REsp 1899005 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque o acórdão embargado é claro e fundamentado, não padecendo de obscuridade, contradição, omissão ou erro material; o reconhecimento da abusividade do reajuste por mudança de faixa etária não anula a cláusula contratual, devendo ser apurado o percentual adequado por...
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- Parties
- Embargante: ELISABETH RODRIGUES PARENTE SILVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 July 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Recurso Especial / Julgamento De Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Reajuste De Mensalidade, Mudança De Faixa Etária, Cálculos Atuariais, Cumprimento De Sentença, Abusividade Contratual
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Parties
ELISABETH RODRIGUES PARENTE SILVEIRA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Recurso Especial / Julgamento De Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 abusividade do reajuste por mudança de faixa etária
- 2 necessidade de apuração de percentual adequado por meio de cálculos atuariais na fase de cumprimento de sentença
- 3 alegação de omissão quanto a requisito do Tema n. 952/STJ
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque o acórdão embargado é claro e fundamentado, não padecendo de obscuridade, contradição, omissão ou erro material; o reconhecimento da abusividade do reajuste por mudança de faixa etária não anula a cláusula contratual, devendo ser apurado o percentual adequado por cálculos atuariais em cumprimento de sentença conforme REsp n. 1.568.244/RJ, e os embargos apenas buscavam rediscutir matéria já decidida, o que é incabível na via eleita.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Mantém-se o acórdão que determinou a apuração do percentual de reajuste adequado por meio de cálculos atuariais em fase de cumprimento de sentença.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/06/2025 a 30/06/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. MENSALIDADE. REAJUSTE. MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. PERCENTUAL ADEQUADO. CÁLCULOS ATUARIAIS. APURAÇÃO EM CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. 1. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica no caso dos autos. 2. O acórdão embargado, de maneira clara e fundamentada, consignou que o caso dos autos importa em reconhecimento da abusividade no aumento da mensalidade por mudança de faixa etária, não na anulação da respectiva cláusula do contrato, o que possibilita haver a readequação do reajuste a parâmetros mais justos, a fim de restabelecer o equilíbrio contratual por meio de cálculos atuariais em fase de liquidação de sentença, nos termos do que ficou firmado no julgamento do REsp n. 1.568.244/RJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos. 3. A pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no julgado embargado, consubstanciada na mera insatisfação com o resultado da demanda, é incabível na via eleita. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de embargos de declaração opostos por ELISABETH RODRIGUES PARENTE SILVEIRA contra acórdão da Terceira Turma assim ementado (fl. 333): CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. MENSALIDADE. REAJUSTE. MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. IDOSO. CONTRATO. ABUSIVIDADE. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. PERCENTUAL ADEQUADO. CÁLCULOS ATUARIAIS. APURAÇÃO EM CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. 1. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de ser idôneo o reajuste de mensalidade de plano de saúde em razão da mudança de faixa etária do participante, desde que observados alguns parâmetros, tais como a expressa previsão contratual; não serem aplicados índices de reajuste desarrazoados ou aleatórios, a onerar excessivamente o consumidor, em confronto com a equidade e a cláusula geral da boa-fé objetiva e da especial proteção do idoso, e serem respeitadas as normas expedidas pelos órgãos governamentais (Resolução CONSU n. 6/1998 ou Resolução Normativa n. 3/2001 da ANS e Resolução Normativa nº 63/2003da ANS). Precedente. 2. Na hipótese, rever o entendimento da instância ordinária que considerou abusivo o reajuste do plano de saúde é pretensão que esbarra no reexame de cláusulas do contrato e das provas constantes dos autos, procedimentos inviáveis em recurso especial em virtude dos óbices das Súmulas nºs 5 e 7 /STJ. 3. Nos termos do art. 51, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, se for reconhecida a abusividade do aumento praticado pela operadora de plano desaúde em virtude da alteração de faixa etária do usuário, para não haver desequilíbrio contratual, faz-se necessária a apuração de percentual adequado e razoável de majoração da mensalidade, o que deverá ser feito por meio de cálculos atuariais na fase de cumprimento de sentença. Recurso especial provido, em parte, para determinar a apuração do percentual de reajuste adequado na fase de cumprimento de sentença. Sustenta a parte embargante que, apesar de corretamente reconhecer a abusividade do aumento praticado pela operadora do plano de saúde, ao manter a validade da cláusula contratual de reajuste por faixa etária, a Terceira Turma foi omissa quanto à ausência de um dos requisitos fixados no julgamento do Tema n. 952/STJ. Aduz que "o reajuste etário de 52,52%, foi aplicado sobre a mensalidade sem qualquer justificativa atuarial e tampouco previsão contratual expressa" (fl. 351). Requer, ao final, o acolhimento dos embargos declaratórios, empregando efeitos modificativos, para declarar a nulidade da cláusula contratual que prevê reajustes por faixa etária, afastando-se consequentemente a necessidade de instauração de fase de liquidação de sentença. A parte embargada apresentou impugnação às fls. 358-435. É, no essencial, o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. MENSALIDADE. REAJUSTE. MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. PERCENTUAL ADEQUADO. CÁLCULOS ATUARIAIS. APURAÇÃO EM CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. 1. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica no caso dos autos. 2. O acórdão embargado, de maneira clara e fundamentada, consignou que o caso dos autos importa em reconhecimento da abusividade no aumento da mensalidade por mudança de faixa etária, não na anulação da respectiva cláusula do contrato, o que possibilita haver a readequação do reajuste a parâmetros mais justos, a fim de restabelecer o equilíbrio contratual por meio de cálculos atuariais em fase de liquidação de sentença, nos termos do que ficou firmado no julgamento do REsp n. 1.568.244/RJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos. 3. A pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no julgado embargado, consubstanciada na mera insatisfação com o resultado da demanda, é incabível na via eleita. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Nos termos do art. 1.022 do CPC, os embargos de declaração destinam-se a corrigir erro material, esclarecer obscuridade, eliminar contradição ou suprir omissão existente na decisão embargada. No caso em exame, inexistem vícios no julgado. Com efeito, verifica-se que o acórdão embargado, de maneira clara e fundamentada, assentou que, de acordo com o entendimento firmado no julgamento do REsp n. 1.568.244/RJ sob o rito dos recursos repetitivos, o reconhecimento da abusividade no aumento por faixa etária, não importa na anulação da respectiva cláusula do contrato, mas possibilita haver a readequação do reajuste a parâmetros mais justos, a fim de restabelecer o equilíbrio contratual por meio de cálculos atuariais em fase de liquidação de sentença. Registre-se que, a despeito das alegações do embargante, ficou consignado no acórdão recorrido e no julgado embargado que o contrato em questão tem cláusula expressa para reajuste de mensalidade por mudança de faixa etária, faltando-lhe a demonstração da razoabilidade do percentual aplicado. Observa-se, portanto, a pretensão do embargante na modificação do julgado. Todavia, os embargos de declaração não são a via adequada para se buscar o rejulgamento da causa. A propósito, cito: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. CORREÇÃO. EFEITOS INTEGRATIVO E MODIFICATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022). 2. No caso, os presentes aclaratórios merecem acolhimento, para sanar erro material verificado. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos integrativo e modificativo. (EDcl no AgInt no REsp n. 2.122.639/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 13/9/2024.) No mesmo sentido, cito: EDcl no AgInt no AREsp n. 1.896.238/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 25/3/2022; EDcl no AgInt no AREsp n. 1.880.896/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 26/5/2022. Portanto, é evidente que os presentes embargos são incabíveis, pois veiculam pretensão exclusivamente infringente do julgado, sem o propósito específico de sanar obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como penso. É como voto.