AREsp 2916311 - DECISAO
Os embargos foram rejeitados porque não demonstraram qualquer vício sanável (obscuridade, contradição, omissão ou erro material); a parte não comprovou, no momento oportuno, o alegado feriado local com documento oficial ou certidão do Tribunal de origem; a publicação do DJEN de 08.05.2025 foi considerada regular; os...
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- Parties
- Embargante: KAMILLA NEVES CIULDIN SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 July 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão: Embargos Rejeitados
- Outcome
- Embargos de Declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Tempestividade Recursal, Feriado Forense, Preclusão, Intimação Eletrônica
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Parties
KAMILLA NEVES CIULDIN SILVA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão: Embargos Rejeitados
Legal Issues
- 1 se os embargos de declaração apontam omissão/obscuridade/contradição/erro material
- 2 necessidade de comprovação de feriado local para suspensão de prazos
- 3 regularidade da publicação e intimação eletrônica
Ratio Decidendi
Os embargos foram rejeitados porque não demonstraram qualquer vício sanável (obscuridade, contradição, omissão ou erro material); a parte não comprovou, no momento oportuno, o alegado feriado local com documento oficial ou certidão do Tribunal de origem; a publicação do DJEN de 08.05.2025 foi considerada regular; os documentos juntados tardivamente encontram-se preclusos; e os aclaratórios visam apenas rediscutir matéria já decidida.
Court Disposition
Embargos de Declaração rejeitados
Orders
- Rejeição dos Embargos de Declaração
- Advertência de que reiteração ensejará multa de 2% sobre o valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2º, do CPC)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por KAMILLA NEVES CIULDIN SILVA à decisão de fls. 593/594, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: Importante frisar que a intimação acerca da informação nos autos da existência de feriado foi disponibilizada no DJEN em 07/05/2025 e o Agravante não teve acesso a essa informação; corre que a contagem dos prazos processuais só se tornou obrigatória a partir de 16/05/2025. Além disso o §6º do artigo 1.003 do CPC faz menção a ocorrência de feriado local e o caso dos autos, a interrupção se deu por feriado nacional, (COMPROVANTES ANEXOS) já constante do sistema eletrônico; ademais o Tribunal pode, s.m.j. corrigir o vício formal ou desconsiderá-lo. A decisão de intempestividade do ARESP causará inúmeros prejuízos ao Agravante, que não poderá prosseguir com sua defesa, mesmo com o recurso interposto dentro do prazo. A simples contagem do prazo fará com que se veja a verdade óbvia, o recurso é tempestivo e não se vislumbrou a necessidade de se apontar o carnaval como feriado, já que, nem mesmo esse Tribunal teve expediente nos dias de carnaval (fls. 598/599). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Cumpre esclarecer, pois se encontra pacificado nesta Corte, que a ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense deve ser demonstrada, no ato da interposição do recurso que pretende seja conhecido por este Tribunal, por documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem, não bastando a mera menção ao feriado local nas razões recursais, tampouco a apresentação de documento não dotado de fé pública. Nesse sentido, AgInt no AREsp n. 2.227.508/BA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 27.6.2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.270.942/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe de 7.6.2023; e AgInt no AREsp n. 2.280.536/BA, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 24.5.2023. É certo que o feriado nacional de 04.03.2025 não precisa ser comprovado. Porém, o dia 03.03.2025 é supostamente feriado local, pela qual deveria ter sido comprovado no momento oportuno. Por essa razão, em observância à nova redação do art. 1.003, §6º do CPC, alterada pela Lei n. 14.939/2024, a parte foi regularmente intimada para regularizar a tempestividade, porquanto deixou o prazo transcorrer in albis. Ressalte-se que são considerados feriados nacionais somente aqueles que estão expressamente previstos na Lei nº 662/1949 e Lei nº 6.802/1980, as quais declaram feriados nacionais os dias 1º de janeiro, 21 de abril, 1º de maio, 7 de setembro, 12 de outubro, 2 de novembro, 15 de novembro e 25 de dezembro. Além desses, são considerados feriados forenses, o Dia da Justiça (8 de dezembro) e a terça de carnaval, elencados na Lei nº 1.408/1951. No caso, a segunda-feira de carnaval, a Quarta-Feira de Cinzas, os dias da Semana Santa que antecedem a Sexta-Feira da Paixão, o dia de Corpus Christi e o do servidor público são considerados feriados locais para fins de comprovação da tempestividade recursal (AgInt no AREsp n. 2.493.227/MG, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 15.5.2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.759.735/SC, Rel. Ministra Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 13.5.2024; e, AgInt no AREsp n. 2.398.408/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 2.5.2024.). Outrossim, ao contrário do alegado pela parte requerente, conforme certificado à fl. 618, não houve qualquer irregularidade na publicação do dia 08.05.2025. Na referida edição foram apresentadas todas as informações necessárias para conferir publicidade à intimação das partes e advogados, nos exatos termos da Lei n. 11.419/2006, entre elas, o número do processo, o nome das partes e de seus representantes. Registre-se que para a aferição da tempestividade do recurso dirigido ao STJ, é indiferente que tenha havido ou não expediente forense nesta Corte, pois o Agravo e o Recurso Especial interpostos são endereçados ao Presidente do Tribunal a quo, regendo-se o respectivo prazo, em matéria de recesso forense e feriados, pela legislação local. Nesse sentido, o AgInt nos EDcl no AREsp 1482882/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 14.5.2020 e o AgInt no AREsp 1514470/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5.12.2019. No mais, os documentos apresentados com os presentes Embargos de Declaração não podem ser conhecidos, em razão da preclusão. Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA