AREsp 2292698 - ACORDAO
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque o acórdão impugnado examinou de forma clara, coerente e suficiente as questões relevantes, não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material a ser sanado; além disso, o pedido dos embargantes visava ao reexame de questões fático-probatórias, vedado nesta...
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- Parties
- Embargante: LUCIANO CHISTONI E OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 June 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Embargos De Declaração Rejeitados (julgamento Em Sessão Virtual)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Art. 1.022 Do Cpc/2015, IPTU, Classificação Do Padrão Do Imóvel, Omissão/obscuridade/contradição, Súmula 7/stj, Art. 150, II, Da CFRB
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Parties
LUCIANO CHISTONI E OUTROS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Embargos De Declaração Rejeitados (julgamento Em Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Cabimento dos embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Existência de omissão/obscuridade/contradição no acórdão quanto à avaliação de laudo técnico particular
- 3 Possibilidade de reexame de prova e fatos em recurso especial diante da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque o acórdão impugnado examinou de forma clara, coerente e suficiente as questões relevantes, não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material a ser sanado; além disso, o pedido dos embargantes visava ao reexame de questões fático-probatórias, vedado nesta via pelo óbice da Súmula 7/STJ, e eventual matéria constitucional caberia ao STF.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 17/06/2025 a 23/06/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. 1. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. 2. Não há vício a ensejar esclarecimento, complemento ou eventual integração do que decidido no julgado, pois a tutela jurisdicional foi prestada de forma clara e fundamentada. 3. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (RELATOR): Cuida-se de embargos de declaração opostos por LUCIANO CHISTONI E OUTROS em face de acórdão, assim ementado (fls. 1.485/1.486): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. IPTU. CLASSIFICAÇÃO DO PADRÃO DO IMÓVEL. JUÍZO FIRMADO À LUZ DO CONJUNTO PROBATÓRIO. REVISÃO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. NÃO CABIMENTO. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. O vício de omissão que impõe o rejulgamento dos aclaratórios na origem se configura quando, na falta de manifestação do tribunal sobre dada questão controversa, a parte demonstra sua relevância no caso concreto dos autos, capaz de alterar o resultado do julgado. Citem-se: AgRg no REsp n. 147.035/SP, Rel. Min. Adhemar Maciel, DJ 16/3/1998; AgInt no REsp 1.625.345/PE, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 25/10/2019. 3. "Esta Corte tem entendimento consolidado segundo o qual é necessária a relevância da omissão e a utilidade e necessidade para que se determine, em sede de recurso especial, a realização de novo julgamento dos embargos de declaração pelo tribunal de origem" (REsp 1.748.752/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 8/11/2018). 4. No caso, não há violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, porquanto o órgão julgador, de forma clara e coerente, analisou as questões relevantes da causa, externando fundamentação adequada e suficiente para a solução da controvérsia. A aplicação do direito ao caso, ainda que por solução jurídica diversa da pretendida por um dos litigantes, não induz negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 5. Segundo a jurisprudência desta Corte Superior, o recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal demandar o reexame do suporte fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas fixadas nas instâncias ordinárias. Precedentes. 6. A contradição do art. 1.022 do CPC/2015 é vício intrínseco do julgador que se caracteriza pela existência de fundamentos antagônicos entre as razões de decidir ou entre uma destas e o relatório ou a conclusão do julgado, denotando defeito de lógica ou de coerência. Não se configura pelo mero inconformismo com relação à conclusão da decisão que se firma diversa à pretensão almejada pela parte ou a existente entre o acórdão impugnado e outros julgados, como no caso em tela. Precedentes. 7. Na via estreita do recurso especial, é vedado a esta Corte Superior analisar suposta violação de dispositivos constitucionais, nem mesmo para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência exclusiva do STF, conforme o art. 102, III, da CFRB. 8. Agravo interno não provido. A parte embargante alega que o acórdão ora embargado deixou apreciar a demonstração da relevância da omissão quanto à avaliação do Colegiado a quo quanto ao Laudo Técnico particular que classificou o condomínio como sendo de padrão médio, não tendo enfrentado os argumentos de que o enquadramento feito pela Municipalidade em seu Laudo de Vistoria padeceria de erro grosseiro e pouco cuidado, sendo inválido. Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. 1. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. 2. Não há vício a ensejar esclarecimento, complemento ou eventual integração do que decidido no julgado, pois a tutela jurisdicional foi prestada de forma clara e fundamentada. 3. