Rcl 48762 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por não indicar omissão, contradição, obscuridade ou erro material nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; a decisão embargada já enfrentou as teses relevantes, e a pretensão da parte traduz intenção de rediscutir o mérito e utilizar a reclamação como sucedâneo recursal, o...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Contra Decisão Monocrática
- Outcome
- Rejeitados os embargos de declaração
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Reclamação, Tema 692/stj, Tutela Antecipada, Modulação De Efeitos, Sucedâneo Recursal
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Procedural Posture
Embargos De Declaração / Contra Decisão Monocrática
Legal Issues
- 1 Cabimento dos embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Se houve omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada
- 3 Se a reclamação foi utilizada indevidamente como sucedâneo recursal
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por não indicar omissão, contradição, obscuridade ou erro material nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; a decisão embargada já enfrentou as teses relevantes, e a pretensão da parte traduz intenção de rediscutir o mérito e utilizar a reclamação como sucedâneo recursal, o que é incompatível com a natureza dos embargos e da reclamação.
Court Disposition
Rejeitados os embargos de declaração
Orders
- Rejeito os embargos de declaração.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração contra decisão monocrática. Proferida decisão no recurso, a parte embargante opõe embargos de declaração apontando vícios na decisão embargada, conforme se percebe dos seguintes trechos da petição: .. Nobre Ministro Relator, claramente a r. decisão, deixou de considerar alguns importantes pontos para o julgamento do presente processo. A nobre decisão não considerou - omissão, que, no presente caso, não era possível qualquer outro recurso quando da negativa. O reclamante, diante da imensa injustiça ocorrida e, após esgotar todas as instâncias no processo de origem, não teve outra alternativa que socorrer-se perante ao Ilmo. Superior Tribunal de Justiça. Sendo assim, ocorreu o esgotamento das vias recursais, porém, a presente reclamação foi proposta antes do trânsito em julgado, em prazo hábil legalmente permitido, algo não considerado na fundamentação da nobre decisão - omissão. .. Nobre julgador, em momento algum o embargante tratou a presente reclamação como um substituto de qualquer possibilidade recursal, tendo em vista que não existia mais possibilidade de recurso. O que se busca de maneira legitima e legal no presente, é apenas manter/preservar a decisão do nobre STJ no processo, como forma de mais lídima justiça. Dessa forma, alegações da decisão que ora se embarga, tais como: "..O que se observa, na verdade, é que a reclamação foi utilizada como sucedâneo recursal, entretanto, tal medida jurisdicional não se presta a isso, tendo, na verdade utilização restrita..", não possuem qualquer sentido. .. Dessa forma, podemos verificar que a reclamação, ora apresentada, está em conformidade com o exigido por lei, especialmente o artigo 988 do CPC e até mesmo com a CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA e artigo 187 do RISTJ, buscando garantir a autoridade deste tribunal e a observância de acórdão proferido em julgamento de casos similares/incidente, como é o caso do TEMA 692/STJ, quanto a não aplicabilidade no presente de maneira indiscriminada. .. A nobre decisão que ora se embarga, não considerou que o próprio TEMA 692/STJ, que aponta que situação diversa é a da tutela de urgência cuja revogação se dá em razão de mudança superveniente da jurisprudência então dominante. Nesses casos, a superação do precedente deverá ser acompanhada da indispensável modulação dos efeitos, a juízo do Tribunal que está promovendo a alteração jurisprudencial, como determina o art. 927, § 3º, do CPC. Dessa forma, resta claro que, muito diferente do que alega o v. acórdão combatido na Reclamação, não deve ser aplicado o tema 692/STJ quando no caso o entendimento foi firmado em momento controvertido nos tribunais. Outrossim, a decisão do nobre tribunal que ora se combate, também fere de morte a própria LEI! O artigo 927, § 3º, do CPC, afirma categoricamente que na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. .. É o relatório. Decido. Os embargos não merecem acolhimento. As alegações da parte embargante foram analisadas na decisão embargada. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais devia pronunciar-se o juiz de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). O apontamento de vício pela parte embargante foi tratado com clareza e sem contradições, conforme se percebe dos seguintes trechos da decisão: .. Como visto, cabe reclamação, para o STJ, para que seja preservada sua competência, para que seja garantida a autoridade de suas decisões e para garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas. No caso dos autos, o reclamante busca exatamente o contrário. Requer a sustação dos efeitos da decisão que determinou a devolução dos valores recebidos por força de tutela antecipada, posteriormente revogada, justamente pelo fato do Tribunal Regional Federal da 3ª Região ter aplicado o precedente desta Corte, julgado em sede de recursos repetitivos (Tema 692). A fundamentação utilizada pelo reclamante não pode ser enquadrada em nenhuma das hipóteses acima. O que se observa, na verdade, é que a pretensão do reclamante foi julgada improcedente com base na aplicação de entendimento firmado sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 692). A utilização da reclamação para garantia das decisões do tribunal pode se dar quando a decisão do próprio tribunal não é cumprida. Isso não ocorre quando outro órgão julgador, como in casu o TRF da 3ª Região adota entendimento em consonância com o adotado no STJ e determina a devolução dos valores recebidos por força de tutela antecipada, posteriormente revogada. Ademais, esclareça-se, por necessário, que não existe decisão desta Corte, em um caso concreto, envolvendo as mesmas partes e que tenha sido desrespeitada. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a reclamação não se destina a dirimir divergência jurisprudencial entre acórdão reclamado e precedentes do Superior Tribunal de Justiça muito menos de qualquer outro Tribunal. O que se observa, na verdade, é que a reclamação foi utilizada como sucedâneo recursal, entretanto, tal medida jurisdicional não se presta a isso, tendo, na verdade utilização restrita. A utilização da reclamação para garantia das decisões do tribunal pode se dar quando a decisão do próprio tribunal não é cumprida. Isso não ocorre quando outro órgão julgador adota entendimento diverso do STJ. Em outras palavras, a reclamação não serve para preservar a jurisprudência do Tribunal. .. As alegações da parte, como se vê, configuram a intenção de rediscutir a matéria, o que é inviável em embargos de declaração. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp 166.402/PE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl 8.826/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) Cumpre ressaltar que os embargos de declaração não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA