AREsp 2729016 - ACORDAO
Rejeitaram-se os embargos porque a matéria atacada dizia respeito à admissibilidade/requisitos do recurso (não ao mérito) e, sendo o recurso inapto ao conhecimento, a falta de exame do mérito não constitui omissão sanável por embargos de declaração; ademais, a decisão impugnada expôs fundamentos suficientes sobre os...
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- Parties
- Embargante: Município de Salvador; Agravado: Agravado
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 August 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento Na Segunda Turma Contra Acórdão Que Julgou Agravo Interno
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Intimação Pessoal/virtualização, Multa Por Caráter Protelatório, Reexame Fático Probatório
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Parties
Município de Salvador
Embargante
Agravado
Agravado
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento Na Segunda Turma Contra Acórdão Que Julgou Agravo Interno
Legal Issues
- 1 cabimento dos embargos de declaração diante de questão de admissibilidade
- 2 existência ou não de omissão no acórdão embargado
- 3 proibição de reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque a matéria atacada dizia respeito à admissibilidade/requisitos do recurso (não ao mérito) e, sendo o recurso inapto ao conhecimento, a falta de exame do mérito não constitui omissão sanável por embargos de declaração; ademais, a decisão impugnada expôs fundamentos suficientes sobre os óbices de admissibilidade e eventuais reverências implicariam reexame fático-probatório vedado (Súmula 7/STJ); portanto não se configuraram omissão, contradição, obscuridade ou erro material nos termos do art. 1.022 do CPC/2015.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 07/08/2025 a 13/08/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. PRETENSÃO DE REEXAME. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp n. 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp n. 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp n. 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - As alegações de omissão da parte se referem ao mérito da controvérsia, que não foi analisado nesta Corte. O fato de o acórdão reproduzir o mesmo texto dos fundamentos, relacionados aos óbices de admissibilidade do recurso, aplicados na decisão de admissibilidade, não importa em violação dos arts. 489 e 1.021, § 3º, do CPC/2015, pois a alteração do texto referente aos óbices não modificaria o fato de que os fundamentos de admissibilidade são os mesmos. III - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. IV - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. V - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. VI - Cumpre ressaltar que os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. VI I - Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos contra acórdão que julgou agravo interno. O recurso foi julgado pela Segunda Turma, conforme a seguinte ementa do acórdão: DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PROCESSUAL CIVIL. ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. SÚMULAS N. 7, 83 E 211 DO STJ. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação indenizatória (por danos morais) movida pelo agravado contra o Município de Salvador, também identificado, alegando que foi impedido de fazer qualquer operação bancária em virtude do seu CPF ter sido negativado indevidamente por conta de dívida de tributo de imóvel pertencente a terceiro. Na sentença julgou-se o pedido parcialmente procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. No Superior Tribunal de Justiça, trata-se de agravo interno interposto contra decisão que julgou agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheceu do recurso especial. II - Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. IV - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". V - Relativamente às demais alegações de violação (arts. 2º, 3º, 9º, 10, 183, § 1º, 1.003 e 1.026 do CPC/2015), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. VI - Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. VII - Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." VIII - Agravo interno improvido. Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante os seguintes vícios no acórdão embargado: .. Na leitura do aresto, no entanto, é possível observar o erro de premissa fática em que incorreu o Colegiado, o mesmo erro, d. v., ostentado na decisão agravada. É que, na sua fundamentação, o a decisão embargada se reporta ao acórdão prolatado pelo Tribunal Estadual que julgou a apelação interposta pelo Município. Não atentou o Órgão Julgador, entretanto, que o acórdão que deu origem ao recurso especial foi aquele que negou seguimento aos embargos de declaração opostos pelo Agravante sob o pressuposto de intempestividade (fls. 203-206, integrado pelo acórdão de fls.270-281), que foi vazado nos seguintes termos: .. Note-se que o erro de premissa fática vem sendo reproduzido desde a decisão que inadmitiu o recurso especial (fls. 309-314), já que também nesse decisum o acórdão examinado foi o que julgou a apelação e não os embargos declaratórios. O d. Ministro Relator, decerto porque induzido a erro, também tomou como parâmetro para julgamento o acórdão que desproveu o apelo, o que foi reproduzido no voto vencedor que negou provimento ao agravo interno interposto contra essa decisão monocrática. .. Em virtude desse erro de fato, deu-se a omissão das arguições deduzidas nas razões de agravo interno, que podem ser assim sintetizadas: (a) Para análise do recurso especial, não era necessário o revolvimento de fatos e provas, porque a discussão gira em torno da negativa de seguimento do recurso horizontal sob alegação de intempestividade, na medida em que não foi acatada a arguição de nulidade processual por ausência de intimação pessoal do Município acerca do acórdão que julgou a apelação em razão de ter