REsp 2196890 - DECISAO
Houve omissão relevante não apreciada pelo Tribunal a quo quanto à questão jurídica suscitada sobre a forma de atualização de valores e a aplicabilidade da Emenda Constitucional apontada, o que viola o art. 1.022, II, do CPC/2015; essa omissão justifica anulação do acórdão que julgou os embargos e o retorno dos...
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- Parties
- Recorrente: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
- Outcome
- provimento do recurso especial para anular o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo para manifestação sobre as questões articuladas nos declaratórios
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão De Decisão, Juros De Mora, Correção Monetária, Emenda Constitucional 113/2021, Juízo De Retratação, Anulação De Acórdão, Art. 1.022, II, Cpc/2015
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Parties
União
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 omissão do Tribunal a quo quanto à aplicabilidade da Emenda Constitucional 113/2021/103/2021 à fixação de juros de mora e correção monetária
- 2 dever de manifestação sobre pontos suscitados em embargos de declaração (art. 1.022, II, CPC/2015)
- 3 incidência do entendimento do RE 870.947/SE (Tema 810) sobre juros de mora calculados pela caderneta de poupança
Ratio Decidendi
Houve omissão relevante não apreciada pelo Tribunal a quo quanto à questão jurídica suscitada sobre a forma de atualização de valores e a aplicabilidade da Emenda Constitucional apontada, o que viola o art. 1.022, II, do CPC/2015; essa omissão justifica anulação do acórdão que julgou os embargos e o retorno dos autos ao órgão prolator para nova apreciação dos aclaratórios.
Court Disposition
provimento do recurso especial para anular o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo para manifestação sobre as questões articuladas nos declaratórios
Orders
- Anular o acórdão que julgou os embargos de declaração.
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo para que se manifeste especificamente sobre as questões articuladas nos embargos de declaração.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pela União com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim ementado, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. JUÍZES CLASSISTAS. AÇÃO DE COBRANÇA. PARCELA AUTÔNOMA DE EQUIVALÊNCIA. REFLEXOS NO PERÍODO ANTERIOR À IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. JUROS DE MORA. ADEQUAÇÃO. 1. Retornaram os autos do Eg. STF, para possível juízo de retratação, nos termos do art. 1.030, I a III, do CPC, ante a decisão proferida pelo Colendo STF no RE 870.947/SE (Tema 810) que, em sede de repercussão geral, decidiu que, quanto às condenações oriundas de relação jurídica não tributária, a fixação dos juros de mora segundo o índice da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Le i nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09. A correção monetária, por seu turno, deverá ser fixada nos termos do Manual de Cálculos da Justiça Federal; 2. O Pleno do eg. STF, no julgamento do recurso extraordinário em questão, sedimentou o entendimento no sentido de que, nas condenações judiciais, em relações de natureza não tributária, os juros de mora devem ser fixados segundo os índices da caderneta de poupança"; 3. No caso dos autos, a Turma julgadora manteve parcialmente a sentença, que determinou que "os créditos atrasados devem ser apurados em sede de liquidação e corrigidos monetariamente com base no Manual de Cálculos da Justiça Federal ou outro que venha substituí-lo, e acrescidos de juros de mora à base de 6% (seis por cento) ao ano, a contar da citação válida"; 4. Juízo de retratação exercido, para dar parcial provimento à remessa oficial, a fim de fixar os índices da caderneta de poupança como critério dos juros de mora, mantendo-se o acórdão originário nos demais pontos; Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, foi interposto o presente recurso especial, apontando violação dos arts. 489, 505, 1.022 e 1.030, todos do CPC. Sustenta, em síntese, que houve negativa de prestação jurisdicional e omissão no julgado recorrido, uma vez que a Corte de origem não teria se manifestado sobre ponto essencial referente à fixação dos índices de juros de mora e correção monetária. Argumenta, para tanto, que: Preliminarmente, cumpre registrar que o agitado Acórdão é nulo de pleno direito, na medida em que negou provimento aos Embargos Declaratórios, pertinentemente opostos pela União. Com efeito, a União cuidou de apontar, nos embargos de declaração, omissão no decisum, no que diz respeito à análise apenas parcial das matérias que deveriam ser objeto de revisão, para fins de exercício ou não do juízo de retratação, sendo necessário que o acórdão recorrido, já que discutia a forma de atualização de valores decorrentes de condenação da Fazenda Pública, se manifestasse sobre a superveniência da EC 113/2021 e sua aplicabilidade aos cálculos, a partir de 9.12.2021. (fl. 778) No mérito, aponta que "com o advento da Emenda Constitucional nº 113, de 08.12.2021 (art. 3º), houve alteração, de modo que a correção monetária e os juros de mora devem ser - ambos - corrigidos pela SELIC, pois, como se sabe, tal índice já engloba esses dois acessórios da dívida" (fl. 781). Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Decido. O presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." Assiste razão ao recorrente, no que toca à alegada violação ao art. 1.022, II, do CPC/2015. De fato, o recorrente apresentou questão jurídica relevante, qual seja, a regra de fixação dos juros e correção monetária, considerando a superveniência da EC 103/2021. Apesar de provocado, por meio de embargos de declaração, o Tribunal a quo não apreciou a questão. Nesse contexto, diante da referida omissão, apresenta-se violado o art. 1.022, II, do CPC/2015, o que impõe a anulação do acórdão que julgou os embargos declaratórios, com devolução do feito ao órgão prolator da decisão para a realização de nova análise dos embargos. No mesmo sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SUBMETIDOS AO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. RECEBIMENTO COMO AGRAVO INTERNO. DIREITO AMBIENTAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO RELEVANTE NÃO SANADA NA ORIGEM. PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL QUANTO À VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. 1. Sobre os presentes embargos de declaração, a análise de suas razões evidencia, de forma clara e inequívoca, que o seu objetivo não é o de sanar erro material, omissão, obscuridade ou contradição, mas sim o de buscar a reforma da decisão embargada. Assim, recebo-o como agravo interno, nos termos do art. 1.024, § 3º, do CPC/2015. 2. É de ser mantida a decisão agravada, tendo em vista que a Corte de origem, mesmo com a oposição de embargos de declaração, deixou de se manifestar sobre o tema da responsabilidade subjetiva para fins de aplicação de multa por infração administrativa ambiental. Como se trata de vício cuja correção tem o potencial de alterar o resultado da demanda, impõe-se a anulação do acórdão dos embargos de declaração para que novo julgamento dos aclaratórios seja realizado, de forma seja apreciada a alegação em questão. 3. Embargos recebidos como agravo interno e, nesta extensão, não provido. (EDcl no AREsp 1486730/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/03/2020, DJe 09/03/2020.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. DECISÃO QUE DEU PROVIMENTO PARCIAL AO APELO RARO POR RECONHECER OMISSÕES NO ACÓRDÃO, NÃO SUPRIDAS MESMO APÓS A OPOSIÇÃO DE ACLARATÓRIOS. CABIMENTO, DENTRE OUTRAS PROVIDÊNCIAS, DE SE APRECIAR A ALEGADA NECESSIDADE DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DA PROPOSTA ADMINISTRATIVA, PARA FINS DE COMPARAÇÃO AO VALOR INDENIZATÓRIO FINAL AFERIDO, E, A PARTIR DAÍ, SE DETERMINAR A SUCUMBÊNCIA E A PARAMETRIZAÇÃO DOS JUROS COMPENSATÓRIOS. MATÉRIA RELEVANTE AO DESLINDE DA CAUSA, CUJA APRECIAÇÃO, PODERÁ EM TESE, ALTERAR O RESULTADO DO JULGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER APRECIAÇÃO OUTRA, DADA A PREJUDICIALIDADE DESTA MATÉRIA. RECONHECIMENTO DE NULIDADE QUE NÃO IMPLICA A INCORREÇÃO DO ACÓRDÃO LOCAL, APENAS DO VÍCIO DECLARADO. AGRAVO INTERNO DO PARTICULAR A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Ocorre a violação do art. 535 do CPC/1973, quando a parte opõe perante a Corte local, Embargos de Declaração alegando omissão relevante e capaz de influenciar o resultado final do julgamento e, tal argumentação não é apreciada. 2. O reconhecimento da nulidade de acórdão local, por violação do art. 535 do CPC/1973, nesta Instância Superior demanda apenas a objetiva constatação de um dos vícios previstos na legislação específica; análise realizada de maneira prejudicial às demais alegação e, que, por óbvio, não implica a análise da correção do acórdão recorrido. 3. Agravo Interno do Particular a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1478694/SE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2018, DJe 27/09/2018.) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para anular o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo a fim de que se manifeste especificamente sobre as questões articuladas nos declaratórios. Publique-se. Intimem-se. EMENTA