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (RELATOR): Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. No acórdão ora embargado, fez-se constar a seguinte fundamentação (fls. 1.491-1.494, grifos nossos ): A parte agravante alega contradição ao argumento de que outras unidades habitacionais do mesmo condomínio receberam classificação diferente (padrão médio) em outro acórdão julgado pelo mesmo colegiado, o qual teria acolhido integralmente o laudo técnico particular, apresenta sua irresignação quanto ao padrão em que classificados os apartamentos objeto do presente feito (padrão superior) para efeito de enquadramento e cálculo do IPTU, havendo aí omissão/obscuridade relevante, por entender que o laudo particular produzido não comprovaria suficientemente o alegado. Insurge-se contra o entendimento do acórdão, sustentando deficiência de fundamentação e a não incidência da Súmula 7/STJ. Alega inconstitucionalidade do acórdão recorrido pois viola claramente o princípio constitucional da isonomia tributária, conforme previsto no art. 150, II, da CFRB. Pugna a nulidade do acórdão recorrido por violação dos arts. 1.022 e 489 do CPC/2015 e, se mantido o acórdão, por violação do art. 150, II, da CFRB. .. Quanto ao cerne da controvérsia, confere-se que, no acórdão principal (fls. 1.169-1.173), o Tribunal a quo, em síntese, fundado no conjunto probatório dos autos, concluiu que as unidades residenciais objeto de controvérsia nos presentes autos enquadravam-se na classificação de padrão superior, conforme legislação municipal pertinente, firmando que o laudo pericial produzido de forma unilateral pelas partes não se mostrou suficiente para demonstrar que as unidades autônomas em tela se classificariam como de padrão médio. A respeito da conclusão em sentido diverso em outros julgados, a Corte a quo, no acórdão integrativo (fls. 1.280-1.283), manifestou-se no sentido de que "a Turma Julgadora, ao se debruçar sobre o panorama de provas existente nos autos, ficou convencida de que as características do imóvel se adequavam melhor ao padrão SUPERIOR e de que não havia prevalência absoluta daquelas do padrão MÉDIO, como queria os embargantes .. as questões trazidas na peça de embargos de declaração representam, data vênia, discordância com o entendimento exteriorizado pela Turma Julgadora, que anteriormente, em outro caso, também entendeu que o conjunto probatório majoritário era divorciado da conclusão firmada em laudo particular. .. ficando inclusive expresso que a prova apresentada pelos autores, ora embargantes, não foi suficiente". .. Assim, os órgãos judiciais estão obrigados a enfrentar, de forma adequada, coerente e suficiente, as questões relevantes suscitadas para a solução das controvérsias que lhes são submetidas a julgamento, assim considerados os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Dessa forma, o vício de omissão que impõe o rejulgamento dos aclaratórios na origem se configura quando, na falta de manifestação do tribunal sobre dada questão controversa, a parte demonstra sua relevância no caso concreto dos autos, capaz de alterar o resultado do julgado. .. No caso, não há violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, porquanto o órgão julgador, de forma clara e coerente, analisou as questões relevantes da causa, externando fundamentação adequada e suficiente para a solução da controvérsia. A aplicação do direito ao caso, ainda que por solução jurídica diversa da pretendida por um dos litigantes, não induz negativa ou ausência de prestação jurisdicional. No mérito, considerando as premissas fixadas pelo Tribunal de origem, inviável, no âmbito do recurso especial, a modificação do acórdão no sentido das alegações recursais, sem o reexame do suporte fático-probatório. Incidência do óbice da Súmula 7/STJ. A toda evidência, no presente caso, a parte embargante, não conformada com o resultado a seu desfavor, busca, de forma transversa, o reexame recursal. Contudo, tendo o decisório ora embargado analisado de forma clara e fundamentada a controvérsia, o rejulgamento da causa almejado é providência incompatível pela via do recurso integrativo. Na espécie, inexiste qualquer vício a ensejar esclarecimento, complemento ou eventual integração do que decidido no julgado, pois a tutela jurisdicional foi prestada de forma clara e fundamentada. A esse respeito, colaciono os seguintes julgados: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRETENSÃO DE REEXAME DA CAUSA. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO JULGADO. .. 2. Consoante a literalidade do artigo 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, e/ou corrigir eventual erro material. 3. O recurso aclaratório possui finalidade integrativa e, portanto, não se presta à reforma do entendimento aplicado ou ao rejulgamento da causa, conforme pretendem os embargantes. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.539.387/RS, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, DJe 14/2/2019) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. .. 1. Consoante dispõe o art. 1.022, I, II e III, do CPC/2015, destinam-se os embargos de declaração a expungir do julgado eventuais omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não se caracterizando via própria ao rejulgamento da causa. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.740.473/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 22/3/2019) Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto.