AREsp 2686390 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência dos vícios exigidos pelo art. 619 do CPP: o acórdão apresentou fundamentação suficiente para resolver a matéria, não havendo omissão, obscuridade, contradição ou ambiguidade, e não se reconhece nulidade atribuível à parte sem demonstração de prejuízo nos termos...
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- Parties
- Embargante: Ministério Público do Estado de Minas Gerais; Recorrido: Fábio Ferreira Fernandes
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Rejeição Dos Embargos (decisão De Mérito)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados.
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Fundamentação Suficiente, Nulidade, Art. 619 Do CPP, Art. 565 Do CPP, Pronúncia, In Dubio Pro Societate
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Parties
Ministério Público do Estado de Minas Gerais
Embargante
Fábio Ferreira Fernandes
Recorrido
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Rejeição Dos Embargos (decisão De Mérito)
Legal Issues
- 1 Se o acórdão embargado apresenta omissão, obscuridade, ambiguidade ou contrariedade (art. 619 do CPP)
- 2 Cabimento dos embargos de declaração para rediscussão de matéria já decidida
- 3 Reconhecimento de nulidade causada pela própria parte (art. 565 do CPP)
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência dos vícios exigidos pelo art. 619 do CPP: o acórdão apresentou fundamentação suficiente para resolver a matéria, não havendo omissão, obscuridade, contradição ou ambiguidade, e não se reconhece nulidade atribuível à parte sem demonstração de prejuízo nos termos do art. 565 do CPP; embargos não servem para rediscutir matéria já decidida.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados.
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO O Ministério Público do Estado de Minas Gerais opôs embargos de declaração contra a decisão que conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial, a fim de anular o processo desde a decisão de pronúncia e despronunciar Fábio Ferreira Fernandes (e-STJ Fl. 815-827). Alega o recorrente que houve omissão no julgado, pois desconsiderou que a decisão de pronúncia não se baseou exclusivamente em testemunhos indiretos, pois há depoimentos judiciais que identificam e individualizam as fontes das informações, como o depoimento da vítima que reconheceu o réu como autor do crime e de uma testemunha que declarou a existência de uma confusão entre o réu e a vítima (e-STJ Fl. 837-840). O recorrido manifestou pelo não conhecimento dos embargos e, caso seja conhecido, para que sejam rejeitados (e-STJ Fl. 858-862). É o relatório. Decido. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade Contudo, no mérito, não há omissão a ser sanada. Acerca dos pronunciamentos judiciais de caráter decisório, prevalece na jurisprudência do egrégio Superior Tribunal de Justiça o critério da fundamentação suficiente e não fundamentação exauriente. O órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todas as alegações apresentadas pelo recorrente, mas somente aqueles que são capazes de infirmar a sua decisão. Neste sentido: DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. EMBARGOS REJEITADOS. I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Quinta Turma do STJ que desproveu agravo regimental. 2. O embargante alega omissão quanto à violação de dispositivos da Convenção Americana de Direitos Humanos e do Código de Processo Penal, além de nulidade de prova ilícita e pedido subsidiário de retorno dos autos à origem. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se o acórdão embargado apresenta omissão, obscuridade, ambiguidade ou contrariedade que justifique a oposição de embargos de declaração. III. Razões de decidir 4. O acórdão embargado não apresenta os vícios de omissão, obscuridade, ambiguidade ou contrariedade, conforme exigido pelo art. 619 do CPP. 5. A fundamentação do acórdão foi suficiente para resolver a matéria, não sendo necessário citar todos os dispositivos legais indicados pela defesa e nem realizar cotejo analítico entre julgados, quando o recurso especial não está pautado em divergência jurisprudencial. 6. Não se reconhece nulidade a que deu causa a própria parte, conforme o art. 565 do CPP, além de não ter sido demonstrado prejuízo em razão do alegado vício. Pleito subsidiário que não comporta provimento em razão de sua insignificância no julgamento. 7. A intenção de rediscutir questões já decididas no acórdão embargado é incabível na via dos embargos de declaração. IV. Dispositivo e tese 8. Embargos de declaração rejeitados. Tese de julgamento: "1. Embargos de declaração não são cabíveis para rediscutir questões já decididas. 2. Não se reconhece nulidade a que deu causa a própria parte, conforme o art. 565 do CPP, notadamente quando não indicado o prejuízo. 3. A fundamentação do acórdão é suficiente quando resolve a matéria de forma clara e coerente, sem necessidade de citar todos os dispositivos legais indicados pela defesa, e nem realizar cotejo analítico entre julgados, quando o recurso especial não está pautado em divergência jurisprudencial." Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 619; CPP, art. 565. Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgRg no AREsp 2.416.678/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 18.06.2024. (EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp 2561064/AM, Relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, Data do julgamento 17/12/2024, DJEN 23/12/2024). (destaquei). DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO COM FUNDAMENTAÇÃO VINCULADA. REJEIÇÃO. I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Quinta Turma desta Corte Superior que, à unanimidade, negou provimento ao agravo regimental em habeas corpus, sob a alegação de omissão quanto à fundamentação da decisão de segregação cautelar. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se os embargos de declaração podem ser utilizados para rediscutir matéria já decidida, sem a demonstração de ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, conforme o art. 619 do Código de Processo Penal. III. Razões de decidir 3. Os embargos de declaração são recurso com fundamentação vinculada, sendo imprescindível a demonstração de que a decisão embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa, conforme o art. 619 do CPP. 4. A mera irresignação com o entendimento apresentado na decisão não é suficiente para o acolhimento dos embargos de declaração. 5. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes quando já encontrado motivo suficiente para proferir a decisão, não servindo os aclaratórios para rediscussão do julgado. IV. Dispositivo e tese 6. Embargos de declaração rejeitados. Tese de julgamento: "1. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão de matéria já decidida, sendo necessário demonstrar ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão. 2. A mera irresignação com o resultado do julgamento não é suficiente para o acolhimento dos embargos de declaração". Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 619.Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgRg no HC 520.357/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 10.12.2019; STJ, EDcl nos EDcl no AgRg no HC 759.140/ES, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 18.04.2023; STJ, EDcl no AgRg no HC 773.880/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 06.03.2023. (EDcl no AgRg no HC 934348/RS, Relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, Data do julgamento 18/12/2024, DJEN 23/12/2024). (destaquei). No caso, a decisão recorrida fundamentou que a pronúncia foi baseada exclusivamente em testemunhos indiretos e que a dúvida deve ser resolvida em favor do réu, pois o princípio "in dubio pro societate" não tem amparo no ordenamento jurídico brasileiro. Os embargos de declaração não são destinados à rediscussão da matéria, mas somente para as hipóteses em que a decisão apresentar ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do artigo 619 do Código de Processo Penal. Na situação em análise, não se verifica nenhuma das hipóteses que justificam a oposição do recurso. Para a impugnação da decisão nos pontos que almeja, deve o recorrente utilizar a via recursal adequada. Pelo exposto, conhe ço do recurso, mas, no mérito, rejeito os embargos. Publique-se. Intime-se. EMENTA