AREsp 2728491 - ACORDAO
Rejeitaram‑se os embargos de declaração por ausência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão embargado; a mera irresignação com o resultado não autoriza embargos integrativos, e a revisão do quantum indenizatório implicaria reexame fático‑probatório vedado pela Súmula n. 7 do STJ.
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- Parties
- Embargante: ALCIOMAR DOS SANTOS SILVA; Embargante: VILMA MARIA LIMA DE MEDEIROS SANTOS SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 July 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Agravo Interno, Agravo Em Recurso Especial, Indenização Por Danos Morais, Revisão Do Quantum Indenizatório, Súmula N. 7 Do STJ, Ônus De Sucumbência
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Parties
ALCIOMAR DOS SANTOS SILVA
Embargante
VILMA MARIA LIMA DE MEDEIROS SANTOS SILVA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Se os embargos de declaração destinam‑se apenas a sanar omissão, obscuridade, contradição ou erro material ou se configuram mera irresignação com o resultado do julgamento.
- 2 Se há excepcionalidade que autorize o STJ a rever o quantum da indenização por danos morais sem reexame fático‑probatório, diante da alegação de irrisoriedade/exorbitância e da condição econômica da parte agravada.
Ratio Decidendi
Rejeitaram‑se os embargos de declaração por ausência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão embargado; a mera irresignação com o resultado não autoriza embargos integrativos, e a revisão do quantum indenizatório implicaria reexame fático‑probatório vedado pela Súmula n. 7 do STJ.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/06/2025 a 30/06/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Licenciado o Sr. Ministro Marco Buzzi. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. EMBARGOS REJEITADOS. I. CASO EM EXAME 1. Embargos de declaração opostos a acórdão que negou provimento ao agravo interno. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se os embargos de declaração buscam tão somente sanar omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão embargado ou se expressam apenas a insatisfação com o resultado do julgamento e a pretensão de nova apreciação da causa. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. Os embargos de declaração são incabíveis, pois não há omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão embargado. 4. A mera insatisfação com o resultado do julgamento não justifica a oposição de embargos de declaração, que têm finalidade integrativa e não se prestam à reforma do entendimento aplicado ou ao rejulgamento da causa. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Embargos de declaração rejeitados. Tese de julgamento: "1. Os embargos de declaração são incabíveis quando não há obscuridade, contradição, omissão ou erro material no julgado embargado. 2. A mera irresignação com o entendimento adotado não justifica a oposição de embargos de declaração, que não se prestam à reforma do entendimento aplicado ou ao rejulgamento da causa". Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 1.022. Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.623.529/DF, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, julgados em 1º/12/2021; STJ, EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgados em 25/8/2020.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por ALCIOMAR DOS SANTOS SILVA e por VILMA MARIA LIMA DE MEDEIROS SANTOS SILVA ao acórdão de fls. 1493-1494, que desproveu o agravo interno, mantendo o valor da indenização por danos morais fixado pela instância ordinária e considerando correta a distribuição dos ônus de sucumbência. O acórdão foi assim ementado (fls. 1.495-1.496): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. REVISÃO DE VALOR. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso especial, mantendo o valor da indenização por danos morais fixado pela instância ordinária. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há 2 questões em discussão: (i) saber se o valor da indenização por danos morais, fixado em R$ 30.000,00 para cada genitor e R$ 15.000,00 para o autor, é irrisório ou exorbitante, justificando a revisão pelo STJ; e (ii) saber se a distribuição dos ônus de sucumbência foi adequada, considerando a alegação de sucumbência mínima por parte dos autores. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, conforme a Súmula n. 7 do STJ. 4. Somente em hipóteses excepcionais, quando o valor da indenização por danos morais é irrisório ou exorbitante, a jurisprudência permite a revisão. No caso, o valor estabelecido não se mostra exorbitante. 5. A distribuição dos ônus de sucumbência foi considerada correta pelo Tribunal de origem, não havendo elementos que justifiquem a revisão sem reexame fático-probatório. IV. DISPOSITIVO E TESE 6. Agravo interno desprovido. Tese de julgamento: "1. O valor da indenização por danos morais só é passível de revisão em recurso especial se for irrisório ou exorbitante. 2. A distribuição dos ônus de sucumbência não pode ser revista sem reexame fático-probatório, conforme a Súmula n. 7 do STJ". Em suas razões, a parte embargante sustenta que o acórdão embargado contém omissão quanto à análise da excepcionalidade da aplicação da Súmula n. 7 do STJ, visto que o quantum da condenação por morte, reduzido pelo Tribunal recorrido, é irrisório, desproporcional e sem razoabilidade, violando o art. 944 do Código Civil (fls. 1.504-1.505). Alega que a decisão não observou a robusta condição econômica da agravada, justificando a revisão do valor indenizatório (fls. 1.506-1.507). Argumenta que a redução da indenização de R$ 60.000,00 para R$ 30.000,00 para cada autor não atende aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sendo necessário rever o quantum indenizatório (fls. 1.508-1.509). Requerem o provimento dos embargos de declaração para suprir as omissões apontadas, sob pena de violação do art. 1.022, II, § único, II c/c IV, § 1º, do art. 489 do CPC, por negativa de vigência do art. 944 do CC. Caso o acolhimento dos embargos implique modificação da decisão embargada, requerem que seja oportunizada a manifestação da parte adversa, conforme o § 2º do art. 1023 do CPC (fl. 1.510). A parte embargada apresentou impugnação, alegando que os embargos de declaração não apontam omissão, contradição ou obscuridade no acórdão, sendo mera irresignação quanto ao resultado da demanda, repetindo argumentos do recurso especial. Afirma que não existe omissão, mas tentativa de rediscutir matéria já enfrentada, citando precedentes do STF e STJ que vedam embargos para rediscussão ou reforma do ato processual. Requer a rejeição dos embargos e aplicação de multa por embargos protelatórios, nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC (fls. 1.515-1.518). É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. EMBARGOS REJEITADOS. I. CASO EM EXAME 1. Embargos de declaração opostos a acórdão que negou provimento ao agravo interno. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se os embargos de declaração buscam tão somente sanar omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão embargado ou se expressam apenas a insatisfação com o resultado do julgamento e a pretensão de nova apreciação da causa. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. Os embargos de declaração são incabíveis, pois não há omissão, obscuridade, contradição ou erro material no acórdão embargado. 4. A mera insatisfação com o resultado do julgamento não justifica a oposição de embargos de declaração, que têm finalidade integrativa e não se prestam à reforma do entendimento aplicado ou ao rejulgamento da causa. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Embargos de declaração rejeitados. Tese de julgamento: "1. Os embargos de declaração são incabíveis quando não há obscuridade, contradição, omissão ou erro material no julgado embargado. 2. A mera irresignação com o entendimento adotado não justifica a oposição de embargos de declaração, que não se prestam à reforma do entendimento aplicado ou ao rejulgamento da causa". Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 1.022. Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.623.529/DF, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, julgados em 1º/12/2021; STJ, EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgados em 25/8/2020. VOTO Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material existente no julgado. No presente caso, a parte não aponta omissão passível de ser sanada pelo STJ em embargos de declaração. Apenas demonstra seu interesse na reanálise da questão referente à aplicação da Súmula n. 7 do STJ e a necessidade de majoração do quantum indenizatório. Eis o que diz o acórdão da decisão impugnada (fl. 1.499, destaquei): Nesse contexto, a instância ordinária, apreciando o conjunto fático- probatório dos autos, concluiu que, na fixação do indenizatório em R$quantum 30.000,00, para cada genitor em razão do dano moral indireto e de R$ 15.000,00 para o autor, em razão do dano direto, houve moderação, visto que não concorreu para o enriquecimento indevido da vítima e porque foi observada a proporcionalidade entre a gravidade da ofensa, o grau de culpa e o porte socioeconômico do causador do dano. Na ocasião, pontuou-se que a ré não possui elevadas condições financeiras, razão pela qual o valor da indenização deve ser adequado à sua capacidade de pagamento (fl. 1.232). O STJ adota o método bifásico como parâmetro para a aferição da indenização por danos morais, que "atende às exigências de um arbitramento equitativo, pois, além de minimizar eventuais arbitrariedades, evitando a adoção de critérios unicamente subjetivos pelo julgador, afasta a tarifação do dano, trazendo um ponto de equilíbrio pelo qual se consegue alcançar razoável correspondência entre o valor da indenização e o interesse jurídico lesado, bem como estabelecer montante que melhor corresponda às peculiaridades do caso" (AgInt no R Esp n. 1.608.573/RJ, Quarta Turma, julgado em 19, D Je de 19).20/8/20 23/8/20 Uma vez não demonstrada a excepcionalidade capaz de ensejar revisão pelo STJ, o conhecimento do recurso especial implicaria reexame de questões fático-probatórias presentes nos autos, o que é inviável, conforme o enunciado da Súmula n. 7 desta Corte, a qual mantenho. Nas razões dos embargos de declaração, a parte restringe-se a defender a a necessidade de majoração do quantum indenizatório. Em recente julgamento, a Corte Especial do STJ concluiu que "o recurso aclaratório possui finalidade integrativa e, portanto, não se presta à reforma do entendimento aplicado ou ao rejulgamento da causa" (EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, DJe de 28/8/2020). Ademais, a mera irresignação do embargante com o entendimento adotado no julgamento do agravo interno não viabiliza a oposição dos aclaratórios (EDcl no AgInt nos EARESP 1623529, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, DJe de 15/12/2021). Dessa forma, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria apta à apreciação do STJ foi analisada, não padecendo o acórdão embargado dos vícios que autorizariam sua oposição (obscuridade, contradição, omissão e erro material). Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.