o Município sido intimado da digitalização do processo para o PJe, sendo todas as premissas fáticas extraídas das próprias decisões impugnadas; .. (b) Ocorreu o prequestionamento implícito acerca da violação aos arts. 9º, 10, 183, §1º, 1.003 e 1.026 do CPC, já que, desde a oposição dos primeiros embargos declaratórios, o Município invocou a aplicação das normas apontadas como violadas pelo Tribunal a quo, que, todavia, foi omisso sobre tais alegações, o que, inclusive, motivou a oposição de novos embargos declaratórios para fins de prequestionamento em que os dispositivos legais tido por violados foram trazidos para o manifesto pronunciamento do Colegiado baiano. Tem incidência, portanto, o regrado no art. 1025 do CPC, que dispõe que "consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados". Não se aplicam, pois, as Súmulas 282 e 356 do STF e 211 do STJ; .. (c) Houve violação dos arts. 489, § 1º, IV e 1022, II, P. U., II, do CPC porquanto o acórdão recorrido (aquele que negou seguimento aos embargos de declaração opostos pelo Município) deixou de enfrentar os argumentos do Agravante de ausência de fundamentação, errônea consideração de intempestividade do recurso horizontal (art. 183, § 1º e 1.003, do CPC), desrespeito aos princípios do contraditório e não-surpresa (arts. 9º e 10 do CPC) e à impropriedade da aplicação de multa (art. 1.026, §§ 2º e 3º, do CPC); .. (d) A decisão do TJBA foi desfundamentada porque se limitou a reproduzir decisão genérica sobre o inacolhimento dos aclaratórios, sem discorrer sobre a questão trazida no recurso horizontal de que a intimação acerca da virtualização dos autos físicos não poderia ser considerada marco inicial para o cômputo do prazo de impugnação ao acórdão que julgou a apelação, bem como sobre a erronia de julgamento com base em questão processual não submetida ao contraditório, com violação ao princípio da não-surpresa compreendido pelo CPC; .. (e) Os embargos de declaração eram tempestivos porque o Tribunal baiano não procedeu à intimação pessoal do Município, através de sua Procuradoria Geral (art. 183, § 1º, do CPC), já que os autos físicos não foram remetidos ao Ente Público para conhecimento do acórdão que julgou a apelação e o Município somente foi intimado, tempos depois da virtualização dos autos, o que não poderia substituir a intimação pessoal do aresto, como, a propósito, é o posicionamento desse eg. STJ (R Esp 2.001.562/SC). Evidenciada, pois, a violação aos arts. 183, § 1º e 1.003 do CPC; .. (f) A multa aplicada ao Município foi indevida porque os segundos embargos declaratórios opostos não tinham caráter protelatório, mas visavam provocar o prequestionamento de matérias jurídicas trazidas de forma inovadora na decisão que julgou os primeiros embargos, não tendo sido atendidos, portanto, os requisitos do art. 1.026, §§ 2º e 3º, do CPC que são o intuito manifestamente procrastinatório do recurso horizontal e a explicitação das razões que justifiquem a pena. Esse também é o entendimento desse eg. STJ (AgInt no AR Esp 2.241.949/RJ, AgInt no AR Esp 2.359.900/BA, AgInt no AR Esp 1.934.915/SP). .. É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. PRETENSÃO DE REEXAME. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp n. 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp n. 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp n. 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - As alegações de omissão da parte se referem ao mérito da controvérsia, que não foi analisado nesta Corte. O fato de o acórdão reproduzir o mesmo texto dos fundamentos, relacionados aos óbices de admissibilidade do recurso, aplicados na decisão de admissibilidade, não importa em violação dos arts. 489 e 1.021, § 3º, do CPC/2015, pois a alteração do texto referente aos óbices não modificaria o fato de que os fundamentos de admissibilidade são os mesmos. III - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. IV - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. V - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. VI - Cumpre ressaltar que os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. VI I - Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp n. 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp n. 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp n. 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: .. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (arts. 2º, 3º, 9º, 10, 183, § 1º, 1.003 e 1.026, do CPC/2015), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." .. O fato de existir precedente isolado sobre a mesma matéria não enseja a viabilidade de reforma do julgado. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp 166.402/PE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl n. 8.826/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) No caso dos autos, o Tribunal de origem é expresso ao afirmar a respeito da devida intimação do município: .. In casu, evidencia-se, ainda, que o Município Embargante fora devidamente intimado, pessoalmente, tendo registrado ciência, através do Representante da Procuradoria Geral do Município do Salvador, em 25 de novembro de 2021, nos termos da certidão acostada ao ID 21905459, oportunidade em que fora cientificado da retomada dos prazos processuais, que voltaram a correr concomitantemente ao prazo para manifestação acerca da digitalização e inserção dos autos no Sistema Processo Judicial Eletrônico - PJe. .. Portanto, como dito no acórdão embargado, rever tais circunstâncias exigiria o reexame do acervo fático-probatório dos autos, vedado pelo Óbice Sumular n. 7/STJ, não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Eventuais equívocos quanto a citação de trecho do acórdão, mas que não afetam a conclusão do acórdão recorrido, não são capazes de causar prejuízo à parte, tampouco não prejudicam o regular exercício do contraditório e ampla defesa. Cumpre ressaltar que os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.