REsp 2170380 - ACORDAO
O acórdão embargado não é omisso porque examinou a controvérsia, registrando a ausência de impugnação específica aos fundamentos que deram provimento aos Recursos Especiais (incidência de súmulas e tese vinculante), e aplicou os critérios do art. 1.022 do CPC/2015; assim, não há vício que justifique acolhimento dos...
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- Parties
- Embargante: DELCO ESTEVÃO DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração Nos Embargos De Declaração No Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 12/08/2025 a 18/08/2025) Embargos De Declaração Rejeitados
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Embargos De Declaração, Omissão, Admissibilidade Do Recurso Especial, Súmula, Fundamentação Judicial
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
DELCO ESTEVÃO DA SILVA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração Nos Embargos De Declaração No Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 12/08/2025 a 18/08/2025) Embargos De Declaração Rejeitados
Legal Issues
- 1 Ocorrência de omissão no acórdão quanto à (in)admissibilidade dos recursos especiais interpostos
- 2 Aplicabilidade do art. 1.022 do CPC/2015 e do art. 489 do CPC/2015
- 3 Obrigatoriedade de impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida
Ratio Decidendi
O acórdão embargado não é omisso porque examinou a controvérsia, registrando a ausência de impugnação específica aos fundamentos que deram provimento aos Recursos Especiais (incidência de súmulas e tese vinculante), e aplicou os critérios do art. 1.022 do CPC/2015; assim, não há vício que justifique acolhimento dos embargos de declaração, motivo pelo qual foram rejeitados.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/08/2025 a 18/08/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO AUSÊNCIA DE VÍCIOS. I - A fundamentação adotada no acórdão é suficiente para respaldar a conclusão alcançada, pelo que ausente pressuposto a ensejar a oposição de novos embargos de declaração, nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. II - Novos embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO DELCO ESTEVÃO DA SILVA opõe embargos de declaração contra o acórdão proferido em sede de embargos de declaração no agravo interno no recurso especial que, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, cuja ementa transcrevo (fl. 2.010e): PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. I - A fundamentação adotada no acórdão é suficiente para respaldar a conclusão alcançada, pelo que ausente pressuposto a ensejar a oposição de embargos de declaração, nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. II - Embargos de declaração rejeitados. Sustenta, em síntese, a ocorrência de omissão no acórdão, in verbis (fls. 2.024/2.029e): .. foram opostos os primeiros embargos de declaração assinalando que "a questão essencial residia - e reside - na admissibilidade do recurso especial. Contudo.. o acórdão embargado deu por superada, pura e simplesmente, qualquer discussão sobre a admissibilidade do recurso especial, sem dedicar nem uma só palavra à importantíssima questão preliminar. .. Acontece que, data máxima vênia, a controvérsia não foi examinada "de forma satisfatória", pois, repita-se, a questão essencial residia - e reside - na (in)admissibilidade dos recursos especiais interpostos, que nunca foi enfrentada. A omissão apontada nos primeiros embargos de declaração absolutamente não foi suprida no acórdão aqui embargado. Impugnação às fls. 231/234, fls. 240/242 e fls. 2.044/2.047e. Os embargos foram opostos tempestivamente. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO AUSÊNCIA DE VÍCIOS. I - A fundamentação adotada no acórdão é suficiente para respaldar a conclusão alcançada, pelo que ausente pressuposto a ensejar a oposição de novos embargos de declaração, nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. II - Novos embargos de declaração rejeitados. VOTO Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas no art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Nesse sentido, confira-se a doutrina de Nelson Nery Junior e Rosa Nery: Não enfrentamento, pela decisão, de todos os argumentos possíveis de infirmar a conclusão do julgador. Para que se possa ser considerada fundamentada a decisão, o juiz deverá examinar todos os argumentos trazidos pelas partes que sejam capazes, por si sós e em tese, de infirmar a conclusão que embasou a decisão. Havendo omissão do juiz, que deixou de analisar fundamento constante da alegação da parte, terá havido omissão suscetível de correção pela via dos embargos de declaração. Não é mais possível, de lege lata, rejeitarem-se, por exemplo, embargos de declaração, ao argumento de que o juiz não está obrigado a pronunciar-se sobre todos os pontos da causa. Pela regra estatuída no texto normativo ora comentado, o juiz deverá pronunciar-se sobre todos os pontos levantados pelas partes, que sejam capazes de alterar a conclusão adotada na decisão. (Código de Processo Civil Comentado, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2016, p. 1.249-1.250, destaque no original). Esposando tal entendimento, precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO EXAMINOU O MÉRITO DA CONTROVÉRSIA EM VIRTUDE DA INCIDÊNCIA À ESPÉCIE DA SÚMULA N. 7 DESTA CORTE. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO. SÚMULA N. 315/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). IV - O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: Mediante análise dos autos, verifica-se que o acórdão embargado concluiu pela impossibilidade de se analisar o mérito do recurso especial em razão da incidência, no ponto, da Súmula n. 7/STJ. Tal situação impede, por si só, o conhecimento desta via de impugnação, pois não se admite a interposição de embargos de divergência na hipótese de não ter sido analisado o mérito do recurso especial, a teor da Súmula n. 315 desta Corte Superior: "Não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial." V - Nesse mesmo sentido trago à colação julgado desta Corte Especial: AgInt nos EREsp n. 1.960.526/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023. VI - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: E Dcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. VII - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.991.078/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, julgado em 9/5/2023, DJe de 12/5/2023). In casu , o Embargante suscita omissão porquanto " .. a controvérsia não foi examinada "de forma satisfatória", pois, .. , a questão essencial residia - e reside - na (in)admissibilidade dos recursos especiais interpostos, que nunca foi enfrentada" (fl. 2.026e). No entanto, houve pronunciamento sobre a suposto vício integrativo alegado nos primeiros embargos de declaração, nos seguintes termos (fls. 2.014/2.015e): No caso, a parte Embargante aduz omissão, uma vez que "o acórdão embargado deu por superada, pura e simplesmente, qualquer discussão sobre a admissibilidade do recurso especial, sem dedicar nem uma só palavra à importantíssima questão preliminar" (fl. 1.984e). No entanto, consta do acórdão embargado manifestação sobre a controvérsia, nos seguintes termos (fl. 1.972e): No caso sob exame, os Recursos Especiais dos ora Agravados foram providos, com base na aplicação da Súmula n. 568 desta Corte, segundo a qual "o Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema", à vista da orientação firmada neste Tribunal Superior acerca da exegese do art. 61-A, caput e § 12, da Lei n. 12.651/2012 (Código Florestal), na incidência das Súmulas ns. 613, 623 e 629 deste Tribunal Superior, bem como da tese vinculante firmada no julgamento do Tema n. 1.204 dos recursos especiais repetitivos. Entretanto, em verdade, as razões do Agravo limitaram-se, genericamente, a apontar a incidência das Súmulas ns. 7 e 83 desta Corte, colacionando trechos de ementas de julgados, não satisfazendo, dessarte, a exigência de impugnação específica da decisão agravada, porquanto o Agravante não demonstra, de modo adequado, que o entendimento não está pacificado no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou os precedentes utilizados não guardariam similitude com o caso sob exame (destaques meus). Ou seja, o acórdão consignou expressamente a ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão recorrida - que deu provimento ao Recurso Especial dos ora Embargados, em razão da "incidência das Súmulas ns. 613, 623 e 629 deste Tribunal Superior, bem como da tese vinculante firmada no julgamento do Tema n. 1.204 dos recursos especiais repetitivos" - o que implicou no não conhecimento do Agravo Interno pela incidência da Súmula n. 182/STJ (destaques meus). Nesse sentido, no acórdão mediante o qual foram rejeitados os primeiros embargos de declaração, restou consignada a ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão recorrida (fls. 1.911/1.928e), o que implicou no não conhecimento do Agravo Interno pela incidência da Súmula n. 182/STJ. Com efeito, depreende-se da leitura do acórdão que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.990.124/MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe de 14.8.2023; 1ª Turm a, EDcl no AgInt nos EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.745.723/RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 7.6.2023; e 2ª Turma, EDcl no AgInt no AREsp n. 2.124.543/RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 23.5.2023). Assim, não verifico, no caso, a existência de vício a ensejar a declaração do julgado ou sua revisão mediante embargos de declaração. Desse modo, totalmente destituída de pertinência mencionada formulação, porquanto não se ajusta aos estritos limites de atuação dos embargos, os quais se destinam, exclusivamente, à correção de eventual omissão, contradição, obscuridade ou erro material do julgado. Posto isso, REJEITO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.