REsp 2170686 - ACORDAO
Rejeitaram-se os embargos porque o acórdão embargado encontrou-se suficientemente claro e fundamentado, tendo tratado expressamente da questão da coisa julgada (citando processo anterior e ação rescisória), de modo que não há obscuridade, contradição, omissão ou erro material a ser aclarado; ademais, os embargos não...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Recurso Especial / Sessão Virtual (06/08/2025 a 12/08/2025) Julgamento Pela Primeira Turma: Rejeição Dos Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Agravo Interno, Recurso Especial, Coisa Julgada, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Enunciado Administrativo N. 3/2016/stj, Súmula 7 Do STJ
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Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Recurso Especial / Sessão Virtual (06/08/2025 a 12/08/2025) Julgamento Pela Primeira Turma: Rejeição Dos Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 alegação de omissão quanto à menção à coisa julgada no acórdão
- 2 aplicação do art. 1.022 do CPC/2015 aos embargos de declaração
- 3 vedação à rediscussão da controvérsia em embargos de declaração
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque o acórdão embargado encontrou-se suficientemente claro e fundamentado, tendo tratado expressamente da questão da coisa julgada (citando processo anterior e ação rescisória), de modo que não há obscuridade, contradição, omissão ou erro material a ser aclarado; ademais, os embargos não se prestam à rediscussão do mérito ou ao reexame de provas, conforme art. 1.022 do CPC/2015, Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ e entendimento consolidado sobre a Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Embargos de declaração rejeitados
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/08/2025 a 12/08/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. 1. Tendo o recurso sido interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. 3. Não há vício a ensejar esclarecimento, complemento ou eventual integração do que decidido no julgado, pois a tutela jurisdicional foi prestada de forma clara e fundamentada. 4. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de embargos de declaração opostos contra acórdão, assim ementado (fl. 1391): PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE. INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. DESNECESSIDADE. AÇÃO DE CONHECIMENTO AJUIZADA APÓS A MAIORIDADE DO AUTOR. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Não há violação do art. 1022 do CPC/2015 quando o Tribunal de origem se manifesta de forma clara, coerente e fundamentada sobre as teses relevantes à solução do litígio. Ressalta-se que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa ao dispositivo de lei invocado. 3. Agravo interno não provido. O embargante sustenta que o acórdão contém vício de omissão. Para tanto, refere na fl. 1402 que "quando se vai à v. Decisão relativa ao Recurso Especial e-STJ FL 1358/1362, não há em sua EMENTA, e nem mesmo em sua parte dispositiva, a menção "COISA JULGADA", ponto que qualifica como "de suma relevância para o desate do problema em foco". Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. 1. Tendo o recurso sido interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. 3. Não há vício a ensejar esclarecimento, complemento ou eventual integração do que decidido no julgado, pois a tutela jurisdicional foi prestada de forma clara e fundamentada. 4. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. O acórdão embargado resolveu a controvérsia ao assentar que "o acórdão integrativo elucidou não ser caso de reconhecimento da nulidade, ao fundamento de que eventual nulidade nesse sentido somente poderia ser vislumbrada na primeira ação proposta (processo nº 0003813-44.2004.4.03.6121), ajuizada em novembro de 2004, em nome de sua genitora, quando o autor, de fato, era ainda menor de idade, e cuja sentença de improcedência transitou em julgado em 4/7/2011". Destacou, ainda, que a decisão agravada havia ressaltado que "a coisa julgada naquele feito inclusive já foi objeto de impugnação nos autos de ação rescisória, ainda que sob fundamentação diversa, tendo aquela ação sido julgada improcedente, afastando a legitimidade do autor", colacionando, inclusive, trecho do acórdão proferido pela Corte a quo que embasou a conclusão, in verbis: .. salientou-se que eventual nulidade nesse sentido somente poderia ser vislumbrada na primeira ação proposta (processo nº 0003813- 44.2004.4.03.6121), ajuizada em novembro de 2004, em nome de sua genitora, quando o autor, de fato, era ainda menor de idade, e cuja sentença de improcedência transitou em julgado em .4/7/2011 Foi ressaltado também que a coisa julgada naquele feito, inclusive, já foi objeto de impugnação nos autos da ação rescisória nº 0010671- 43.2012.4.03.0000, ainda que sob fundamentação diversa, tendo aquela ação sido julgada improcedente e, o autor, considerado parte ilegítima para figurar naquela causa. Acrescente-se que a discussão sobre a existência ou não da qualidade de segurado do de cujus foi objeto de decisão judicial transitada em julgado na ação de nº 0003813-44.2004.4.03.6121, não guardando pertinência com a matéria controvertida nestes autos. (fl. 1393) Pontue-se que no excerto supra, que consta da fundamentação da decisão ora embargada, foi consignado que "a discussão sobre a existência ou não da qualidade de segurado do de cujus foi objeto de decisão judicial transitada em julgado na ação de nº 0003813-44.2004.4.03.6121, não guardando pertinência com a matéria controvertida nestes autos". (Grifei). Concluiu assim, na fl. 1394, que "a insurgência deduzida no recurso especial caracteriza, em verdade, mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, o que afasta o reconhecimento de nulidade do acórdão proferido em sede de embargos de declaração nos termos pretendidos" . Logo, fica evidenciado que nos presentes embargos a reiteração da alegação de omissão acerca da tese de "coisa julgada" se caracteriza, em verdade, na pretensão de rediscutir a controvérsia, propósito para o qual não se prestam os aclaratórios. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC. REDISCUSSÃO DA CONTROVÉRSIA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO REJEITADO. 1. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na espécie. 2. Não constatada a presença de nenhum vício que justifique esclarecimento, complemento ou eventual integração do que foi decidido, a rejeição dos aclaratórios é medida que se impõe. 3. A parte embargante defende que não seria o caso de análise de provas, visto que a própria ementa do acórdão do Tribunal de origem consignou que, de "acordo com o estatuto social da autora, devidamente registrado, a embargante tem como objeto social "a indústria, comércio, exportação de móveis e compensados, importação de matérias-primas, maquinaria, material secundário e tudo mais concernente à indústria do mobiliário em geral, agricultura e pecuária em todas as suas modalidades, bem como, participarem outras empresas, como meio de realizar o objeto social ou para beneficiar-se de incentivos fiscais" (evento 1, CONTRSOCIAL3, fls. 4-5)"(fls. 562/563). 4. Entendimento diverso, conforme pretendido, implicaria necessariamente o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não na valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. Sendo assim, incide no presente caso a Súmula 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 5. A argumentação apresentada pela parte embargante denota mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, mas não se prestam os aclaratórios a esse fim. 6. Os embargos de declaração não constituem instrumento adequado a rever entendimento já manifestado e devidamente embasado, à correção de eventual error in judicando ou ao prequestionamento de dispositivos constitucionais, mesmo que com vistas à interposição de recurso extraordinário. 7. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no AREsp n. 2.093.035/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 17/11/2023.) (Grifei). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS. NÃO OCORRÊNCIA.BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. ANTERIOR INDEFERIMENTO. NOVO PEDIDO.CONDIÇÃO FINANCEIRA. ALTERAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração têm ensejo quando há obscuridade, contradição, omissão ou erro material no julgado. 2. Hipótese em que não há no acórdão nenhuma situação que dê amparo ao recurso integrativo, porquanto o vício alegado pelo embargante, na realidade, manifesta seu inconformismo com o desprovimento do agravo interno. 3. "A jurisprudência deste Tribunal Superior firmou-se no sentido de que cabe ao requerente demonstrar a alteração de sua condição financeira para a obtenção da gratuidade da justiça quando o benefício não foi requerido perante as instâncias ordinárias, bem como nos casos em que a benesse tenha sido anteriormente indeferida, não bastando a mera declaração de hipossuficiência. (AgInt no REsp n. 1.951.005/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/12/2021, DJe de15/12/2021.). 4. No caso dos autos, o pleito foi indeferido no primeiro grau de jurisdição e não houve demonstração de que tenha havido alteração na situação financeira do embargante, sendo certo que a improcedência do pedido autoral, por si só, não justifica a concessão do benefício neste momento processual. 5. Embargos de declaração rejeitados e pedido de concessão do benefício da justiça gratuita indeferido. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.968.885/RS,relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 13/11/2023,DJe de 17/11/2023.) (Grifei). Assim, evidencia-se não ter ocorrido falta de clareza, insuficiência de fundamentação ou erro material a ensejar esclarecimento ou complementação do que já decidido. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto.