HC 969989 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque a manutenção do regime inicial semiaberto está fundamentada na existência de circunstância judicial desfavorável que resultou na fixação da pena-base acima do mínimo legal, o que, conforme art. 33, §3º do CP e jurisprudência dominante do STJ, autoriza a imposição de...
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- Parties
- Impetrante: impetrante; Paciente: paciente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 July 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Recebido E Rejeitado
- Outcome
- Rejeito os embargos de declaração.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Erro Material, Atenuante Da Confissão, Dosimetria Da Pena, Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Circunstâncias Judiciais, Impossibilidade De Reexame De Provas Em Habeas Corpus
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Parties
impetrante
Impetrante
paciente
Paciente
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Recebido E Rejeitado
Legal Issues
- 1 Existência de erro material quanto ao regime inicial fixado (aberto vs. semiaberto)
- 2 Possibilidade de imposição de regime inicial mais gravoso em razão de circunstância judicial desfavorável e fixação da pena-base acima do mínimo legal
- 3 Cabimento de embargos de declaração para sanar alegado erro material ou mero inconformismo
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque a manutenção do regime inicial semiaberto está fundamentada na existência de circunstância judicial desfavorável que resultou na fixação da pena-base acima do mínimo legal, o que, conforme art. 33, §3º do CP e jurisprudência dominante do STJ, autoriza a imposição de regime inicial mais gravoso; portanto, não houve erro material corrigível por embargos.
Court Disposition
Rejeito os embargos de declaração.
Orders
- Recebo a petição de fls. 100-101 (e-STJ) como embargos de declaração.
- Rejeito os embargos de declaração.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de petição na qual o impetrante alega a existência de erro material na decisão que não conheceu do habeas corpus substitutivo de recurso, mas concedeu, em parte, a ordem de ofício para reconhecer a atenuante da confissão e, em consequência, fixar a pena do paciente em 4 anos de reclusão, mantido o regime inicial semiaberto. Sustenta o impetrante que fixação do regime inicial semiaberto, ao invés do aberto, deve ter ocorrido por "erro de digitação", tendo em vista que o paciente é primário e o quantum de pena aplicado corresponde ao regime menos gravoso (e-STJ fls. 100-101). É o relatório. Decido. Nos termos do art. 619 do CPP c/c art. 1.022 do CPC, recebo a petição de fls. 100-101 (e-STJ) como embargos de declaração. Contudo, os presentes embargos, refletem mera irresignação da parte com o resultado do julgamento, o que revela o seu descabimento. Com efeito, ficou consignado na decisão embargada que, apesar da redução da pena para 4 anos de reclusão, foi mantido o regime inicial semiaberto. No caso, inobstante o quantum de pena aplicado - igual a 4 anos de reclusão - houve a avaliação negativa de circunstância judiciais na primeira fase da dosimetria da pena, sendo a pena-base fixada acima do mínimo legal, o que, nos termos do art. 33, § 3º, do Código Penal, importa a imposição de regime inicial mais gravoso. Na esteira da jurisprudência dominante deste Superior Tribunal de Justiça, "a existência de circunstância judicial desfavorável, com a consequente fixação da pena-base acima do mínimo legal, autoriza a determinação de regime inicial mais gravoso do que o cabível em razão do quantum de pena cominado" (AgRg no HC 818239 / SP, Relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 28/08/2023, DJe 31/08/2023). Em igual sentido: DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. FIXAÇÃO DO REGIME INICIAL FECHADO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL DESFAVORÁVEL. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE PROVAS EM SEDE DE HABEAS CORPUS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME (..) III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A fixação do regime inicial fechado foi justificada com base na quantidade da pena (7 anos e 6 meses de reclusão) e na valoração negativa da culpabilidade. Tal fundamentação encontra-se de acordo com a jurisprudência desta Corte, que admite a fixação de regime mais gravoso quando presentes circunstâncias judiciais desfavoráveis (AgRg no AREsp n. 2.209.177/DF, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, julgado em 27/4/2023). 4. A decisão do Tribunal de origem ao fixar a pena e o regime inicial está devidamente fundamentada, não havendo afronta às Súmulas 718 e 719 do STF, que exigem fundamentação adequada para a fixação do regime prisional. 5. Para afastar a fundamentação utilizada na fixação da pena e do regime inicial, seria necessário o reexame do acervo fático-probatório, o que é vedado em sede de habeas corpus, conforme a jurisprudência consolidada desta Corte. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no HC 875452 / PA, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 04/11/2024, DJe 06/11/2024) PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FURTOS QUALIFICADOS. PEDIDO DE EXCLUSÃO DA QUALIFICADORA PREVISTA NO INCISO I § 4º DO ART. 155 DO CÓDIGO PENAL. PRESENÇA DE ELEMENTOS APTOS A COMPROVAR O ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO DE FORMA INCONTESTE. PRECEDENTES. PLEITO DE FIXAÇÃO DE REGIME INICIAL ABERTO. IMPOSSIBILIDADE. MODO INICIAL DE RESGATE DE PENA ESTABELECIDO DE ACORDO COM A NORMATIVIDADE APLICÁVEL À ESPÉCIE. PRETENSÃO DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL NEGATIVA. PRETENSÃO DEFENSIVA RECHAÇADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (..) IV - A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, apenas ao quantum de reprimenda imposto. Assim, ainda que a sanção definitiva seja inferior a 04 (quatro) anos de reclusão e o réu seja primário, a presença de circunstâncias judiciais desfavoráveis indicam o regime inicial semiaberto como o mais adequado, nos termos art. 33, §§ 2º, alínea "b", e 3º, do Código Penal. V - No caso em análise, a despeito da primariedade do paciente e do quantum de pena aplicado - 02 (dois) anos, 09 (nove) meses se 18 (dezoito) de reclusão -, há circunstância judicial negativa - maus antecedentes. Assim, o modo inicial intermediário está devidamente justificado. Precedentes. VI - Nos termos do art. 44 do Código Penal, para se conceder a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, faz-se necessário que o réu preencha os requisitos objetivos e subjetivos, o que não se verifica na hipótese dos autos. Na hipótese em apreço, a existência de circunstância judicial negativa, reconhecida na condenação, não autoriza a substituição de pena privativa de liberdade por outra restritiva de direitos, em virtude do não preenchimento de requisito subjetivo previsto no art. 44, III, do Código Penal. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 849641 / SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 15/04/2024, DJe 19/04/2024) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PENAL. FURTO QUALIFICADO. PENA INFERIOR A 4 (QUATRO) ANOS. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL DESFAVORÁVEL. IMPOSIÇÃO DO REGIME INICIAL SEMIABERTO E NEGADA A SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR SANÇÕES RESTRITIVAS DE DIREITOS. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. RECURSO DESPROVIDO. 1. Em caso de existência de duas circunstâncias qualificadoras, uma delas por ser utilizada para qualificar o delito e a outra para exasperar a pena-base. 2. Estabelecida a pena em 2 (dois) anos de reclusão e sendo considerada desfavorável uma circunstância judicial, é adequada a imposição do regime inicial semiaberto - imediatamente mais gravoso do que o admitido pela quantidade de reprimenda aplicada -, nos moldes do previsto no art. 33, §§ 2.º e 3.º, c.c. o art. 59, ambos do Código Penal. 3. Considerada desfavorável uma circunstância judicial, está justificada a negativa de substituição da pena privativa de liberdade por sanções restritivas de direitos, nos moldes do art. 44, inciso III, do Código Penal. 4. Agravo desprovido. (AgRg no HC 601228 / SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 20/10/2020, DJe 29/10/2020) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ESTELIONATO. CONTINUIDADE DELITIVA. RÉU PRIMÁRIO. PENA INFERIOR A 4 ANOS DE RECLUSÃO. CIRCUNSTÂNCIA DO ART. 59 DO CP DESFAVORÁVEL. REGIME SEMIABERTO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, apenas ao quantum de reprimenda imposto. Pena definitiva inferior a 4 anos de reclusão, réu primário e circunstâncias judiciais desfavoráveis indicam o regime inicial semiaberto como o mais adequado, por força do disposto no art. 33, §§ 2º, alínea "b", e 3º, do Código Penal. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1735388 / SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe 07/12/2018) Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA