AREsp 2744276 - ACORDAO
Rejeitar os embargos de declaração porque a embargante não demonstrou existência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão; o decisum estava suficientemente fundamentado, e os aclaratórios tinham claro caráter infringente ao intentar rediscutir a decisão que inadmitiu o recurso especial, além...
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- Parties
- Embargante/autora: VIGZUL TECNOLOGIA E MONITORAMENTO S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial; Ação Anulatória De Contrato Com Pedido Sucessivo De Revisão Contratual / Embargos De Declaração Rejeitados (decisão Colegiada Na Quarta Turma, Sessão Virtual)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Admissibilidade De Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade Recursal, Omissão/obscuridade/contradição (art. 1.022 Cpc/2015), Súmulas E Dissídio Jurisprudencial
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Parties
VIGZUL TECNOLOGIA E MONITORAMENTO S.A.
Embargante/autora
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial; Ação Anulatória De Contrato Com Pedido Sucessivo De Revisão Contratual / Embargos De Declaração Rejeitados (decisão Colegiada Na Quarta Turma, Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Cabimento dos embargos de declaração nos estritos limites do art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Obrigação de impugnação específica dos fundamentos que ensejaram a inadmissibilidade do recurso especial
- 3 Vedação ao uso dos embargos como meio de rediscussão do julgado
Ratio Decidendi
Rejeitar os embargos de declaração porque a embargante não demonstrou existência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão; o decisum estava suficientemente fundamentado, e os aclaratórios tinham claro caráter infringente ao intentar rediscutir a decisão que inadmitiu o recurso especial, além da falta de impugnação específica dos fundamentos que motivaram a inadmissibilidade (incluindo a aplicação de súmulas e a ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial).
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração interpostos por VIGZUL TECNOLOGIA E MONITORAMENTO S.A.
- Não aplicar, neste momento, a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015 por se tratar de primeiros embargos não manifestamente protelatórios
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/05/2025 a 26/05/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO ANULATÓRIA DE CONTRATO COM PEDIDO SUCESSIVO DE REVISÃO CONTRATUAL ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA AUTORA. 1. Nos termos do artigo 1.022 do CPC/15, o recurso de embargos de declaração objetiva somente suprir omissão, dissipar obscuridade, afastar contradição ou sanar erro material encontrável em decisão ou acórdão, não podendo ser utilizado como instrumento para a rediscussão do julgado. 2. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração, opostos por VIGZUL TECNOLOGIA E MONITORAMENTO S.A., contra acórdão de fls. 2.637/2.642 (e-STJ), de relatoria deste signatário, que manteve a higidez do decisum singular de fls. 2.586/2.587 (e-STJ), integrado pelo de fls. 2.605/2.607 (e-STJ), da lavra da Presidência deste Superior Tribunal de Justiça. O acórdão ora embargado, proferido pela Quarta Turma do STJ em sede de agravo interno, restou assim ementado: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO ANULATÓRIA DE CONTRATO COM PEDIDO SUCESSIVO DE REVISÃO CONTRATUAL - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AUTORA. 1. Aplicação correta da Súmula 182/STJ. Ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de origem que inadmitiu o processamento do recurso especial. Violação ao princípio da dialeticidade, ensejando a manutenção do provimento hostilizado por seus próprios fundamentos. 2. Agravo interno desprovido. Em suas razões de fls. 2.647/2.648 (e-STJ), a parte embargante aponta a ocorrência de obscuridade a macular o aresto recorrido, notadamente no que diz respeito à efetiva impugnação de todos os fundamentos que embasaram a decisão de inadmissibilidade do apelo nobre. Impugnação às fls. 2.653/2.654 (e-STJ). É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO ANULATÓRIA DE CONTRATO COM PEDIDO SUCESSIVO DE REVISÃO CONTRATUAL ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA AUTORA. 1. Nos termos do artigo 1.022 do CPC/15, o recurso de embargos de declaração objetiva somente suprir omissão, dissipar obscuridade, afastar contradição ou sanar erro material encontrável em decisão ou acórdão, não podendo ser utilizado como instrumento para a rediscussão do julgado. 2. Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos de declaração não merecem acolhimento, visto que a embargante não demonstrou a existência de qualquer vício a macular o julgado, possuindo o recurso nítido caráter infringente. 1. Como é cediço, nos estreitos lindes do artigo 1.022, CPC/2015, o recurso de embargos de declaração objetiva somente suprir omissão, dissipar obscuridade, afastar contradição ou sanar erro material encontráveis em decisão, ou acórdão, não podendo ser utilizado como instrumento para a rediscussão do julgado. Nesse sentido, confira-se os seguintes precedentes: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS - ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIO NÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDADA. 1. Nos termos do artigo 1.022 do CPC/15, o recurso de embargos de declaração objetiva somente suprir omissão, dissipar obscuridade, afastar contradição ou sanar erro material encontrável em decisão ou acórdão, não podendo ser utilizado como instrumento para a rediscussão do julgado. 2. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EDcl no REsp 1743741/RJ, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 30/08/2021, DJe 02/09/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. TEORIA MENOR. ART. 28 DO CDC. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL NÃO DEMONSTRADOS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 1.022 E 489, § 1º, DO NCPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CONFIGURADAS. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 3. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022, II, do NCPC (art. 535 do CPC/1973), não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente. 4. Os embargos de declaração não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado. 5. Não há falar em violação dos arts. 489 e 1.022 do NCPC quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1825577/RJ, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/08/2021, DJe 26/08/2021) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CABIMENTO. INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 1.022 E INCISOS DO CPC DE 2015. JULGADO EMBARGADO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. DANOS MORAIS. INOCORRÊNCIA. EXISTÊNCIA DE INSCRIÇÃO NEGATIVA LEGÍTIMA ANTERIOR. SÚM. 385/STJ. REEXAME DE PROVAS. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Depreende-se do artigo 1.022, e seus incisos, do novo Código de Processo Civil, que os embargos de declaração são cabíveis quando constar, na decisão recorrida, obscuridade, contradição, omissão em ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado o julgador, ou até mesmo as condutas descritas no artigo 489, parágrafo 1º, do CPC, que configurariam a carência de fundamentação válida. Não se prestam os aclaratórios ao simples reexame de questões já analisadas, com o intuito de dar efeito infringente ao recurso. 2. No caso dos autos, nota-se que não ocorre nenhuma das hipóteses previstas no artigo 1.022, e seus incisos, do CPC, pois o acórdão de origem embargado apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão, inclusive, quanto à fixação da verba honorária e os seus fundamentos jurídicos, no presente caso. 3. Analisar se havia ou não outra inscrição desabonadora no cadastro de inadimplentes no momento da propositura da ação demandaria o revolvimento fático probatório dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial (Súm 7/STJ). No presente caso, não se trata apenas de revaloração jurídica dos fatos da condicionante da Súm. 385/STJ. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no REsp 1865878/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 23/02/2021, DJe 03/03/2021) Nos termos da compreensão adotada por esta Corte Superior de Justiça, a obscuridade constitui vício de fundamentação caracterizado pela falta de clareza, confusão ou ininteligibilidade que torna incompreensível o ato jurisdicional impugnado. No caso, não há infringência ao artigo art. 1.022, CPC/2015, em razão da suficiente fundamentação exarada no acórdão embargado, tendo esta Colenda Quarta Turma do STJ decidido a controvérsia com base no entendimento adotado no âmbito desta Corte Superior - notadamente no que diz respeito à ofensa ao principio da dialeticidade recursal - sendo clara na sustentação das razões para o desprovimento do agravo interno interposto. É o que se extrai do seguinte excerto do aresto embargado (fls. 2.640/2.642, e-STJ): 1. Efetivamente, em um exame acurado das razões do agravo em recurso especial (fls. 2.543/2.554, e-STJ), verifica-se que a empresa insurgente não combateu, adequadamente, os fundamentos utilizados pela Corte de origem para inadmitir o processamento do apelo extremo. Em juízo prévio de admissibilidade (fls. 2.537/2.540, e-STJ), negou-se seguimento ao apelo nobre sob os seguintes fundamentos: i) emprego da Súmula 283/STF, ante a subsistência de fundamento válido, não atacado, apto por si só para manter a integridade do julgado recorrido, qual seja, inaplicabilidade das regras de proteção e de defesa do consumidor, em razão de a empresa recorrente não se enquadrar no conceito de destinatária final do produto/serviço; ii) incidência das Súmulas 07 e 83/STJ ao fundamento de que "a pactuação realizada por contrato de adesão, por si só, não é capaz de enquadrar a pessoa jurídica como consumidora, vez que para tanto, necessário se faz demonstrar algumas condições, tais como ser destinatária final do bem ou serviço (artigo 2º do Código de Defesa do Consumidor) e a vulnerabilidade técnica, econômica ou , está de acordo com a jurisprudência do jurídica, que não restou evidenciada."; iii) aplicação do óbice contido na Súmula 284/STF, por deficiência de fundamentação, consubstanciada na ausência de comprovação do dissenso pretoriano, nos termos dos arts. 255, § 1º, do RISTJ e 1.029, § 1º, do CPC/2015, porquanto destituído do necessário cotejo analítico dos julgados apresentados. Todavia, em uma análise detida de suas razões de agravo (art. 1.042, do CPC/15), observa-se que a parte agravante não discorreu qualquer consideração apta a combater os referidos impedimentos. Acerca da incidência da Súmula 283 do STF, constata-se, da leitura das razões do agravo (art. 1.042, do CPC/15), que a insurgente não se desincumbiu do ônus de evidenciar analiticamente em que trecho da petição do recurso especial houve a efetiva impugnação do fundamento relacionado com a inaplicabilidade das regras de proteção e de defesa do consumidor, em razão de a empresa recorrente não se enquadrar no conceito de destinatária final do produto/serviço. No que se refere à aplicação da Súmula 07 do STJ, convém destacar que a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição articulada da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias. No particular, esta eg. Quarta Turma, nos autos do AGInt no ARESp n. 1.490.629/SP, publicado no DJe de 25/08/2021, firmou o entendimento de que "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias." Necessário consignar, em um primeiro momento, que todo recurso especial, por pressuposto de cabimento, discute a aplicação da lei federal, pois essa a "competência" que lhe foi atribuída pelo texto constitucional. A circunstância de o reclamo discutir a aplicação de dispositivo de lei federal não exclui, por si só - para conferir amparo à tese da parte insurgente - eventual necessidade de revolvimento do acervo fático-probatório dos autos. Desta forma, cabia à parte insurgente apresentar fundamentos aptos a justificar, no caso, o porquê da aplicação do dispositivo não demandar - em contraste ao que concluiu a Corte local - a análise de fatos, obrigação processual da qual, a rigor, não se desincumbiu. No tocante ao emprego da Súmula 83/STJ, olvidou a parte recorrente de indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada, de forma a demonstrar que outra seria a orientação jurisprudencial nesta Corte Superior. Por fim, quanto ao dissídio jurisprudencial, verifica-se que a recorrente não demonstrou que comprovou a sua existência nos moldes exigidos pelo art. 1.029, § 1º, do CPC/15, mediante transcrição dos trechos dos julgados que configurassem a divergência, mencionando-se as circunstâncias que identificassem ou assemelhassem os casos confrontados e a divergência de resultados em torno da mesma questão jurídica. Depreende-se, portanto, que longe de apontar vícios de fundamentação no decisum embargado, pretende a parte insurgente, em verdade, rediscutir o acerto da decisão recorrida, não se revelando os embargos declaratórios meio processual adequado para tanto. Não obstante a rejeição dos aclaratórios, deixa-se de se aplicar a multa prevista no artigo 1.026, § 2º, do CPC/2015 pois, em se tratando de primeiros embargos de declaração que não ostentam caráter manifestamente protelatórios, pressuposto para aplicação da medida, descabida a sua incidência neste momento. No entanto, desde já se adverte que a reiteração de embargos de declaração, com intuito de rediscussão do julgado, poderá caracterizar o aludido caráter manifestamente protelatório, ensejando a aplicação da multa citada. 2. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto.