REsp 2156193 - ACORDAO
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/05/2025 a 26/05/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: ESTADO DO AMAPÁ; Embargada: servidora pública do Estado do Amapá (médica do Hospital da Criança e do Adolescente - HCA - PAI)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Primeira Turma (20/05/2025 a 26/05/2025)
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Recurso Especial, Servidor Público, Adicional De Insalubridade, Competência Do STF, Súmula 280/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ESTADO DO AMAPÁ
Embargante
servidora pública do Estado do Amapá (médica do Hospital da Criança e do Adolescente - HCA - PAI)
Embargada
Procedural Posture
Embargos De Declaração Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Primeira Turma (20/05/2025 a 26/05/2025)
Legal Issues
- 1 cabimento dos embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do CPC
- 2 se houve omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão
- 3 se a reforma do acórdão demandaria exame de matéria constitucional ou de lei local
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/05/2025 a 26/05/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. RECURSO REJEITADO. 1. O inconformismo da parte embargante não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil. Não há na decisão embargada vícios de omissão, contradição ou obscuridade, ou erro material, não se prestando o recurso integrativo para o fim de rediscutir os aspectos jurídicos anteriormente debatidos. 2. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos pelo ESTADO DO AMAPÁ contra o acórdão da PRIMEIRA TURMA, de minha relatoria, assim ementado (fl. 467): ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO COM FUNDAMENTO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO STF. LEGISLAÇÃO LOCAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. SÚMULA 280 DO STF. PROVIMENTO NEGADO. 1. Trata-se, na origem, de ação ordinária proposta por servidora pública do Estado do Amapá (médica do Hospital da Criança e do Adolescente - HCA - PAI) em que se pleiteia a concessão do adicional de insalubridade em seu grau máximo (20%). 2. Sempre que o Tribunal de origem decidir uma questão com fundamento eminentemente constitucional, não será possível a revisão do acórdão pelo Superior Tribunal de Justiça por implicar usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelecida no art. 102 da Constituição Federal. 3. Na hipótese de a reforma do acórdão recorrido demandar a interpretação de normas locais, o recurso especial é inviável. Aplicação, por analogia, da Súmula 280 do STF. 4. Agravo interno a que se nega provimento. A parte embargante alega que o acórdão embargado não analisou os fundamentos suscitados no agravo interno, quais sejam (fl. 483): a) A impugnação específica e detalhada deduzida nas razões recursais, especialmente quanto à impugnação aos fundamentos invocados pelo Il. Julgador ao proferir a decisão agravada, especialmente, o óbice invocado do enunciado da Súmula 280 /STF; b) A indicação expressa dos dispositivos legais violados, demonstrando as razões que motivaram as alegadas ofensas, de maneira específica e fundamentada; c) A inaplicabilidade à hipótese da Súmula 280/STF, uma vez que a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal de Origem não demanda o exame de lei local, apenas se anseia demonstrar a violação ao dispositivo da Lei 8.270/91; uma vez que d) O recurso almejou exclusivamente análise de Lei Federal, de modo que a menção a contornos de legislação local se fez de forma genérica, indireta, para enriquecimento do silogismo argumentativo, atendo-se a impugnação a matéria estritamente legal; Requer que os embargos sejam acolhidos com efeitos infringentes. A parte adversa apresentou impugnação (fls. 488/494). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. RECURSO REJEITADO. 1. O inconformismo da parte embargante não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil. Não há na decisão embargada vícios de omissão, contradição ou obscuridade, ou erro material, não se prestando o recurso integrativo para o fim de rediscutir os aspectos jurídicos anteriormente debatidos. 2. Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos de declaração não apresentam vícios formais, foram opostos dentro do prazo e cogitam, objetivamente, de matéria própria dessa espécie recursal (arts. 1.022 e 1.023 do CPC). Nada há, enfim, que impeça o seu conhecimento. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC), o recurso integrativo é cabível contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. No acórdão embargado, a controvérsia foi decidida nos seguintes termos (fls. 470/471): A pretensão recursal não merece prosperar. Trata-se, na origem, de ação ordinária proposta por servidora pública do Estado do Amapá (médica do Hospital da Criança e do Adolescente - HCA - PAI) em que se pleiteia a concessão do adicional de insalubridade em seu grau máximo (20%). No acórdão recorrido, constou o seguinte (fls. 295/296): .. Realmente, observo que a controvérsia a respeito da possibilidade de utilização da Lei federal 8.270/1991 para fixar os percentuais de insalubridade aos servidores do Estado do Amapá foi dirimida pelo Tribunal de origem à luz da Constituição Federal (art. 7º, XXIII) e do estudo de lei local (Lei estadual 66/1993). A alteração do julgado, conforme pretendido nas razões recursais, demandaria, necessariamente, o exame de matéria constitucional, providência vedada em recurso especial por ser da competência do Supremo Tribunal Federal (STF), e exigiria a análise de legislação do Estado do Amapá, providência igualmente vedada a este Tribunal devido à incidência, por analogia, da Súmula 280/STF ("Por ofensa ao direito local não cabe recurso extraordinário"), respectivamente. A respeito da questão apontada no recurso ora examinado, a PRIMEIRA TURMA resolveu que a análise da controvérsia a respeito da fixação dos percentuais de insalubridade aos servidores do Estado do Amapá demandaria o exame de matéria constitucional bem como o estudo de lei local, providências vedadas em recurso especial. Como se vê, ao contrário do alegado pela parte recorrente, a decisão embargada não padece de vício algum. Não há a necessidade de esclarecer, complementar ou integrar o que foi decidido, pois a tutela jurisdicional foi prestada de forma clara e fundamentada, tendo havido manifestação satisfatória sobre todos os aspectos fáticos e jurídicos relevantes e inerentes à questão instaurada. A argumentação apresentada pela parte embargante não passa de mero inconformismo e visa renovar a discussão sobre questão que já foi decidida. Os embargos de declaração não se prestam para o fim de reexaminar os aspectos jurídicos anteriormente debatidos. O Superior Tribunal de Justiça assim já se manifestou: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/2015. REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS. IMPOSSIBILIDADE. DEVIDO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. 1. De acordo com a norma prevista no art. 1.022 do CPC/2015, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição, omissão ou erro material na decisão embargada. 2. No caso, não se verifica a existência de nenhum dos vícios em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia posta no recurso. .. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.574.004/SE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 8/3/2021, DJe de 11/3/2021, sem destaque no original.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022, II, DO CPC/2015. VÍCIO INEXISTENTE. REDISCUSSÃO DA CONTROVÉRSIA. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. .. 3. Inexistência dos vícios listados nos arts. 489 § 1º, V, e art. 1.022 do CPC. Os argumentos da embargante denotam mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, não se prestando os Aclaratórios a esse fim. 4. Embargos de Declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.777.777/MS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 9/11/2021, DJe de 10/12/2021, sem destaque no original.) É importante frisar que o contraponto aos argumentos das partes não demanda a citação literal de suas palavras ou dos mesmos dispositivos legais (ou de todos), bastando que haja fundamentação fática e jurídica coerente e adstrita ao que é debatido nos autos. Ressalto que os embargos de declaração não constituem instrumento adequado à revisão de entendimento já manifestado e devidamente embasado, à correção de eventual error in judicando ou ao prequestionamento de normas jurídicas ou temas que, segundo a ótica da parte recorrente, deveriam guiar ou conduzir a solução do litígio. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.