: 18/12/2024, Data da Publicação/Fonte: DJEN 23/12/2024.) Ante o exposto, voto pela rejeição dos embargos de declaração.